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Os anjos sem sexo

Agosto 29, 2018

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O mais interessante nos comentários sobre a tragédia da pedofilia na Igreja Católica é estes incidirem sobretudo na questão do celibato. Vários, geralmente católicos, perguntam-se se o celibato não é a origem de todos os males.

O celibato não explica a pedofilia homossexual. E não vale a pena equacionar, como a facção conservadora procura afanosamente, pedofilia e homossexualidade. Para esta facção há uma rede homossexual que corrompe a igreja, como diria o cardeal Vigano. Uma tal afirmação traz reminiscências da ideia de um qualquer loby gay. Para Vigano o problema está na transformação da instituição igreja num lugar de acoitamento para homossexuais. Como se a relação fosse a inversa daquela que pareceria a mais escorreita, ou seja, tentar convencer-nos que o problema reside na existência de pérfidos homossexuais que procuram a igreja para praticarem os seus crimes sob a protecção do manto curial.

A causalidade deveria no entanto ser mais lógica. Seguramente seria mais provável que fossem as próprias condições de formação clerical a fomentarem a homossexualidade. Aqui, na instituição total que é o seminário, a homossexualidade é a orientação natural de uma sexualidade reprimida física e intelectualmente. Por isso ao contrário do que diz João Miguel Fernandes, e em total acordo com o observado por Pacheco Pereira, o problema não é o celibato, mas a sexualidade.

A relação problemática do catolicismo com a sexualidade é de antanho. Não é exclusivo do catolicismo, contudo. Invariavelmente, as religiões veem a sexualidade como uma força disruptiva. E como tal têm arranjado as mais diversas formas para dela se protegerem. A continência é uma constante universal do universo religioso. Mesmo que esta tenha sido sistematicamente tripudiada ao longo da sua história.

Que uma sexualidade reprimida só pode expressar-se por vias transgressivas, parece-me bastante evidente. Que a transgressão passe a ser a norma numa hierarquia que não parece querer obviar o problema dando-lhe um espaço de expressão, parece-me a consequência necessária.

Daí que a fantástica reacção da igreja, ora apelando para os benefícios da psiquiatria ora patologizando a homossexualidade dos curas, encobre aquilo que se afigura ser do conhecimento geral dentro da instituição igreja. Em certa medida devemos inclusivamente admitir a hipótese de a própria igreja se reconhecer internamente como uma organização homossexual, ou seja, onde a homossexualidade seria o padrão e não o inesperado perturbador. Imagine-se, por hipótese, que as regras de socialização nos seminários passam por práticas homossexuais.  Seria assim tão estranho conceber uma instituição onde os jovens se encontram sem contacto com o sexo feminino, em regime de internato, e onde as pulsões sexuais só dificilmente são controladas pela disciplina e expiação? E uma tal instituição que se organizaria segundo padrões homossexuais não seria provável que os reproduzisse nas suas paróquias, igrejas, lugares de culto e hierarquia superior? E uma tal reprodução não seria vista como a norma e simultaneamente o segredo mais importante de ser protegido? Se todos estes jovens são socializados segundo práticas homossexuais, como irão no decorrer das suas vidas dar vazão aos seus desejos e pulsões naturais? Pois a pedofilia parece ser a única prática que assegura a satisfação do desejo e a manutenção do segredo. Até que deixou de assegurar…

Não seria assim tão espantoso se acabando com o celibato na igreja católica as orientações sexuais continuassem a ser homossexuais.

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