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The missing link

Outubro 31, 2013

Da espionagem da NSA aos países europeus, e outros, já praticamente tudo foi dito. Tudo, menos o facto de devermos nós, cidadãos, exigir explicações aos nossos governantes. Porque ninguém no seu perfeito juízo pensa que a espionagem feita em doses maciças como aquela que foi posta em prática pelos USA não teve a conivência dos respectivos países e das suas agências de informação. O que não estava previsto nestas negociatas onde a opacidade abunda e nós todos somos comidos por parvos, os sitting ducks que pagam impostos, era que os mandantes fossem igualmente espiados. Muito John le carriescamente andavam todos a espiarem-se uns aos outros. O problema é que custa a crer que figurões como Merkel, Rajoy ou Dilma não tivessem conhecimento das operações de espionagem levadas a cabo pelos seus serviços e as articulações que estes devem ter estabelecido com as poderosas agências norte-americanas. O espanto sobreveio quando estes líderes descobriram que se encontravam também no loop. Daí que o missing link não seja o descobrirmos espionagem em larga escala, que para todos os efeitos as sucessivas legislações anti-terrorismo permitiram, mas sim a implicação dos nossos governantes nesses processos. Porque entendamo-nos: estes senhores foram tirar satisfações aos USA não do facto bruto e evidente de haver espionagem, mas sim de não se traçarem os limites sobre quem pode ser espiado. Até ao momento espiar o zé-ninguém não somente era possível como obrigatório. A NATO, à custa de pânicos diversos sobre possibilidades terroristas, estendeu a sua rede como nunca antes fora possível – nem nos tempos em que espiões trocavam de camisa pela simples passagem da fronteira da RDA. Ora é preciso ser muito ingénuo para achar que os governos agora lamentosos não tivessem participado nessa rede. Só assim, aliás, se compreende a presteza e adequação que as forças de segurança têm demonstrado nas manifestações por essa Europa fora, aparecendo na sua capacidade de máxima intervenção quando de facto surgem conflitos que sugerem preparação antecipada. Por isso, mais do que o “deus nos acuda que o big brother norte-americano tudo ouve e tudo sabe” perorado pelos senhores do mundo – o seu lado sombrio e político, entenda-se -, mais do esta falsa afronta de que as troikas da espionagem se munem em explicações mútuas, interessa esclarecer qual o grau, alcance e disseminação dos mecanismos de espionagem que os governos nacionais implementaram nos seus territórios. Em vez de andarmos numa azáfama de crocodilos chorosos porque os telefonemas da nossa querida Merkel estavam a ser devassados, seria bom que exigíssemos da mesma explicações sobre a devassa bem mais sistemática e comum que se suspeita haver e que eventualmente cairá sobre qualquer um de nós, consoante desígnios obscuros de interesses ainda mais obscuros.

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