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Luto

Junho 18, 2012

É fantástico como a Grécia é uma verdadeira caixinha de surpresas. Depois de tudo o que foi dito e redito, após a discussão mais que clarificadora sobre as origens da crise e os seus culpados, os gregos dão uma maioria à Nova Democracia. Incompreensível. O PASOK é totalmente sugado. A Syriza cresce, mas sem grande força, ou seja, sem a força de uma vitória clara e expectável. E a vitória da ND é retumbante.

Ilustram duas coisas, estes resultados. Primeiro, que a esquerda não deve embarcar em celebrações prematuras apenas porque tem um poder de mobilização de rua que não é irmanável pela direita. O que não significa – os resultados assim o dizem – que a direita não arregimente a maioria da população. Mais uma vez, é uma derrota amarga para a Syriza, e isto apesar de ter ficado em segundo lugar. O imbróglio eleitoral mantém-se: a coligação é quase impossível nesta conjugação de resultados. Porém, a Grécia não pode ir para eleições novamente. Á partida uma tal solução está fora de questão. O pasok quer chamar a Syriza ao aprisco. Quando isso acontecer, a Syriza desaparece enquanto singularidade no panorama político europeu. O problema é saber se a Syriza sobrevive a este resultado. A sensação de que este era o momento da Syriza era inescapável. O “agora ou nunca” pairava na boca de toda gente, julgo mesmo que da esquerda à direita – a primeira esperançadamente, a segunda criticamente. Reparem que não uso o termo aterrada, ou sequer assustada. Porque a direita nunca esteve minimamente preocupada com a tese do elo mais fraco da cadeia. Nunca acreditou nisso. Mas a esquerda sim. Uma certa esquerda já se punha a fantasiar com contágios políticos e com uma reacção coordenada dos países esmagados pela troika. A esquerda, é a leitura que faço, continua a não perceber a europa. O excesso de militantismo, a imersão num mundo de movimentos e intervenções políticos faz perder de vista as reais motivações da maioria dos europeus. A esquerda nunca foi muito inteligente a analisar a classe média. Está tão obcecada com a relação capital-trabalho que negligencia o consumo. E este é o verdadeiro barómetro das escolhas eleitorais.

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