Saltar para o conteúdo

O nosso homem em Alvalade

Junho 7, 2018

É ternurenta a carta aberta de Daniel Oliveira a Bruno de Carvalho. Ternurenta indeed.

O homem cujo consulado principiou pelo roubo vil do treinador do clube rival, num processo limpo e transparente, que deixou bem patente quem era BC e, já agora, Jorge Jesus. Depois seguiram-se quezílias e insultos quase todos dias, como o soprar de fumo para a cara do presidente do Arouca. Acto cobarde, desde logo porque teve a intervenção pronta dos seus lacaios, caso contrário teria levado uns tabefes do outro. Esta imagem ocupou horas de televisão, e marca indelevelmente o carácter de Bruno. E no entanto vários senadores do sporting disseram “é fumo, e não interessa para nada”. O problema é que, como diz o povo, onde há fumo há fogo.

Sem dúvida que BC fez muito pelo sporting; e os sportinguistas devem-lhe estar agradecidos pelo mérito, polidez, sageza e sucesso da sua gestão. Tudo marcas que podemos reconhecidamente atribuir a Bruno de Carvalho. Sempre foi um homem pacato e ponderado – nunca truculento, intriguista ou simplesmente ordinário. Olha-se para BC, para as suas reiteradas aparições em conferências de imprensa, e é impossível não atestar que ali está um líder de estatura, um homem probo, um exemplo para crianças e adultos.

Que aconteceu então? Parece que este homem, esta mirífica figura que apenas existia na cabeça dos sportinguistas quando estavam a ganhar, desapareceu, e com ele as vitórias. Ou terá sido o contrário? Terão sido primeiro as vitórias a desaparecerem e depois o homem imaginário? A cabeça dos sportinguistas é estranha e a sua leitura da realidade ainda mais. Uma coisa é certa: o homem assim como descrito atrás nunca existiu. Muito pelo contrário: o verdadeiro Bruno de Carvalho sempre exibiu o que de pior a natureza humana tem. Por isso, devemos concluir que pessoas como Daniel Oliveira, Eduardo Barroso, etc, gostavam genuinamente daquilo.  Assim como o sapateiro ou o médico dentista gostavam genuinamente de Hitler, mesmo tendo conhecimento dos campos e das desgraças que se passavam na frente russa (bem sei a comparação é ofensiva e no limiar do aceitável, mas parece-me objectivamente iluminadora). Por conseguinte, os sportinguistas e os ainda não sportingados fizeram um pacto com o diabo; só que, contrariamente ao diabo faustiano de Goethe, os sportinguistas querem atirar o seu mefisto borda fora. E está bem. Porque uma coisa é agitar as grandes glórias do passado sportinguista, recriá-las, insuflá-las com retórica e ideologia, mentira também; e outra coisa é egomaniacamente sugar os recursos ao sporting, simbólicos, posicionais, de estatuto, e o que mais for possível.

Mas aquilo não é só o labrosta Bruno de Carvalho – é toda uma direcção que mais parece uma conspiração de estúpidos. Senão ouça-se Fernando Correia na conferência de imprensa de BC do dia 6/06 e os seus exemplos idiotas de não isenção do conselho fiscal. Fernando Correia, contentinho que estava com a manobra, leu em voz alta excertos dos membros desse conselho que descreviam muitos dos aspectos do comportamento de BC que efectivamente denegriram o clube. Aquela gente é tão estúpida que enquanto Fernando Correia emitia a sua catalinária, qualquer ouvinte concordaria sem margem para dúvidas que ali estava uma representação certeira de BC. Isenção, na acepção de Fernando Correia e da direcção do sporting é só e apenas quando se tecem loas ao seu presidente; quando em manifesta glorificação se elogia o grande líder. Porque se a intenção for crítica, é esta prontamente arrolada a falta de isenção.

Mas repito: isto sempre lá esteve desde que o sporting elegeu com gáudio o grande timoneiro Bruno de Carvalho. Não é novo. Foi o timbre desta direcção, e nunca mas nunca fugiu à regra das atitudes e comportamentos do presidente.

Os gregos categorizavam a tirania como um sistema político entre outros. Tirania era uma forma de soberania em que as questões que esta envolvia estavam todas subordinadas a um só princípio ou pessoa; donde, esse princípio ou pessoa tiranizar a vida da comunidade. BC não chega a ser um tirano. Há um termo que melhor se aplica, algo apoucador, mas que colhe bem na língua e tradição portuguesa: tiranete. Bruno é um tiranete. E as pessoas que o rodeiam, uns lambe-botas do tiranete. Porém, e nisso tem Bruno inteira razão, um tiranete legitimado pelos sportinguistas.  Estou em crer que certamente entre as vozes que agora se levantam pedindo a demissão estarão muitos dos 90% que votaram as alterações de estatutos que permitem a BC fazer o que hoje faz. Aquela gente gostava daquilo. Mesmo quando era patente que ele não deveria ter sido plebiscitado como foi.

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: