“Coming outs” políticos

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O coming out do vice-presidente do CDS não é o mais surpreendente da história recente deste partido. O mais insólito é como puderam os democratas-cristãos conviver com um presidente homossexual durante mais de 18! anos sem este nunca ter assumido que o era. Estaríamos no entanto enganados se pensássemos que o coming out de Mesquita Nunes é algo pacífico no seio do cds, um partido com pergaminhos católicos impecáveis. Não creio que seja. Aliás, Paulo Portas teve que lidar com essa ambiguidade grande parte do seu mandato. O facto de se deslocar com uma senhora simpática durante as típicas arruadas que tanto o caracterizaram, mostrava uma genuína preocupação com a imagem do chefe do CDS. Era no entanto um segredo de polichinelo; como seria também a orientação sexual de Mesquita Nunes entre os eleitores da Covilhã. As pessoas sabiam, já para não falar quem por perto do parlamento andava, que Portas tinha uma relação complicada com a heteronormatividade. Mas ao contrário do agora vice-presidente do CDS, optou por escorraçar esse lado mais cinzento da sua vida para uma zona obscura e não comentada. Mas isto não quer dizer que ela não tenha apresentado os sintomas de uma zona traumática no seio do CDS. Tal conflito, ou ambiguidade, está bem patente nas reacções de ribeiro e castro ao coming out de Graça Fonseca do PS… com um paralelo silêncio em relação ao seu vice-presidente.

Por exemplo, no site da alt right portuguesa – o blasfémias -, o momento da revelação não foi propriamente brindado com entusiasmo e fervor partidário. Pelo contrário, foi mencionado em pé-de-página num post de chuta para canto, como a dizer, isso é coisa que nem interessa discutir. Porém, interessa e muito. Porque é preciso perceber se partidos como o CDS acolhem as orientações de alguns dos seus membros porque tem que ser, porque não há nada a fazer, ou se estas confrontações espelham de facto o alargamento dos entendimentos relativos ao modelo de família, e em última análise, de identidade, que o partido consegue conciliar com a sua doutrina. Melhor dizendo, se tais aceitações significam abertura nos paradigmas da vida em sociedade que toda a doutrina política encerra – umas vezes de forma mais implícita outras mais explicitamente.

No CDS parece-me que uma tal observação é particularmente pertinente. Desde logo, porque as concepções que o CDS tem de família, de vida, de parentalidade e de conjugalidade são muito específicas e ideologicamente interpeláveis. Cristas, por exemplo, é aguerridamente contra a interrupção voluntária da gravidez (vulgo, aborto), mas parece ser mais consentânea em relação à homossexualidade. Estas coisas não são fortuitas, e respondem, de forma mais ou menos absoluta, à matriz católica do CDS. Matriz que não apenas caracteriza as idiossincrasias dos seus membros, mas que faz parte do património político do partido. É por definição um partido democrata-cristão, onde, em corolário, os valores católicos devem ser afirmados. Claro está que a complexidade das vidas reais colide facilmente com interpretações demasiado dogmáticas das matrizes políticas e ideológicas. É o caso de Mesquita Nunes. As organizações sociais não são impermeáveis aos desenvolvimentos que ocorrem no seu exterior. Por isso seria interessante perceber qual o real impacto que um tal coming out produziu na pragmática e doutrina do partido CDS. Bem para além de discursos insípidos sobre a grandeza do gesto ou sobre a coragem do mesmo.

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Raposo e a mulher objectificada

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Sacando um coelho da cartola, Henrique Raposo mistura a afirmação de um artigo de Jenny Hendrix no TLS, que alerta para que não se confunda  emancipação com objectificação, com uma crítica à revolução sexual! Mas onde vai ele buscar estas ideias?

Nos últimos textos sobre a sexualidade contemporânea, Raposo envereda por caminhos a que já nos foi habituando. Opta por admitir o sexo como uma lição de ética. Neste caso as ressonâncias com o puritanismo liberal conservador, com as suas cargas religiosas, são óbvias. Sexo sim: mas com mensagem – parece querer dizer, numa emulação demasiado perfeita do velho sexo sim, mas reprodutivo. As análises de Raposo sobre o fenómeno assédio sexual mostram em que águas turvas navegamos quando se trata do fenómeno metoo#. Por exemplo, uma cena gratuita de sexo seria condenável quanto ao seu aspecto moral. Por isso, a ser aceitável, o sexo tem que prometer mais qualquer coisa para além do seu acto.

O que estas posturas parecem querer enterrar no pântano lógico é que o sexo faz parte da vida. O que escandaliza tanto as mulheres do metoo# – que os homens aproveitem as suas posições de poder para terem sexo – foi durante séculos a verdadeira definição da organização social da sexualidade. Segundo este modelo, uma mulher usar os seus atributos para ganhar benefícios noutras áreas era a definição mesma de mercado matrimonial. É certo que as feministas desconstruíram estas e outras noções de mercado matrimonial, no pressuposto que a metáfora aderia demasiado à realidade de uma mulher enquanto mercadoria. Todavia – e isto é que é fantástico -, enquanto a histeria puritana do metoo# lavra por campos insuspeitos (ou tendo sempre por alvo os suspeitos do costume!) a mulher vendável entra-nos pelos olhos adentro em qualquer reality show em que encerrem vinte jovens numa casa obrigando-os a interagir. Este é um paradoxo a exigir teorização. E é a isto que Hendrix se refere quando fala de objectificação da mulher. Raposo consegue fazer o pleno ao aludir à revolução sexual dos 60 enquanto factor explicativo quando todo o artigo é sobre o boom económico dos 90, ou seja, a emergência voraz do neoliberalismo norte-americano enquanto desencadeador da sexualização do mundo. Talk about intelectual dishonesty. Como não me parece que a omissão de Raposo se deva à incompreensão da peça, só pode ser levada à conta de má-fé interpretativa. Mas isto é um jogo a que a direita conservadora recorre constantemente.

À mulher objectificada, opõe o metoo# uma mulher inacessível, ou só acessível nos seus termos. O que é estranho. Porque sendo a relação a dois, os termos teriam, pelo menos expectavelmente, uma margem de negociação. No feminismo de quarta via, as mulheres recuperam a sua identidade de mulheres e defendem-na com unhas e dentes. Longe vão os tempos do género como construção social, da bricolage com as características sexuais, que quando libertas de restrições morais e regulamentares não se fixam em nenhuma identidade duradoura. O metoo# vira a mesa de pernas para o ar. Não se brinca mais aos lugares intercambiáveis.  As mulheres encontram-se inamovíveis na sua localização social de mulher… e curiosamente esta confunde-se facilmente com a de vítima. Por isso, o discurso de Raposo, ao pegar na cauda conservadora do metoo# enaltece sobretudo a vitimologia em que este discurso se acantonou. De tal forma que termos pesados como violação são agora intercambiáveis com assédio ou comportamento abusivo. Bill Clinton pode ser acusado da violação de inúmeras mulheres sem entendermos que actos realmente foram praticados. Se a violação tem o sentido de estupro então envolve de facto (e de juri) actos violentos sobre a mulher contra a sua vontade, e é um crime. Mas em nenhum dos depoimentos tal comportamento assoma sequer. Daí que estimamos, como em outras semânticas tornadas casuísticas pelo processo histórico, que violação esteja a ser aproveitada enquanto um significado flutuante. E este por seu turno preenche-se com intenções políticas consoante a estratégia de quem o refere. Passamos do corpo performativo de Buttler, para a vítima desempenhada. Aqui parece inverter-se a máxima de de Beauvoir segundo a qual “não se nasce mulher, tornamo-nos mulher” para, parafraseando, não nos tornamos vítimas, nascemos vítimas.

É ainda nesta versão distorcida da sexualidade que Raposo insiste nos malefícios da revolução sexual. O argumento conservador é tão batido que dá pena. Funciona como um ersatz para qualquer explicação de algo que esteja, nesta perspectiva, mal no mundo. E neste sentido, é como assacar as culpas de todos os males da humanidade ao politicamente correcto, sem nunca se perceber bem o que é afinal o politicamente correcto. Da mesma forma, ninguém entende muito bem o que seja a revolução sexual, quais os seus impactos e como, se de alguma forma, perdurou? É que ao mesmo tempo que os suecos difundiam as saunas mistas, combatia-se pelas independências no tardio império português. Ou seja, devemos ter cuidado com a hiperbolização da revolução sexual enquanto acontecimento localizado. Mas o pânico do sexo que todo o bom conservador mostra ter (pânico sempre hipócrita, como a história nunca nos cansa de mostrar) representa a revolução sexual como algo que contagiou, pior, inoculou as mais recônditas esferas da psique e do socius.

É certo que subjacente à crítica da revolução sexual encontra-se a crítica ao relativismo. Na realidade, o que coloca o bom conservador de sobreaviso e com um pânico cultural imediato é o relativismo. Da cultura e da ciência ao sexo vai um pulinho, segundo esta estrada. O relativismo parece assim ser um Moloch descontrolado, que tudo destrói e tudo ameaça. Mas tal como com o politicamente correcto ninguém percebe bem qual o peso que tal bicho possa ter na vida real e quotidiana das pessoas, e não nas elucubrações nocturnas dos conservadores. Os dois fenómenos, relativismo e sexualidade amoral são sistematicamente associados, por esta leitura caricata, aos desmandos do Maio de 68. Importa no entanto notar duas coisas.

Primeiro, o Maio de 68 era sobre o poder, e, em última análise, contra o poder. Que a sexualidade fosse vista como uma das linguagens possíveis de resistência decorre da visão do poder enquanto repressão, e esta age primeiro que tudo sobre os corpos. Segundo aspecto, o metoo# é sobre poder, mas não articula um discurso contra o poder, mas sim sobre a sexualidade, em última análise sobre a sua perversidade. A limitação do discurso do metoo# e a impossibilidade de criar articulações verdadeiramente radicais fica bem espelhada na circunscrição do assédio ao sexo. Outra coisa seria se falássemos de assédio como categoria moral que extravasa o sexo. Assédio no emprego imposto por chefes a subordinados, por coacção, por tratamento desumano, por arrogância e exigência de submissão. São tudo categorias possíveis. Mas o metoo# fica confortavelmente acantonado no assédio sexual. E assim fazendo exclui da sua consideração a questão do poder. Daí que a linha traçada entre o terrível Maio de 68 não apenas é historicamente desprovida de sentido, como teoricamente desadequada. Apenas interessa para legitimar a versão conservadora da crítica à sexualidade.

E para fugir a um tal relativismo que supostamente baixou sobre as coisas da carne como uma doença, Raposo não faz mais do que equivaler o sexo ao mal – “Como disse aqui na sexta feira, o mal é para mostrar com secura.” (sic). (e veja-se como a dois artigos sobre a sexualidade feminina sucede um artigo sobre o “mal” – haveria muito para psicanalisar nesta associação). O que nem contradiz a moral católica que sempre viu o sexo como perdição. A queda liga-se inextricavelmente à nudez e ao conhecimento do corpo enquanto carne. E o mal, claro está, sempre foi equacionado na sua estranha relação com a visibilidade.  Ainda hoje se noticiou que o cardeal patriarca exortou os fiéis à abstinência, como se a marca da relação sexual contivesse em si mesma uma pegada (no sentido do adn) moral.

Lacrau libertino

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Se é verdade que o Sporting há muito não dá campeonatos aos seus sócios e aficionados, não deixa no entanto de oferecer momentos de excepcionalidade hilariante (ou depressiva, conforme o ângulo que se escolha) protagonizados pelo seu presidente Bruno de Carvalho.

O discurso de Bruno no palanque televisivo nacional deixou com certeza muito boa gente boquiaberta tamanha a dimensão da boçalidade e do “carroceirismo”. Se ainda houvesse dúvidas, fica de uma vez por todas explicada a razão de uma empatia tão gigantesca e sólida entre Bruno e Jorge Jesus: são os dois umas abéculas. Todavia, uma das abéculas é mais perigosa do que a outra e possui os tiques daquilo que poderíamos designar por trumpismo. É claro que a comparação não pode ser tomada muito à letra. Desde logo porque se um possui os códigos que permitem destruir a terra mais de trezentas vezes, o outro só possui o segredo de como enterrar o Sporting no ridículo.

Quanto à comparação com Trump já lá iremos. Antes de mais é preciso dizer que Bruno é o típico queque que quer parecer muito mau, muito ordinário, ainda mais ordinário do que a malta da reboleira (da antiga, porque na nova já só acampam milenials e classes simbólicas); o homem que parece saído de um romance da Margarido Rebelo Pinto que diz caralhadas enquanto agita os berloques dos sapatos. E tudo isso estaria muito bem, não se desse o caso de Bruno ter falado no horário nobre de quase todas as televisões com difusão nacional. Bruno, não sei se por manifesta inconsciência ou por pura demência, deu um triste espectáculo por pensar que estava a falar lá para a casa dele, ou seja, o Sporting.

A boçalidade de Bruno de Carvalho é inenarrável. Desde trocadilhos com o olho do cu, passando pela boutade de que para ele tanto lhe fazia o método de Hondt ou o de La Palice, até opor liberdade a libertinagem (quereria dizer anarquia?) – de tudo isto nos serviu. Pelo menos eu tenho um presidente, que não primando pela sua genialidade intelectual, leva um papel bem escrito, revisto e corrigido, e bota discurso consoante o que está na pauta. Bruno de Carvalho achou que era um génio do improviso e provou que o Sporting está entregue a um boçal caprichoso. Mas não se enganem. Bruno é o sintoma de outra coisa qualquer; e é essa coisa que quero designar por trumpismo.

Salvaguardando as distâncias e a escala, os comportamentos de ambos são indiciadores de uma versão de democracia que é, para todos os efeitos, abastardada. Para ambos a democracia existe para os servir a eles e não o contrário. O princípio de que sob a alçada da democracia qualquer cidadão possui uma parte da soberania e por isso pode reclamá-la, não existe na sua concepção. Repare-se como Bruno faz uma fita porque não admite contestação interna, enquanto do outro lado do Atlântico, Trump acusa os democratas de traição porque não o aplaudiram durante o discurso da União. Escalas diferentes – princípios iguais. Comportam-se como dinastias e não como indivíduos plebiscitados. Mesmo a sistemática invocação das questões familiares tem mais a ver com os sistemas dinásticos do que com as democracias. Bruno a publicitar o nascimento da filha nos écrans gigantes de Alvalade é o exemplo acabado de uma demonstração simbólica dinástica. Também Trump, ao rodear-se da sua família, oferecendo-lhes lugares na governação trata a democracia como uma soberania de natureza dinástica.

Por outro lado, Bruno é useiro e vezeiro em insultar tudo e todos nos seus posts, utilizando as redes sociais como veículo de guerrilha. Trump usa as redes sociais para expelir ódio a qualquer pessoa ou facto que o contradiga. Bruno faz listas de pessoas que ele considera indesejáveis no Sporting e publica-as, num assomo de “bufismo” de menino queixinhas. Trump aponta a dedo e em público os seus ódios de estimação dentro do jornalismo e da comunicação em geral. Bruno constrói em torno da sua pessoa um discurso de predestinação sobre o seu comando do Sporting. Trump julga-se predestinado para ser o melhor presidente de sempre dos Estados Unidos. E finalmente, Bruno tem um total desrespeito pelos seus predecessores, como se o Sporting tivesse começado com ele. Trump faz exactamente o mesmo com a presidência dos Estados Unidos.

Repito: salvaguardando as distâncias, os tiques comportamentais são muito idênticos. Não quero engrandecer Bruno de Carvalho com a comparação; algo que certamente ele não enjeitaria. Mas simplesmente mostrar que se trata de qualquer coisa de sintomático que não está nem na pessoa Trump nem na pessoa Bruno de Carvalho. Ou melhor, está em ambos como tipos (como em tipificação) de uma gestão e expressão pública muito própria da época em que vivemos. Trata-se de uma personalização do lugar institucional que deixou de funcionar através de grandes manifestações de massa (excepto em Pyong Yang), mas cuja natureza colectiva não deixou de ser operativa. Com efeito, a dimensão da espectacularização encontra-se agora na capacidade de disseminação da mensagem e idiossincrasias do líder. Também nisso Bruno segue uma vulgata trumpiana. Na falsa aproximação do líder à linguagem da plebe, na crítica paradoxal do elitista à elite, e na delimitação do “grupo do croquete” – como ele diria – enquanto construção do inimigo interno. Algumas coisas são intemporais. E não são tanto as ocorrências que primam pela novidade, mas o veículo dessas ocorrências. Finalmente, como Trump, o presidente do Sporting está à vontade para cuspir insultos e alimentar um discurso corrosivo (como diria o presidente da liga) sobre os adversários – aqueles que são escolhidos a dedo: leia-se o Benfica. Porém, amofina-se como uma menina a quem amarratoram o vestido de noiva quando é alvo dos mesmos processos. Há um halo de significação que une os dois momentos da personalização contemporânea figurados em Bruno e Trump.

Porém, há coisas subjacentes mais importantes. Uma delas é Bruno de Carvalho ver novamente a possibilidade de ganhar um campeonato fugir-lhe; e isto depois de um investimento sem precedentes de 70 milhões de euros. Outra, é ver-se agarrado ao treinador mais caro de sempre em Portugal que passado quatro anos não ganha nada a não ser a taça ctt. É pouco. Tem por isso razões para todo o stress e descompensação que tem mostrado ultimamente. Bruno de Carvalho faz obviamente um bluff. O que ele propôs aos sportinguistas foi a velha doutrina do “ou estão comigo ou estão contra mim” – sem concessões. A diferença é que Bruno não tem uma posição de poder que seja autónoma da sua situação actual. Ou seja, o bluff funciona no pressuposto que nenhum sportinguista quer arriscar atirar o clube para uma crise sem fim à vista (e sem presidente) quando as possibilidades de ganhar um título estão, paradoxalmente, tão perto e tão longe. Perto, porque objectivamente o sporting está a fazer a melhor campanha desde que Jesus é seu treinador. Longe, porque já pressentiram que Jesus pode repetir a façanha de ficar aquém em todas as apostas. Por ser um momento crítico para o clube, Bruno faz funcionar o seu bluff. Ao encostar os sócios à parede com as condições draconianas que impôs sabe perfeitamente que nenhum quererá ficar com o ferrete de ter desestabilizado o sporting tão perto do seu desígnio de há anos. Como Trump, quer o amor incondicional da sua prole caso contrário o seu egocentrismo excessivo deixa de ter alimento. O paradoxo é que nem Trump nem Bruno fizeram os seus lugares – são os lugares que os fazem a eles. Melhor dizendo, quando Bruno se queixa de dar tudo ao sporting, de empenhar a sua vida pelo sporting, o que ele devia dizer é que tudo extrai do sporting: a sua entrega ao clube funciona mutatis mutandis como o motor do seu engrandecimento.

Por isso, Bruno está tão interessado em demitir-se como em dar um tiro na cabeça. Se o quisesse fazer, já o tinha feito. Caso os sportinguistas tivessem juízo não se deixavam arrastar pelos delírios de um megalómano passivo-agressivo. E podia bem ser que a assembleia geral prometida fosse o tiro na cabeça que Bruno não esperava.