Guerra santa natalícia

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Com uma previsibilidade quase euclidiana, Trump lança o caos no médio oriente. Por estranho que pareça, a pior interpretação da ação da casa branca de Trump, é dizer que ela é imprevisível ou aleatória. Trump segue à risca a cartilha de tudo o que de pior foi experimentado pelos 45 presidentes norteamericanos. Tal como Bush congeminou uma guerra com o Iraque para solidificar o seu poder interno, também Trump, enfrentando um processo de empeachment, provocou um conflito com o Irão matando o seu maior general. Matar Qasem Suleimani está ao mesmo nível de assassinar Mike Pence. Imagina-se o que sucederia nos Estados Unidos se Mike Pence fosse morto pelo exército iraniano?

Os falcões de Trump perceberam que o seu tempo poderia estar perto do fim na Casa Branca e quiseram precipitar aquilo que há muito andavam a congeminar: a guerra com o Irão. É certo, Suleimani tinha pouco de recomendável. Para além disso era o cérebro por detrás das operações de contra-insurgência no Iraque, e neste sentido, o pior inimigo actual dos estados unidos de Trump. Mas o seu assassinato é um acto de hostilidade directo ao regime iraniano e apenas pode pretender uma escalada na situação. Devemos por isso compreender os reptos de Mike Pompeo no sentido de evitar uma escalada como proferindo a intenção oposta à realmente pretendida. E nesse sentido, enquandrando-se na estratégia de duplicidade que tem sido o timbre de Trump durante o seu reinado. Os estados unidos de Trump desejam ardentemente uma retaliação do Irão. Estão prontos para fazer a guerra com o Irão e há muito que a desejam. Os reptos à reacção por parte dos Iranianos, com aquele dramatismo costumeiro das mensagens proféticas, apenas evidencia a força dos fracos. O Irão sabe que num confronto directo com os Estados Unidos seria esmagado, assim como foi o Iraque. E pese embora o facto de o poderio militar iraniano ser incomparavelmente superior ao do Iraque de Sadam, não deixa por isso de ser insignificante contra a força militar norteamericana.

Por isso, o pior que pode acontecer aos estados unidos de Trump é o Irão não morder o isco; não perpetrar ou patrocinar atentados terroristas; não enveredar pela retaliação bélica. Na realidade, inteligente seria colocar no lugar de Suleimani outro general, que completasse o trabalho de Suleimani quer no Iraque quer no Iémene.

Israel está impaciente para que o Irão se torne de facto uma ameaça nuclear. Assim poderá interferir nas zonas em que diz ter que esmagar os insurgentes liderados pelos guardas Quds no Líbano e na Síria.

Robert Fisk, na sua coluna no Independent, tem poucas dúvidas de que se trata de uma estratégia para reforçar o apoio dos republicanos ao seu presidente porque as eleições se aproximam. Só que, como dito anteriormente, esta estratégia só trará frutos se a guerra acontecer. O maior golpe que o Irão poderia desferir em Trump e nos seus falcões seria engolir em seco, assobiar para o lado, e prosseguir com o seu programa nuclear. A ver vamos se o dramatismo profético dos aiatolás segue os seus desígnios de escatologia religiosa ou se se contém judiciosamente.

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