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Má moeda

Setembro 15, 2014

O nome podia ser irónico: Carlos Moedas. Afinal, de um homem que passou pelo Goldman Sachs e que teve a sua empresa de fundos de investimentos (aquelas que cobrem os desvios para as off shores que emprestam dinheiro por baixo dos panos aos grupos espírito santo), o moedas assentava que nem ferrete, que nem scarlet letter caso a imaginação de Hawthorne fosse transferida para um sentido crítico contemporâneo e as multidões gritassem às portas de São Bento que o queriam imolar. A ironia está porém que Moeadas será, previsivelmente, o novo comissário moedas. Quis a história ironizar ainda mais um pouco, não fosse o corifeu padecer de míngua dramática, e dar de barato que o comissário moedas fosse o comissário para a ciência. Ora, as intersticiais ressemblances entre o ofício da Goldman Sachs e a investigação científica são claras e não carecem de explicação. O seu sentido operacional é similar. A sua missão no mundo é a mesma. E etc. Não. A única coisa que se assemelha é que moedas vai ter nas mãos oitenta mil milhões de euros, assim como deve ter tido nas mãos muito dinheiro em carteiras de investimento.

Marisa Matias, na antena 1, esclareceu: os novos comissários a serem empossados brevemente, são parte (a face visível diria eu) de um clube de financeiros, homens recrutados a lugares estratégicos que combinam a programática austeridade com os abismais lucros financeiros que os seus donos vão recolhendo. Por isso moedas não sai do figurino. Só que sendo compreensível, na medida da aceitação da apropriação técnica, que para a finança vá um delfim da city, mal se compreende que para a ciência e investigação vá um contabilista da Goldman Sachs. Sabemos que há uma afinidade electiva entre o Sachs e o psd; sabemos que Arnaut foi para o Sachs como recompensa; assim como outros vêm do Sachs para o governo português como estratégia. Mas que diabo, algum pudor na escolha de uma pasta que tem como bitola o Horizonte 2020, um panegírico à competitividade e concorrência científica intra e extra-Europa. Ou talvez as coisas estejam ajustadas e de qualquer maneira a pasta nunca teve a ver com melhorar as condições de vida de cientistas e da produção científica e mais com a distribuição de patentes por grupos económicos interessados.

Se assim for a má moeda que agora enviamos para a Europa estará de acordo com o que se pretende. Não servirá a ciência é certo. Mas ambiciona-se que dê muito dinheiro a ganhar aos grupos económicos que dela se servem.

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