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Futebol é dinheiro

Abril 28, 2017

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… e ninguém gosta de perder dinheiro. O feio do mundo do futebol é que se misturam pessoas verdadeiramente asquerosas com momentos belíssimos. Assim, o futebol jogado no campo é um espectáculo; aquilo que se passa fora do campo é repugnante. Pedro Proença, não se sabe se por ignorância se por consciência da impossibilidade semântica, falou em “pousar os machados de guerra”. Pousá-los é um termo escorregadio, porque enquanto enterrar é torná-los invisíveis, pouco ou nada acessíveis, pousar é tê-los ali à mão de semear, como os pistoleiros pousam as armas no tampo da mesa antes de uma partida de poker. Não sabemos se Proença brincava com os termos assumindo a indefectível obediência à realidade e aos seus meandros, que são os do futebol-nojo, ou se simplesmente não conhecia a expressão.

Entendamo-nos, o espectáculo desportivo mais belo do mundo possui no seu comando a gente mais nefasta desse mesmo mundo. É pena. Porque a nefasta condição dos seus dirigentes infesta frequentemente a espectacularidade dos executantes da bela modalidade. Apesar das intrigas serem dirimidas através dos órgãos competentes, em Portugal percebeu-se que face à fraca qualidade do campeonato o que havia a fazer era poluir as redes sociais e os media com declarações bombásticas, outras assininas, que de certa maneira substituem o espectáculo deprimente de alguns jogos. Não vale a pena invocar a estafada máxima “pane e circenses” porque ela não colhe. As estratégias de distorção usadas por comunicadores profissionais e dirigentes ou responsáveis são formas de evitar enfrentar os fracassos no domínio desportivo. Nesse sentido são estratégias manipuladoras da verdade desportiva. Por exemplo, Bruno de Carvalho desapareceria caso não tivesse o seu tempo de peixeirada e coquette arrogante do mundo do futebol, porque não tendo resultados para mostrar, o falhanço do seu mandato estaria à vista de todos. Assim não: mesmo acumulando resultados ridículos vai-se aguentando como um paladino incompreendido que navega nas turvas águas da perfídia e injustiça futebolística. O espectáculo reproduzido ad nauseam pela personagem Bruno de Carvalho não tem outro objectivo senão iludir os adeptos e aficionados do Sporting para aquilo que é a evidência de um colossal falhanço. Por isso não surpreende que Bruno invoque a imagem dos prédios e das barracas como inevitabilidade da condição do mundo do futebol. Para ele estar do lado das barracas tornou-se condição de sobrevivência.

O problema é que o futebol move demasiado dinheiro. E como em qualquer outro negócio onde as quantias transaccionadas são exorbitantes, as coisas não podem ser deixadas ao acaso. Por exemplo, os erros e deslizes dos árbitros são tantos e tão flagrantes que é difícil pensar que a aleatoriedade do acaso está a funcionar. E quanto mais alto subimos mais esses erros ganham uma dimensão inaudita. Veja-se a arbitragem de Kassai no Real Madrid – Bayern. É difícil acreditar que erros tão grosseiros tenham sido obra do acaso, do azar, da dificuldade de percepção. Parecem demasiado perfeitos, funcionais, instrumentais, e cometidos com tal perícia que dir-se-iam congeminados com suficiente antecipação. É curiosamente nos grandes árbitros que vemos erros elementares. Como por exemplo Soares Dias ter deixado passar o empurrão pelas costas escandaloso de Bruno César a Lindeloff, o mesmo Bruno César que passou o jogo a repetir a técnica.

Ver um jogo do Real ou do Barcelona é ver um tabuleiro inclinado com um árbitro numa das pontas a fazer pressão. Por isso o Porto e o Sporting não são propriamente lamechas quando se queixam da arbitragem; apenas praticam um desporto paralelo que sabem ser eficaz. Esse desporto tem por objecto a volubilidade dos árbitros que pode funcionar segundo dois registos. Por um lado, por pura e directa pressão, de forma a condicionar a actuação do árbitro. Por outro, por remuneração. Conhecemos a primeira do lavar de roupa suja sistemático e semanal. Desconhecemos a segunda porque esses são meandros que não são dados à cupidez da comunicação social. Que eles devem existir, é provado pela eficácia com que alguns jogos são manipulados. E se os montantes astronómicos que são movimentados no futebol bafejam tanta gente da estrutura dos clubes como poderiam deixar de fora um actor crucial para a manutenção e engrandecimento desta? Nem os próprios árbitros estariam tranquilos em habitar aquele espaço neutro que lhes é reservado, que os obriga a vestir um qualquer corpo de bom samaritanismo, mas que não possui equivalente em mais nenhuma posição no mundo do futebol. Seríamos ingénuos em pensar que as prebendas desse mundo passariam ao lado de uma classe que tanto poder tem sobre a sua definição. A razão pela qual não temos tecnologia no futebol – para responder ao repto de Hargraves – é que esta quebraria o pacto implícito que posiciona os árbitros num lugar interveniente na distribuição de dinheiro que, pelas regras objectivas do jogo futebol, lhes devia ser alheia.

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