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Sheik mate

Junho 15, 2018

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Ontem tivemos uma primeira aproximação ao que é um mundial de futebol na era de Putin. Quer dizer, na era da máxima corrupção, autoritarismo político e falta de transparência nos processos decisórios. Essa era, a qual se tem expandido pelas grandes potências, atingindo actualmente Rússia, Estados Unidos, China, Turquia, entre outros players menores, teria que infundir o seu cunho no futebol. Ou não fosse este a maior manifestação de massas em todo o planeta.

Por isso o jogo que colocou a selecção Russa contra a da Arábia Saudita foi, à maneira de Putin, um jogo para afirmar taxativamente a superioridade da grande nação russa. Colocar, como pontapé de saída, a selecção anfitriã contra a mais fraca selecção do mundial de 2018 parece-me menos uma coincidência e mais uma vontade bem orquestrada. Os 5 a 0 infligidos à Arábia Saudita não são um resultado de abertura de um mundial de futebol, são um massacre digno de um cossaco a exterminar chechenos. E a forma atabalhoada como a Arábia Saudita praticou o seu futebol, questiona a razão pela qual foi sequer seleccionada para fazer parte da competição. Em rigor, esta não foi a Arábia Saudita que ganhou ao Japão! Por conseguinte, o jogo também teve aquele travo a coisa preparada nos bastidores, como os jogos entre Porto e Sporting esta época – um arrastar de bola a meio-campo que não leva a lado nenhum e que deixa a equipa particularmente vulnerável a qualquer saída rápida do adversário. Incompetência? Alguma certamente. Mas caramba a equipa foi apurada tendo passado por provas mais complicadas! Aquele estilo de jogo é um jogo mastigado; um jogo que noutra modalidade seria tido em conta como anti-jogo. E essa é a táctica dos jogos combinados.

Quantos negócios terão pendido para os sheiks sauditas por parte dos oligarcas russos só para nos brindarem com esta abertura do mundial? Imagino que muitos. E os russos lá viram as suas cores ficarem mais encarniçadas, a grande nação russa demonstrar que até no futebol é temível, a populaça sofrer um influxo de nacionalismo atávico, e etc.

Com os cinco a zero, a Rússia coloca-se praticamente nos oitavos de final. Mesmo que perca contra o Uruguai – é pouco provável que não ganhe ao Egipto – o goal average garante-lhe a passagem em primeiro do grupo. Num mundial onde não figuram os Estados Unidos – e com justiça – quem é que o urso russo não pode comprar?

A imagem que fica é a de Infantino ladeado por Putin e pelo filho do rei Salman. Putin com uma expressão no rosto como que a dizer – É inevitável. Infantino genuinamente contente com a maneira como as coisas estão a correr. E o filho do rei comentando qualquer coisa que provavelmente seriam os biliões que iria recolher no final.  É, sem dúvida, um mundial à medida de Putin e da Rússia dos oligarcas.

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