Skip to content

Prognóstico errado…

Maio 9, 2012

Sim, o meu prognóstico sobre a Grécia saiu totalmente ao lado. E isto pela primeira vez, ou seja, pela primeira vez saiu-me um prognóstico errado. A Chorbn!, como diriam os judeus. Agora, acredito que o mesmo arranjo vai ficar nas mãos de Venizelos, e que ele irá conseguir o que Samaras não conseguiu.

Tsipras falha rotundamente como era expectável. Nunca a Grécia teve hipótese de ter um governo de esquerda. A partir do momento em que Tsipras permanecesse inflexível em relação ao programa da troika – ou seja, pretendesse riscá-lo de vez – Venizelos nunca embarcaria numa coligação que o responsabilizasse para o resto da vida pelo incumprimento. Isto porque é falso que os mercados ou o Bundesbank alguma vez tivessem medo da renegociação da dívida. Para estas entidades amorfas – sobretudo o mercado, mas o que se mexe por detrás do Bundesbank são igualmente vontades espectrais que nada têm a ver com as caras jornalísticas do Bundesbank – tornou-se absolutamente indiferente que a Grécia caia do comboio europeu ou não. Se a Grécia se tornasse irredutível, seria apenas convidada a sair. É essa a impressão generalizada – o problema grego é um facto consumado.

Daí que o problema esteja verdadeiramente do lado dos gregos, e não dos alemães. Para estes últimos, a ideia segundo a qual mais vale quebrar que torcer há muito que está adquirida. Pior do que os credores perderem o seu dinheiro é titubearem perante um governo nacional que lhes oferecesse resistência – isso, sim, enviaria ondas de choque que afectariam os mercados e a especulação em torno das dívidas nacionais. O momento em que um governo enfrentar os credores e considerar a dívida ilegítima abre um precedente que servirá de exemplo para outros e abrirá uma caixa de pandora para os credores. Não significa isto que não existam precedentes históricos de pontapés colossais nos programas de restruturação, por que os há: de África à América Latina. Mas não na zona euro.

Recentemente, a rica Holanda, que precisa tanto de cortar no défice como eu no cabelo (sou um garboso educando da calvície) rejubilou com o acordo parlamentar que viabiliza as medidas de austeridade que o governo anterior se recusou a implementar. A justificação parece ser a de mostrar aos mercados que os holandeses são mais papistas que o papa – algo que reflecte bem a fé inabalável no limite ao défice consignado no novo pacto europeu. Que mensagem política é que isso encerra? Simplesmente, que não há maneira de abjurar os programas de austeridade dentro da Europa actual. E que não há paleio sobre riscos sistémicos que convença quem tem o poder de facto na Europa.

Uma guerra de propaganda parece estar a dar-se na Europa, uma espécie de contagem de espingardas para dissuadir os mais afoitos: se a Islândia muda as regras do jogo, logo aparece a Irlanda, para dar o exemplo dos meninos atilados; se a Grécia faz perigar os planos, logo surge Portugal para ocupar o lugar de bom aluno. E recentemente, não creio que seja coincidência, a França mostrou os músculos, e logo a Holanda retirou o tapete. Os alemães não estão sozinhos, e o lado negro é forte e fortalece-se a cada minuto que passa.

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: