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O factor F

Junho 18, 2014

Não nutro uma admiração esfuziante pelos comentários futebolísticos de Rui Santos, na medida em que considero que é frequente vê-lo a desfiar banalidades quando comparadas, por exemplo, com o saber enciclopédico-táctico de um Joaquim Rita (o que não é demérito de R. Santos, apenas brilhantismo de Rita). Mas devo dizer que ontem Rui Santos no seu comentário televisivo me impressionou pelos tomates que arvorou, dizendo aquilo que os barões televisivos do futebol guardam ciosamente para discutirem entre whiskys e assinaturas de contratos chorudos com as produtoras de programas e respectivas estações. Por esta altura, Rui Santos corre perigo de morte. Depois do que disse de Pepe, Bruno Alves, e ai jesus, Ronaldo, não me admira que um escol de capangas do Bairro do Alemão venha a caminho de Portugal para lhe partir as pernas. Rui Santos não apenas disse que Portugal não jogou nada, como referiu o Factor F, leia-se o factor físico e as suas debilidades. Quanto a ele, o estágio em campinas não preparou os jogadores para o tipo de clima que viriam a apanhar na Bahia, e pior se antevê quando jogarem em Manaus. Mas utilizo a deixa para me apropriar do factor F reconfigurando-o em factor foda. E junto-me a Rui Santos dizendo que tudo aquilo me pareceu uma grandessíssima foda, emulando o desabafo tipicamente brasileiro: Isso é foda!

Que Rui Santos não utilizou tal vernáculo, escusado será dizer. O formato televisivo não o permite. Porém, a substância estava lá, e Santos não perdoou a falta de competitividade dos jogadores (palavras dele) e reclamou uma lavagem da honra à boa maneira siciliana se aqueles traidores não recuperassem o bom nome de Portugal. Eu concordo.

O que disse a seguir foi, contudo, mais preocupante. Assacou as culpas da má prestação da selecção às negociatas através das quais (e pelas quais) esta se move. Levantou apenas uma ponta do véu, porque não duvido que saiba bem mais; inclusivamente, saberá colocar nomes em personagens que deixou apenas identificadas por enigmáticas categorias: o super-agente, o clã burguês e instalado, o clube de amigos de cristiano ronaldo, etc. No seguimento de uma tal suspeição, não deixa de ser curioso ver Coentrão justificar a sua partida do Mundial mais preocupado com o início da época no Real Madrid do que com o desaire da selecção. E será que Patrício está mesmo lesionado, ou retirou-se matreiramente para não estragar a negociata com o Mónaco estendendo por mais tempo as suas asneiradas?

A questão do negócio é absolutamente relevante e os comentadores ex-futebolistas que devem conhecer estes meandros por dentro e por fora nunca a ela se referem. É uma omertà do futebol. Por isso julgo que seria mais apropriada a figura de uma máfia em detrimento da ideia de um clã. Há qualquer coisa de mafioso no futebol português, em particular na selecção. Talvez a imagem de um cu flatulento de que falava Bruno de Carvalho lhe seja extensível.

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