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Joaninha avoa avoa

Setembro 8, 2015

Joana, militante bem disposta/Manhosa, cavaleira, enamorada/ A quem a política não dera um só desgosto/ Mas sempre fora dela mal tratada…

Ou então: “faces de leite e rosas como de querubins, outras pálidas, transparentes, diáfanas como de princesas encantadas, olhos pretos, azuis, verdes… os de Joaninha enfim… todas estas feições, confusas e indistintas mas de estremada beleza todas, lhe passavam diante da vista, e todas o enfeitiçavam.”

Seja como for Joana, a nossa Joaninha dos olhos verdes, lançou a campanha do AGIR pelos seus mais sagrados e supinos propósitos: poderem as grávidas exibirem as suas barrigas sem vergonha nem enxovalho! Se era a isto que vinha Joana, bem que podia ter ficado pelo seu anterior partido, e aí abria uma secção para mamã e criança, junto das temáticas fracturantes que por lá abundam. Mas não, quis a ventura que Joana, política destemida, seguisse o caminho de Quaresma, futebolista de ginete, e insinuasse em igual desafio a genitália desnuda, dizendo para o povoléu: mas julgue-a quem não pode experimentá-la!

Na gesta política da nossa humana gente de esquerda, os zéfiros empurram egos barrigudos, não para além da Taprobana, mais simplesmente para o empíreo dos sortudos.

Pois nem por putéfia, nem por traidora da causa feminina, nem tão-pouco por faminta pela fama eu objurgo a dama. Mais singelamente pergunto: – Quanto foi afinal a grana?

Só isso me interessa. Porque entre vender um parlamento e vender uma barriga não distam assim tantos quilómetros (éticos) para uma esquerda banhada na velha convicção da superioridade moral (dos comunistas). É que a porfia tem afinal motivo objectivo, saber se podem coexistir ideais de igualdade enquanto uns ganham largos milhares por mostrar a barriguinha em trejeito sexy e outros levam quinhentos euros a vergar a cerviz todo um mês. Porque é aqui que se encontra o busílis da questão: que sociedade justa e igualitária permite tal disparidade? Pois eu, que já me estou a cagar, tendo visto tanto esquerdista esparramar-se na hipocrisia mais delambida, digo: – Às hortas, às hortas!

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