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Lua, opalina lua

Junho 19, 2012

Nacht – Gerhard Richter

A noite lisboeta é reconciliadora. Para alguns sobe em tonalidades altivas de esmeros noctívagos, belezas várias e arrumadas numa caixa bordada a cetarina – cheios de saúde e de compulsiva vontade! Para outros voga como as fauces da morte vogariam por entre um crepúsculo adiado, uma ténue morbidez de cartões sujos e degenerações antecipadas. A noite de todos os espectros… sim até os táxis que se aprumam ao bordejarem os lancis, facilmente se transmudam em espectros quando olhadas a partir de dentro as vidas que os conduzem.

Saiu a multidão, e dentro dela regurgitam-se alegrias mutiladas, porque as vidas que se encontram e desencontram, são decantadas de uma modorra rejeitada. Seria bem melhor se aquele cavalo que nunca passou em trote apressado, fizesse a sua aparição de dentro das colunas dos tangos e coladeras. As revistas da moda rasgam as ruas com impressionismos eléctricos. Uma cidade em convulsão. Seguramente o carimbo da pós-moderna-consumista-visionária-e-revolucionária urbe. Na equidistância dos morcegos esvoaçantes ao centro da aprumada circunferência da indiferença quotidiana. Todos ganham em divertir-se! Todos são estrondosas criaturas de uma presença mural. Desenhados a escopro nas paredes da abundância, contêm os seus irisados semblantes qualquer revolução digna desse nome. São bombas sulfurosas que arpejam a sua condição mutante: onde hoje se inscreve o desejo, amanhã retornará o desprezo.

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