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A bela do dia

Maio 14, 2016

Gradualmente regressa ao Brasil um ambiente que não se via há mais de quinze anos. Uma elite que mistura dinheiro com sexo, mulheres exibidas como mascotes, ostentação de uma casta política tão rica quanto conservadora. É um retrocesso para tempos anteriores às grandes conquistas sociais da Constituição de 88.

Michel Temer aparece ao lado da sua boneca, Marcela, e a revista Veja que reservava sempre uns belos epítetos para Dilma e Lula já a baptizou de “Grace Kelly” seguindo a dica do cabeleireiro de Marcela. Apresentada como uma “fada do lar”, Marcela rivaliza em beleza com a Miss Bumbum, “primeira-dama” do ministério do turismo como esta última se intitulou. São dois casos que mostram que um novo-velho Brasil emerge sem pudor. E nem sequer se trata de fronteiras partidárias, visto que a nova miss bumbum-primeira-dama é casada com um dos homens influentes do PT. Coisas há que no Brasil vão para além da política; são estruturais. O tempo tumultuoso por que passa a política brasileira devolveu estes “sintomas” brasileiros à ribalta da crítica e do escrutínio público. Mas como mostram bem as duas formas de retractar o mesmo fenómeno – de um lado Marcela, a princesinha de Temer, do outro a Miss bumbum, a burra e exibicionista do PT – o duplo standard faz parte da vertente cultural e moral dessa mesma estrutura. É que apesar de todas as movimentações sociais, do apelo por parte dos movimentos cívicos defensores das causas das mulheres, dos negros, dos homossexuais, a divisão social e estatutária da sociedade brasileira teima em resistir. Nas suas manifestações percebe-se o quanto ela é profunda e arreigada; o quanto ela se dissemina por instituições e costumes.

Desta faz parte o papel da mídia brasileira. Veja-se como a Veja descreve o casal Temer e Marcela “”Mar” e “Mi”, como são chamados em família.” Para uma revista cujos editoriais apodavam Lula de “anta” e outras coisas piores com que o colunista Francisco Mainardi brindava o ex-presidente todas as semanas, os berloques vistosos que dependuram nas imagens de Marcela e Temer contrastam, e não apenas pela pirosise. Os poemas do agora Presidente interino, que foram sovados pela crítica, não merecem nem um comentário depreciativo, e surgem no artigo como exemplo de enlevo romântico do casal perfeito. Vale a pena ler o artigo para se perceber o que significa uma mídia sequestrada, como tantas vezes é acusada pela esquerda brasileira.

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