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De homens e ratos

Junho 27, 2017

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Provedor da misericórdia de Pedrogão Grande e candidato do PSD à Câmara de Pedrogão Grande

Em mais uma crónica de uma beleza sofística incomparável, Rui Ramos vem fazer aquilo que começa a ser gizado como estratégia da oposição PSD-CDS para as autárquicas: bater no Estado e por via indirecta no governo PS responsabilizando ambos pela tragédia de Pedrogão Grande. Segundo Rui Ramos devemos alimentar uma desconfiança permanente relativamente à possibilidade de o Estado zelar pelo nosso conforto social. Diga-se logo de início que o princípio deve ser aplicado em abstracto na medida em que Rui Ramos desconfia do Estado para tudo, excepto para o seu próprio bem-estar social, visto que é o Estado que lhe paga o ordenado. George Steiner avisava há pouco tempo sobre o asco que lhe infundiam radicais esquerdistas a viverem como nababos burgueses. Acho que o raciocínio pode ser utilizado mutatis mutandis a conservadores anti-Estado a viverem às suas custas. Os exemplos são legião.

Contudo Rui Ramos não faz mais do que seguir a partitura com que os próceres da direita foram instruídos ultimamente. Veja-se a monumental patada política (como em espanhol meter la pata) que Passos Coelho cometeu. Há muito que considero a imagem de seriedade incorrupta de Passos um verniz fácil de quebrar e cair. Ontem tivemos mais uma demonstração de revanchismo político do líder da oposição. A pressa não é boa conselheira, diz o povo. Mas a ocorrência mostra bastante do banditismo político que nos foi servido durante os quatro anos da coligação páf. O nojo dos segredinhos de comadres que podem ser auscultados nas conversetas entre o candidato PSD à Câmara de Pedrogão e o líder do seu partido. Esta politiquice rasteira caracterizou muito do período da coligação páf, e evidencia bem como a máquina política da coligação se pauta por processos pouco transparentes. Obviamente que o putativo futuro líder da Câmara de Pedrogão levou um puxão de orelhas da hierarquia partidária por ter levado Passos ao engano. A sua retratação pública exemplifica como estas estratégias de urinol têm pernas curtas. Outra coisa é o texto do El Mundo a pedir a cabeça de Costa por causa do incêndio. Como diz Bruno Nogueira, de forma muito oportuna, o nome até poderia ser Catherine Deneuve – numa alusão a Paulo Portas, para quem não estiver recordado – mas escondendo-se por detrás de um confortável pseudónimo o elemento da máquina procura fazer a nível internacional os estragos que não tem conseguido internamente. Lamento dizer mas isto é o comportamento de bichos desesperados.

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