As lágrimas amargas da direita conservadora

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Eu confesso que o estado mental da gente do Observador me parece preocupante. E isto vem a propósito das respostas, sensivelmente em uníssono, à reacção gerada pelo artigo de Fátima Bonifácio.

Tenho o maior respeito por conservadores inteligentes. Dharendorf era um conservador inteligente – e um brilhante pensador. Popper, era um conservador inteligente – embora estivesse enganado em diversas coisas. Leo Strauss é um conservador muitíssimo inteligente. E ninguém lhe retira esse mérito. Agora a cáfila que se acoita no salário do Dr. (?) Relvas é que são uma cambada de asnos de bradar aos céus! E refira-se que a transmutação animalesca de camelos para asnos nem lhes fica mal. Num arremedo das metamorfoses de Ovídio trata-se de observar a passagem da teimosia dos camelos para a estultícia (teórica e romanesca) dos asnos: e eles conservam, em doses mutáveis, significativas quantidades de ambas.

Por exemplo, será admissível berrar pela liberdade de expressão quando são os próprios a botarem palavra, mas quando esta os contraria, ou os amofina, ou chama os bois pelos nomes, aqui del rei!, que vem a polícia do pensamento? Um liberal que se prezasse, perante a iniquidade estúpida do texto de Fátima Bonifácio, querendo defendê-lo, sairia à liça com argumentos; bons argumentos de preferência. Não argumentos estúpidos. Como faz o João Pedro Marques, quando diz “a pobreza é um problema, não a cor da pele” e tergiversa contra a discriminação positiva. Mas depreendemos que se assim for o sr. é contra quotas para mulheres, ou deficientes, porque elas seguem a mesma lógica da discriminação positiva. Então que o defenda. Que diga abertamente que considera que a lei da paridade é uma barbaridade, e que ter deficientes na função pública é um entorse ao livre funcionamento da sociedade.

A Mariana Ferreira, entre uma jantarada no Loco e uma saída com os amigos betos ao Urban Tejo decide escrever um texto onde assevera que as quotas são um dispositivo terrível porque “estamos a competir com alunos cuja média de ingresso reflicta unicamente o seu trabalho, dedicação e capacidades intelectuais”. Sério? E o dinheiro dos pais? E as explicações? E as aulas de piano desde tenra idade? E as habilitações académicas dos pais que fomentam o interesse pela aprendizagem segundo o código escolar? Nada disso interessa? Talvez porque os pretos do bairro social não possuem nem trabalho, nem dedicação, e muito menos capacidades intelectuais! Conclua-se que esta gente (a do Observador) é deveras asinina!

E a piéce de résistance pertence ao inefável Alberto Gonçalves. Soi-disant sociólogo, eterno crítico de Boaventura Sousa Santos – mas o que já deu ao mundo o Gonçalves? Ah espera, um pseudo-livro de propaganda anti-esquerdista contra a geringonça! – diz-nos que não sabe bem se a Fátima Bonifácio é racista. Mas quem a critica, esses sim são com certeza racistas!…e fascistas! Porque quem diz que o outro é fascista é com certeza mais fascista ainda! O nível de infantilidade da prosa do Gonçalves reflecte com grande fidedignidade aquele jogo das crianças “quem diz é quem é!”. E é ele que quer terçar armas com o Boaventura? O nível de argumentação é de deficientes mentais, porque escasseiam argumentos perante o texto de Fátima Bonifácio. E isso até corresponde à impossibilidade de justificar o injustificável. E a estratégia de Alberto Gonçalves é justamente essa: em vez de defender os argumentos da professora, encarniça-se contra os seus detractores. Mas vejamos, se há processos por difamação porque prejudicam objectivamente os nomes e vidas de pessoas, porque não poderá haver processos por discriminação porque esta prejudica objectivamente a identidade e vida de grupos? Alberto Gonçalves não tem resposta, porque no geral do seu arrazoado (e é corrente nos seus escritos) nunca coloca as interrogações pertinentes.

Finalmente, Rui Ramos. Este quer correr tudo e todos a pingalim. Desmonta da sua sela devidamente arreada no lombo do Estado e invectiva a massa ignara que morde as canelas da aristocracia iluminada. O artigo de Rui Ramos é duplamente interessante. Não somente insulta quem teve a ousadia de chamar racista a Fátima Bonifácio, como afirma uma entidade mirífica designada por “os portugueses” que pelos vistos não tem negros nem ciganos. Parece-me pouco e mau para um historiador.

Pedro Picoito emerge assim como o mais sensato dos plumitivos. Depois de se posicionar contra as quotas, como um bom liberal faria (mas não explicita se é contra a lei da paridade, e se não é, o que as distingue então das quotas étnicas?) critica a justo título a generalização, o que era afinal o âmago do artigo de Fátima Bonifácio, e não as quotas.  Curiosamente remata o artigo acusando a esquerda de “fechar os olhos aos problemas”. Afinal há problemas…e serão da mesma natureza dos identificados pela professora Fátima Bonifácio? Porque o paradoxo está em que as medidas propostas pela esquerda visam precisamente debelar os problemas. O problema, passo a redundância, é que a natureza dos mesmos parece assumir conteúdos diferentes à esquerda e à direita. À esquerda é a segregação e a desigualdade. E à direita? Será que Pedro Picoito também está muito incomodado com os “desordeiros” dos ciganos que não respeitam as filas ou com os gangs de negros que lançam as suas ondas racistas por onde passam? Se esta for a sua concepção dos problemas, bem pode o Picoito ombrear com a professora na sua gesta pela pureza rácica.

The white woman’s burden…and stupidity

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Foram ondas de desaprovação geradas pelo artigo de Fátima Bonifácio. E com efeito ele contém tudo o que é feio e pusilânime na direita conservadora bem-pensante. Antes de passar à questão do racismo e ao turbilhão que ela provocou, não apenas nos sectores activistas, saliento que o artigo possui dois vectores que são frequentemente eixos do pensamento conservador da direita alt-right. Nele se misturam um ódio à esquerda com um serôdio – mas nada inócuo – nativismo ultramontano. Foram por conseguinte duas das matérias que mais acirrariam a consciência tranquila de uma conservadora portuguesa que se dispuseram em simultâneo: um programa de esquerda anunciado por um sociólogo e, em corolário, um golpe nefasto na pureza nacional. Há uma outra interpretação que atalha estas duas: a crescente senilidade da senhora em questão. Seria assim simples, se os seus próceres do Observador não tivessem saído a terreiro a defenderem o direito da senhora dizer o que lhe dá na veneta. O que significa, muito witgensteineamente, que basicamente concordam com os seus pressupostos.

Tem-se dado uma importância ampliada à questão levantada no texto de Bonifácio de os negros e ciganos não pertencerem à cristandade, enquanto as mulheres sim, o que justificaria as quotas para umas e infirmaria essa possibilidade para os outros. A frase é lapidar: As mulheres, que sem dúvida têm nos últimos anos adquirido uma visibilidade sem paralelo com o passado, partilham, de um modo geral, as mesmas crenças religiosas e os mesmos valores morais: fazem parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade. Começo por isso pelo profundo sexismo labrosta e ancilosado da académica. Ao racismo lá chegaremos; e isto porque frequentemente andam a par.

Não era apenas do activismo anti-racista e de pessoas que se sentiram indispostas com o racismo flagrante do artigo que a denúncia devia ter vindo. As mulheres são igualmente visadas. Para Fátima Bonifácio, que tem direito a palco em programas de televisão como o Prós e Contras, a mulher é aquela coisa que partilha “as mesmas crenças religiosas e os mesmos valores morais” da cristandade. Desde os tempos do Dr. Oliveira Salazar que não se via tão bela caracterização do sexo dito frágil. Por isso é preciso desde o início do texto perceber que ele se encontra embebido em beatice. João Miguel Tavares intuiu bem esse lastro beato e saiu a terreiro em defesa da Santa Madre Igreja. Mas a verdade é que a história da igreja não tem nada de inclusivo e foi uma das principais razões – responsabilidades partilhadas com qualquer religião do livro – que relegou grupos inteiros para o estatuto de sub-humanidade. E aí contam-se mulheres, negros, ciganos. Não é preciso ser nazi para participar desta raiva estigmatizadora – basta ser radicalmente beato. Até os nazis, hostilizando, e matando, negros e ciganos, divinizavam a mulher com qualquer coisa de latência dos cultos pagãos e das lendas teutónicas.

E depois o racismo. Trata-se de facto de um texto que não mede as palavras. Prima facie, no universo alucinado dos conservadores alt-right do Portugal dos pequeninos, uma tal atitude seria motivo de celebração e rasgados encómios. Afinal a senhora, contra a polícia do pensamento acantonada no politicamente correcto, não fez mais do que expressar a sua opinião. Viva a liberdade de expressão!

O problema é que a senhora só diz merda. E mais grave ainda, merda toda ela filtrada por preconceitos básicos, indignos de uma académica que tem obrigação de ter um pensamento crítico mais afinado do que um bêbado numa taberna. Podem bem dizer que o ódio aos ciganos é ilógico – como diz Daniel Oliveira – porque eles são na maioria cristãos. Mas não é isso que a dinausárica Fátima exprime; é justamente a consabida raiva beata ao evangelismo dos ciganos. Por isso, nem o seu cristianismo os absolve de tão cruel labéu como o de desordeiros, inassimiláveis, destruidores de lares.

Dos negros – há toda uma história para ser ponderada e estudada sobre o trauma trazido de África com a perda do império. Uma parte odeia os negros, expressa-o com um racismo sibilino soprado entre dentes no seio das famílias e em contextos natalícios. Outra parte teme os negros e a sua reivindicação pela visibilidade. Seja como for os dois lados de uma moeda pós-imperial encontram-se na efabulação que fazem dos negros. É claro que o lado para o qual notoriamente pende a velha senhora é bem mais tenebroso. Mas nele podemos encontrar os temas essenciais do retornado em gestação que mora em cada um dos africanistas da geração da senhora. Os negros são muito mais racistas! E veja-se nem com os ciganos se conseguem dar bem! E uma tal demonstração da ética do cuidado vindo da parte de quem tinha acabado de arraiar forte e feio nos ciganos.

Não fica por aqui. A entrada de negros no parlamento pelo sistema de quotas a que alude Pena Pires seria catastrófico para a qualidade parlamentar. Um tal raciocínio é plasmado do parlamentarismo do século XIX e das posições dos políticos de então justamente… em relação às mulheres! Mas há que explicar qualquer coisa de simples sobre o que é um sistema de quotas à querida Fátima. Assim como não significou para as mulheres ir buscar a mais burra dentre elas para substituir o mais inteligente dos homens, também não significaria relativamente a uma quota para negros. O sistema é relativamente fácil: entre duas pessoas em condições semelhantes, escolhe-se aquela que pertence ao grupo que é tradicional e historicamente preterido. Donde, não se trata de trocar o sobrinho da Fátima que anda na Católica em gestão pelo filho do negro da construção civil que trabalha no Macdonalds. Trata-se de equilibrar a balança da distribuição social precisamente para que não haja somente negros na construção civil e no MacDonalds.

DEMS para o povo!

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O exagerado número de candidatos à liderança do partido democrata norteamericano é sinal de clarificação ou de desnorte? Inclino-me para a segunda hipótese. Nunca a convenção democrática viu tantos – e tão obscuros – candidatos. Nunca as questões triviais que os norteamericanos têm por adquirido foram tão convulsionadas. E creio bem que nunca os candidatos foram tão escrutinados pela comunicação social. Veja-se por exemplo o escândalo (na realidade mais um burburinho) que visou Kamala Harris. A candidata negra que se posicionava nas sondagens como sendo a mais provável a ser eleita, teve um deslize ao afirmar que ouvia Tupac quando andava na universidade. A FOX, criteriosa em assuntos de política, logo denunciou o anacronismo: como podia Kamala ouvir Tupac na universidade se ele ainda não existia enquanto cantor? Escândalo! A candidata estava a mentir! Mas pior do que o bruá que se levantou em torno de tal minudência, foi a forma como Kamala se justificou. Ao invés de dizer, Ok, no big deal, fiz confusão… – deu uma entrevista em que falava de Tupac como o seu herói. O problema é que o que dizia parecia directamente saído da wikipedia e não possuía qualquer ligação afectiva. Kamala não apenas estava a mentir como a apelar, através do seu amor por Tupac, a uma geração de negros que com ele se revê.

Mas qual é a diferença com Trump então? Trump mente descaradamente. Kamala mentiu num trejeito de pandering for the black constituency. São iguais? De todo – Trump mente e nem tenta dizer que não mentiu. Kamala mentiu e embrulhou-se em desculpas preparadas para passar a mensagem que estava a dizer a verdade. A diferença? Há uma autenticidade, por paradoxal que seja, na mentira de Trump; há uma falsificação na mentira de Kamala.

Fora este fait divers, que mostra que as linguagens da política não se instalam no campo da verdade argumentativa, mas antes no da retórica marketizada, a sanha dos candidatos na competição pelo podium do mais igualitário e redistribuidor tem marcado os debates dos democratas.

Na minha opinião a estratégia democrática incorre num erro de perspectiva. Os seus candidatos estão convencidos que os norteamericanos querem igualdade. O problema é que não se questionam sobre o que realmente significa igualdade nas nossas sociedades actuais. O exemplo da Grécia é flagrante. Depois de um esforço hercúleo para que pela primeira vez ganhasse um governo de esquerda com uma agenda economicamente progressiva, os gregos, que sempre negaram uma maioria absoluta ao Syriza, oferecem-na agora à direita conservadora da Nova Democracia. Acho que é possível retirar algumas ilações desta debacle da esquerda. Primeiro, temos que recusar o “circulo de giz caucasiano” em que a esquerda sempre fecha a interpretação das suas derrotas. Sem surpresa, a reacção é: não se fez o suficiente! O partido, na realidade, traiu as legítimas aspirações do eleitorado!

Algo disto perpassa na campanha democrática nos Estados Unidos. Há uma reacção segundo a qual a era Obama não foi suficientemente longe. Ela está nas palavras de Bernie Sanders, de Ocasio Cortez (que não sendo candidata tem uma presença fortíssima na comunicação social) de Beto O’Rourke, de Kamala Harris e até de Bill di Blasio. O que todos estes candidatos propõe é um aprofundamento da capacidade redistributiva do Estado. Algo que será designado até à exaustão pelos republicanos, de socialismo. É óbvio que não se trata de socialismo; embora a retórica inflamada de um Sanders possa até conter algumas das suas intonações. Facto é que os democratas estão mais à esquerda do que alguma vez me recordo. Nem com Obama; e seguramente, com Clinton, uma frente de esquerda tão aguerrida surgiu no firmamento liberal norteamericano. O problema é que a ideologia do sonho americano e o seu lastro traumático está longe de estar resolvida. De que se trata? Esta ideologia encantatória prediz que se trabalharmos muito, nos esforçarmos e formos muito empreendedores o sucesso é garantido. Ela prediz que o sucesso é o fio de prumo da igualdade – não que a igualdade é a condição de justiça do viver em comum. Ou seja, todos podemos alcançar o sucesso e nesse sentido todos estamos em condições igualitárias de o fazer. Se não ocorre, a culpa é do próprio.

Esta internalização da culpa do falhanço tem efeitos directos na dignidade individual. A forma como as pessoas são dignas ou deixam de ser dignas tem pouco a ver com o seu estatuto moral. Prende-se sobretudo a esta estrutura psíquica do sucesso. É por isso que Trump pode ser admirado independentemente de ser um estadista repugnante.

Significa que o quadro ético que envolvia a noção de igualdade liberal se quebrou. A igualdade não é mais percepcionada da maneira como queriam os liberais, i.e., igualdade de direitos num quadro de liberdade. A igualdade burguesa, imbuída do espírito de pertença a uma cidadania, não é mais operativa, ou tão-pouco celebrada. O manto que cobria esta mentira, retirado por Marx há praticamente dois séculos, não resiste mais. Mas as pessoas não podem viver de desilusão – as sour grapes não podem ser tudo aquilo que existe no horizonte de sentido dos indivíduos e que lhes é permitido ambicionar. Uma outra ilusão veio substituir o encómio dos direitos iguais para todos. A igualdade através do dinheiro. Se tens dinheiro, és igual, porque podes obter os mesmos produtos e consumir ao mesmo nível, reza este novo credo. Logo, o que tens que fazer, pelo o que tens que lutar, é pela obtenção de dinheiro. Porém, como o dinheiro se concebe como um jogo de soma nula – para alguém ganhar alguém tem que o perder – este é um equilíbrio que nunca pode ser atingido como era a abstracção dos direitos iguais para todo e qualquer um. É certo que o dinheiro foi pensado como a medida objectivável por excelência, designadamente por Simmel, o homem que forneceu a cartilha para a teoria da racionalização da escola de Frankfurt (com Weber). Creio contudo que Simmel percebeu mal a natureza da sociedade de consumo, e que o dinheiro é porventura o maior investidor de emoções e afectividades de que há conhecimento. Isto pela simples razão que é ele que liga qualquer intenção a um afecto, ele constitui o único e actual mediador entre a vontade e o gozo efectivo traduzido em emotividade.

Dito isto, os padrões de compreensão dos indivíduos actuais sobre a questão da igualdade não coincidem com a ideia genérica da esquerda segundo a qual a justiça encontra-se numa maior redistribuição. Aliás, o sonho americano, como bem documentou Norbert Bellah no Habits of the heart, reveste-se de ambiguidades inextirpáveis; sobretudo, o seu individualismo cavalgante e esmagador, que Bellah incita-nos a rejeitar para bem do nosso regresso ao seio ancestral da comunidade. Algo deste pensamento liberal de esquerda sobreviveu e é agora reactivado pelos candidatos democratas. A lógica de que estamos melhor em comunhão com os outros no que numa corrida solitária contra todos marca o discurso de pendor comunitarista destes candidatos. Mas para quem falam? Decerto não para um público cuja escala cultural de valores associa a dignidade da pessoa ao ter dinheiro. O valor moral da pessoa não é mais distinguível das suas posses, algo com que a teologia católica sempre batalhou, mas que a doutrina protestante baralhou os termos.

É preciso ter presente que isto não sendo propriamente novo – afinal sempre o estatuto dignificou o seu detentor – assumiu novas modalidades, nomeadamente a deslocação desse mesmo estatuto da sua rigidez estratificada para a ilusão de que qualquer um pode dele usufruir. A sociedade de consumo destrói o planeta porque associou o valor intrínseco da pessoa à sua capacidade de aquisição. Os nossos julgamentos quotidianos, e ipso facto, as nossas auto-imagens, prendem-se com o poder aquisitivo. Numa tal economia do valor moral, a noção de redistribuição, de um mínimo para o máximo de pessoas, emerge como ruído, como provocação, como cataclismo expectante…

Os gregos que votaram Nova Democracia estão piamente convictos na eficácia (ou na realidade!) do sonho americano e que este pode ser transplantado para as praias da Hélada. Este é o problema da esquerda: como desmobilizar o sonho americano quando este se tornou o único mapa ideológico onde enquadrar os grandes dramas e ambições da vida?