Coelhos da Cartola

José Manuel Coelho, protagonista de mais um bizarro episódio na casa da democracia madeirense par excelence, viu-se ameaçado de prisão pelo presidente da Assembleia. A acusação era assaz grave: nem mais nem menos do que incitação à sedição.

Sabemos como a democracia, e em especial a madeirense, tem uma dificuldade estrutural em conviver com certos termos que perturbem a santa paz dos consensos pluralistas. Mas como fica demonstrado pelo sucedido na Madeira, os consensos pluralistas são por vezes mantidos à cacetada – ou não fosse a expulsão de Coelho, ao murro e empurrão, um procedimento – sem dúvida arquitectado na hora -, de manutenção da paz consensualista.

A aporia contida na afirmação do presidente da assembleia passou evidentemente desapercebida àquela cambada de labrostas de gravata habituados a irem à caça nas reservas cinegéticas de Jardim: ou seja – a classe política madeirense. Fossem eles dados a remoimentos filosóficos e políticos e veriam que não se pode acusar ninguém de incitação à violência depois deste ter sido violentamente expulso do hemiciclo sem cair no pecado da contradictio in terminus. Cortar a palavra ao deputado, agarrando-o pelos colarinhos e colocá-lo fora da sala ao pontapé, é puro exercício de violência. Daí que ver aquilo – sobretudo as pobres das crianças obrigadas a assistirem ao telejornal à hora do jantar quando prefeririam estar a ver os simpsons – é incitação à violência q.b. 

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