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Such a perfect day…

Maio 8, 2017

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Foi um bom domingo. O Benfica superou uma prova crucial para a sua imparável caminhada rumo ao tetra e Macron venceu as eleições para presidente da França. A primeira, diga-se, tinha um grau de improbabilidade bem maior do que a segunda. De tal forma a vitória de Macron era previsível que apenas nos questionávamos sobre a margem com que esta iria ser conseguida. Porém, isso não nega a pesada derrota infligida a Le Pen. Bem pelo contrário, enfatiza-a, mostrando que a França mais uma vez se uniu contra a extrema-direita. E por esse facto a vitória de Macron, quando comparada com situações homólogas na Áustria e na Holanda, é de todas a mais convincente. A sua derrota seria, simetricamente, a mais catastrófica para a Europa. Mas tal não sucedeu, tal como tinham previsto as sondagens, e é razão para o regozijo comum.

Macron uniu direita e esquerda. O que coloca a extrema-direita de Le Pen como “o principal inimigo do sistema”, como ela costuma dizer. No entanto, não existe um sistema que una a direita e a esquerda, nem em França, nem em nenhum outro país. O que existe é uma aliança conveniente que se torna operativa quando o perigo da extrema-direita emerge com demasiada intensidade. O efeito retórico pretendido por Le Pen é consequente naqueles que se julgam acossados pelos males do mundo produzidos por esse suposto “sistema”. A mesma argumentação foi utilizada por Trump para derrotar Hilary. Talvez os franceses tenham aprendido que as birras da esquerda a que assistimos nos Estados Unidos ou no Brasil contra os candidatos centristas apenas serviram para colocar no poder proto-ditadores. Talvez tenham aprendido que o problema é estes não serem apenas figuras decorativas de um mal menor; eles e elas agem e mudam coisas, algumas de forma irreversível. Por isso o exercício simplista de negar o voto de confiança ao candidato do centro tem redundado em soluções bem piores. Felizmente, o eleitorado da esquerda na sua larga maioria tem-se pautado por este pragmatismo. Veja-se em França, apesar do distanciamento de Mélenchon a Macron, não lhe prestando um apoio explícito, parte muito significativa dos 12 milhões que votaram Mélenchon deram o seu apoio a Macron na frente implícita que se uniu contra Le Pen. Tudo bem então: Macron 10 – Le Pen 0!

Mas Macron representa ainda uma outra coisa. Representa muito objectivamente uma solução alternativa à solução portuguesa. Uma solução em que os centristas de direita vêem o seu campo defendido sem abdicarem das suas posições. Uma solução que empurra o PS para a direita do seu espectro político e retira-lhe a possibilidade de aproximação à esquerda. Macron é o oposto de Costa em Portugal. Macron capitalizou o voto dos descontentes com Fillon e os apparatchiks de Valls. Macron está para o PS francês como Francisco Assis para o PS português: transigir em fazer acordos com a esquerda à sua esquerda é um crime de lesa política! Por isso Macron fugiu de um PS na iminência de se esquerdizar um pouco mais (não muito, obviamente!). Por isso teve o apoio incondicional de Valls, e por isso vai aprofundar o fosso entre o centro e os partidos à sua esquerda promovendo aproximações à direita.  Macron é também o coveiro do projecto Benoit Amon, um arremedo muito mal sucedido de António Costa. Mas apesar disso é também a possibilidade de uma nova ideia para uma Europa pós-Merkel. Uma Europa com Shultz na Alemanha e Macron em França terá forçosamente que ser diferente. Porque se não for, para a próxima nada irá demolir a ascensão vertiginosa da Srª Le Pen.

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