Os estúpidos

Nuno Crato, naquela pastelada que dá pelo nome de Universidade de Verão do PSD, afirmou que anteriormente os alunos apenas tinham duas orientações: ou passar de ano ou desenvolver o espírito crítico. Concordando, por princípio, que estas não seriam de somenos, acrescentou contudo que aprender era o essencial para um aluno.

Não tenho bem a certeza a que orientações anteriores se referia o ministro da educação que excluíssem com tamanha desfaçatez e lascismo a nobre missão, quando não obrigação, de aprender. Não recordo, igualmente, que os estatutos das escolas ou a legiferação em matéria de educação obliterassem a importância da aprendizagem substituindo-a por uma inflacionada vontade crítica ou por um deixa andar “porreirista”. Também julgo que o interesse dos alunos não se encontrava espartilhado por estas duas intenções, vazias de conteúdo e de esforço, quanto mais não seja porque o interesse em prosseguir para o ensino superior é conestado pelo aumento dos números de quem o procura; por uma das maiores taxas europeias de doutorados entre a população compreendida entre as idades de 25 e 29 anos (66% dados Eurostat para 2006). Tais evidências não corroboram em nada o diagnóstico leviano do ministro da educação. Porém, como disse e desdisse tanta coisa desde que assumiu funções, esta será provavelmente mais uma delas.

Vasco Pulido Valente na sua crónica do Público explicava naquele tom admoestador que lhe é costumeiro, que não havia ricos em Portugal – taxá-los seria empresa votada ao fracasso. E eu acrescento: quando não uma contradictio in adjecto, dado que não se pode taxar o que não existe. Em Portugal estão referenciadas 3 dezenas de famílias cujo património se cifra, aproximadamente, em 20 biliões de euros. Os 20% mais endinheirados ganham 6 vezes mais do que os 20% menos endinheirados. Apresentamos, a par de países como a Letónia e a Roménia, um dos maiores índices de desigualdade da OCDE, Ex aequo com esse país de liberdade que é a Polónia (medido segundo o coeficiente de Gini após transferências sociais) e situando-se pouco abaixo desse país de igualdade que é o México (Viva México!!).

E todavia, para VPV, como não temos ricos ao nível dos ricos alemães ou franceses, nem vale a pena falar nisso: os nossos ricos são relativamente pobres e por isso estar a sobrecarregá-los é uma violência contra uma classe, de facto, remediada. Julguemos então, que se os nossos ricos são relativamente pobres, o nosso país também o é. Donde, e estamos inteiramente de acordo, a riqueza seja uma grandeza relativa. Mas por isso mesmo, é que os nossos ricos são, para o país pobre e desigual em que vivemos, verdadeiramente ricos; na realidade, imensamente ricos! E como se trata de contribuir para esse mesmo país, se há coisa que não é relativa é a proporção dessa contribuição. Os nossos ricos, relativamente pobres quando comparados com os alemães e franceses, devem contribuir na proporção do nosso país relativamente pobre quando comparado com a Alemanha e a França.

Mas se a riqueza é relativa, parece que a pobreza não o é. Sabemos que mais de um milhão e meio de pessoas aufere rendimentos abaixo dos 600 euros; sabemos que o ordenado médio nacional situa-se um pouco acima dos 700 euros; sabemos que o desemprego se situa eventualmente (se deixarmos de acreditar na escorreiteza dos números do INE) nos 13% (e isto porque a descida assinalada pode ser muito bem devida a emigração). Estes são pobres, e são infelizmente muitos. Restará, por conseguinte, alguma dúvida de que existam ricos neste país? Sim, na hipócrita cabeça de VPV.

António Figueira, escreve bem, embora demasiado coquete para o meu gosto. O Filho de Campo d’Ourique é certamente um título infeliz porque facilmente se transmuda para um outro filho menos honrado. E dessa fama já ninguém o livra. Mas isso parece não lhe fazer qualquer mossa; na realidade, ser adjunto de propaganda de um ministro a quem se devia execrar – por filiação ideológica, por crença prática, por rectidão moral – não surge como minimamente contraditório no pragmatismo jesuítico de Figueira. Ele até diz que vai ganhar menos, vejam bem! Um sacrificado, portanto. Ganhar menos, supomos, se lhe exigissem exclusividade. Mas tal não acontece, nunca acontece nestas questões de assessorias ministeriais. Em paralelo, Figueira pode ganhar aquilo que conseguir. Ou seja, e segundo o plumitivo arrolado aos quadros da intelligentia do PSD, vai ganhar menos se só fizesse aquilo, mas como vai acumular não vai com certeza ficar a perder. Que se foda o que o Figueira vai ganhar! Não interessa nem ao camano. Interessa sim que a justificação é podre, como podre parece ser a sua acção.

Chegados aqui, podemos ser induzidos em erro pensando que estou a cravar bem fundo nestes senhores o libelo de estúpidos. Desenganem-se caralho, estúpidos eles não são nem um bocadindo! Os estúpidos somos nós, que os ouvimos, que lhes damos o benefício da dúvida, que lhes prestamos atenção, quando o que deveríamos fazer era partir-lhes as fuças!

Mas o que é que se passa com estes gajos?

Ainda mal refeitos do escândalo Josef Fritzl eis que mais um zeloso pai de família vem dar à costa da comunicação social por ter mantido as duas filhas em cativeiro durante 40 anos e tê-las violado sistematicamente. Zizek, num dos capítulos do seu novo calhamaço, diz que a culpa é da Música no Coração, traduzindo, do nazismo e do seu culto da personalidade do pai autoritário. Adorno subscreveria, caso ainda andasse entre nós. Thomas Bernard deve estar a rebolar de tanto rir lá no assento etério para onde subiu – esta era a Áustria que ele nos prometia!

O caso do nazismo até pode ter a sua base de sustentação: afinal a terra onde desta vez foram dar com o patriarca incestuoso fica localizada a escassos kms de Braunau, vilória onde Hitler nasceu. Mas estes casos de contágio por proximidade só resultam nas contaminações virais. De resto, também Elfried Eljeneck olhou com particular suspeição para aquela monstruosidade bucólica que era a Heidi e o Peter.

A vida rural austríaca parece assim fadada a esconder delirantes, e hediondas, relações familiares. Aquele ar robusto e sadio das gentes da Neederosterreich esconde enfim um rol de enigmáticos horrores inspirados num abjecto twin peaks.

E no entanto mal se compreende quando confrontados estes casos de insanidade com o cosmopolitismo pacífico e asseado das grandes cidades. Bernard bem que podia dizer de todos os austríacos que eram uns porcos ignorantes e ressabiados, e nem os mais polidos vienenses escapariam a uma tão inflexível apreciação. Mas a verdade é que não passam de pessoas de classe média, abastada, que sonham com cozinhas encastradas e jardins de infância de luxo para a sua prole. Enfim, perfeitos europeus desenvolvidos. E depois lá surgem estes casos, mórbidos, violentes, singulares, incomparáveis na sua singularidade, a bem dizer, e fragmentam esta aparentemente sólida imagem de paraíso consumista-produtivista da Mittle Europa.

Frustração pela grandeza perdida que apenas é sublimada através de uma excessiva violência sobre o objecto de maior proximidade afectiva? Mas isso é tangencial à hipótese do nazismo. Um dos aspectos que raramente é relatado é o da relação que os perpetradores destas bizarrias tiveram com o nazismo. Trabalharam em campos de concentração? Foram agentes de tortura do exército nazi? Foram bufos do regime fascista austríaco. Não se sabe.

A hipótese parece igualmente rebuscada, e implicaria uma relação directa entre uma acção remota ressurgida sobre forma amplificada mais tarde – hipótese mais psicanalítica do que a própria psicanálise.

O que me deixa mais perplexo nestes casos é o desconhecimento que as pessoas à volta parecem ter. Um homem empareda a filha durante 27 anos num bunker improvisado e tem 7 filhos dela (caso Fritzl) sem ninguém saber; um homem viola as duas filhas durante 40 anos e mantém-nas em cativeiro numa sala minúscula sem ninguém dar por isso (caso actual). Lembra o facto, relatado por testemunhos da época, de a vida correr pacata e sob o total véu da ignorância em vilas e aldeias a escassos quilómetros dos maiores campos de concentração. Também aí a vida mantinha-se imperturbável.

Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias (Hebreus 11:30)

Que exagero, que exagero – Rapunzel, Rapunzel: To the tower, To the tower! O Figueira está na berlinda. E não pelo facto de ter escarrapachado mais uma “francesise” naqueles textos de peliça que ele costuma parturejar no 5dias. Não. Antes pelo facto de ter aceitado um lugar de assessor no gabinete de Miguel Relvas. Por aqui, com aquela mania de que todos os desejos e vontades implicam um sentido geral mais grandíloquo do que a mera bosta da vidinha de todos os dias – aquela coisa peçonhenta e comezinha a que damos o nome de “safarmo-nos” – já se regurgita ataques à democracia, tingidos sem dúvida de conspirações estalinistas e de progroms aos defensores da liberdade.

E a mim, com toda a modéstia, parece-me a coisa bem mais simples. Os comunas gostam de massa. Gostam de dinheiro, de pilim, de narta… E o que faz esse gosto indomável, aos próprios comunas e – se quisermos atirar para o universal contido em qualquer “mundo” – à ideia de comunismo? Pois, destrói-a. Sem complacências.

Daí que os argumentos do Renato Teixeira sejam de tal modo vesgos que provocam dor de cabeça só de olhar para eles. Ah, a outra desculpa na manga contra os críticos é de um brilhante narcisismo explanatório: então se os outros sacanas fazem, eu não posso fazer? – reza a insondável lógica.

E no entanto, não há argumento que safe esta insanável contradição: que o é apenas se pensarmos que existe uma qualquer superioridade moral (ética, se preferirmos ser mais contundentes) que assiste os comunistas. Eu gosto de pensar que sim. Porque sem ela, de que vale andar a berrar no deserto? Mas sei que não – caso em que o princípio da realidade se impõe irredutivelmente ao princípio do prazer. Parece que o mesmo sucedeu com António Figueira: o princípio da realidade das gravatas e benefícios de assessor ministerial impõs-se ao princípio do prazer da utopia. Existirá algum problema nisto? Para a humanidade, absolutamente nenhum. Para o comunismo, todo.

Por isso é que eu insisto – contrariamente a visões demasiado materialistas ou estruturais – que um mundo melhor (o que se encontra inevitavelmente subjacente a qualquer desejo de uma igualdade radical) só pode ser convocado por pessoas melhores.

 A conclusão desta trampa só pode ser aquela mais intuitiva: os comunas gostam de dinheiro – e não é pouco. Mas que comunismo é que daqui pode brotar? Nenhum, com efeito.

O altruísmo dos mais ricos

Muita conversa por aí sobre os ricos quererem participar nos esforços de recuperação das dívidas nacionais, sobre o efeito de solidariedade, e sobre o altruísmo dos possuidores de grandes fortunas. Desde que Warren Buffet avisou que os estados deviam de parar de mimar os seus ricos, uma catadupa de tomadas sociais de consciência sucedeu-se vertiginosamente pela Europa das fortunas. Logo de seguida, as grandes fortunas francesas vieram a terreiro dizer que queriam ser fustigadas com aumentos nos impostos. Em Espanha não foi preciso nenhum rico abrir a boca – Zapatero já se encontrava na Moncloa a despachar decretos que iam nesse sentido. E imaginamos como o coração de Sílvio Berlusconi deve andar exangue depois de decretar um aumento de impostos sobre os rendimentos mais elevados. E em Portugal?

Meninas loiras e esbeltas formadas, no doubt, nas grandes escolas de finanças da capital, e capitalizando despudoradamente numas belas tetas e cus, apregoam na televisão, com o português fanhoso de quem pouco mais lê do que balanços, razões, e o economist, que este esforço deve ser contextualizado, dado que os ricos portugueses já são taxados a 46% dos seus rendimentos anuais.

Não se compreende muito bem a que propósito vem este remate de conversa – para assinalar que aqui na terra dos amorins e dos soares dos santos não vale a pena pensar em tal coisa? Ou será para nos amolecer as consciências, solidarizando-nos, agora sim, com quem andará ajoujado sob tão dura carga fiscal? Seja qual for a razão, alguém lhes paga para dizerem estas coisas – disso estou certo.

Mas contextualizar é sempre um bom exercício. Por exemplo, aquela benesse extra-terrena que Sarkozy parece estar a dar ao seu povo ao fazer os ricos entrarem no esforço de levantamento da pátria, não constitui mais do que repor a situação que existia antes de 2007, ano em que foi eleito. Até ali, não existia um tecto definido para as grandes fortunas. Mas depois dali, o governo Sarkozy resolveu decretar que o esforço que se poderia exigir das grandes fortunas não poderia ir além dos 50%. Reparem: mesmo com o tecto, ele continuava a ser mais alto do que o português. Porém, as meninas loirinhas de boas mamas que vão surgindo nos nossos ecrãs, apenas se lembram de contextualizar para o caso português, amputando imediatamente qualquer exercício comparativo mais afoito.

Agora bem, o que o governo Sarkozy fez em 2007, inseria-se numa visão geral, propriamente neoliberal, importada dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que tinha por horizonte a ideia de que os ricos criavam riqueza e por isso não podiam ser molestados com impostos. Esta ideia tem sido aplicada com esmero europeu, por exemplo, na Europa de Leste, onde a riqueza é vista como uma beatificação em vida. Mas mesmo para as convicções mais ideológicas de um neoliberal, a equação não funciona quando continuando os ricos a enriquecer, o ritmo de crescimento económico vem por aí abaixo. Onde está o efeito multiplicador resultante de deixar os ricos em paz? Talvez no Mónaco a coisa resulte.

Agora bem (outra vez?) não nos deixemos enganar por esta ideia de esforço concertado, de grandes (gigantescas) fortunas terem acordado para a solidariedade e para o bem comum. O que se passa é que os governos querem retornar ao estado de coisas anterior ao choque neoliberal que infligiram quando para lá foram. No caso francês, o que os ricos vão pagar, é uma espécie de imposto em atraso; como se de repente lhes chegasse a carta das finanças a dizer que incorrem em coima caso não regularizem a sua situação financeira anterior a 2007. É que, por exemplo, parece que a reforma de 2007 teve como resultado um abatimento de 30 milhões de euros que a herdeira da família L’Oreal embolsou. Os ricos não se estão a solidarizar – estão a pagar os impostos em atraso.

Aritmética popular

De acordo que as assembleias populares vivem nos antípodas das vontades pessoais actuais. Assim como se torna ridículo aquele repto no sentido da recuperação de uma democracia mais ateniense, também a assembleia popular, com os seus braços no ar, a expectativa gerada pelos oradores, e a ilusão de participação directa soam a falso. A primeira é ridícula porque o modelo anteniense baseava-se na participação dos envolvidos nas coisas da polis – deixando de parte todos aqueles que não lhe pertenciam: metecos, mulheres, escravos, periecos, etc -; envolvimento directo e exigido pelo estatuto que lhes cabia de cidadãos, envolvimento participativo e alerta que obrigava todos a pronunciarem-se sobre aquilo que a todos dizia respeito. Alguma vez, os indivíduos d’hoje, deslocando-se entre a escolha pelo cartão de crédito e as sondagens televisivas, pretendem este nível de participação? Não me parece.

 A segunda, baseada neste pressuposto modelo puro, soa a falso porque é apenas aplicável mediante um número restrito (aliás, muito restrito) de indivíduos. Quando os números sobem a gestão das opiniões torna-se impossível, inoperante, inconclusiva. Por outro lado, as capacidades retóricas desiguais, as posturas, os dotes oratórios, fazem com que este modelo aparentemente criador da máxima simetria, resulte, intrinsecamente, numa representação assimétrica.

Involuções

Ao contrário do Sérgio Lavos, que temo não ter compreendido o texto de Zizek ou então ter apenas cortado a parte que lhe dava, embora remotamente, razão, prefiro destacar um outro parágrafo desse texto. Aqui Zizek acerta na mouche contra os teóricos do “movimento”, as assembleias do Rossio, ou as cabeças que se vão movimentando dentro do Bloco de Esquerda na esperança de reduzi-lo à beleza sublime do movimento cortando definitivamente com o espartilho partidário.

 Depois de criticar o apoliticismo dos “Indignados” de Madrid, conclui Zizek, referindo-se aos protestos gregos:

But even in Greece, the protest movement displays the limits of self-organisation: protesters sustain a space of egalitarian freedom with no central authority to regulate it, a public space where all are allotted the same amount of time to speak and so on. When the protesters started to debate what to do next, how to move beyond mere protest, the majority consensus was that what was needed was not a new party or a direct attempt to take state power, but a movement whose aim is to exert pressure on political parties. This is clearly not enough to impose a reorganisation of social life. To do that, one needs a strong body able to reach quick decisions and to implement them with all necessary harshness. 
 

Nem mais. Chama-se empresa.

 

Católicos praticantes

E lá se foi o Papa, colocando às costas o alfobre de absolvições e hóstias, partiu para o merecido descanso nos corredores cobertos de ouropéis do Vaticano. Pelo caminho, em circunlóquio com a juventude mediatizado para o mundo, foi deixando avisos sobre a cupidez dos mercados e a injustiça das coisas humanas quando estas se afastam de Cristo. Não sei se a juventude que por aqueles dias correu ao repto ecuménico lançado pelo Papa, se se apercebeu da tremenda injustiça de que tinha sido protagonista. Desconheço se em consciência, todos aqueles milhões de católicos que invadiram Madrid, que por lá andaram a comer bocadilhos regados com água benta, se sentiram nem que fosse ligeiramente incomodados pelo facto de pagarem menos pelo metropolitano, de terem descontos nos passes semanais ou outras benfeitorias dadas pelo governo Zapatero à delegação papal assim como antes se ofereciam relíquias ou elevantes.

Fico perplexo com o alto sentido de justiça humana destas cabeças quando nem um se rebelou contra a carneirada da fé colocando-se ao lado dos legítimos protestos de quem considera um abuso as benesses oferecidas aos turistas religiosos. Nem um.

E no entanto seria do mais elementar sentido de justiça, quando não decorrência do secular sentido de sacrifício que sempre acompanhou a entrega incondicional às coisas da fé, terem-se insurgido, eles próprios, contra aquilo que deveriam ver como um acto de solidariedade óbvio e necessário com as misérias do homem. Mas qual quê! O discurso de Bento XVI contra as tropelias dos mercados, intercalado com o vazio espiritual do sofrimento em e para Cristo, não titubeou nem por um momento que fosse mediante a esbórnia dos gastos do erário público. Para os espanhóis, católicos ou não, a factura há-de aparecer mais tarde sob a forma de impostos; para os católicos que acorreram a Madrid, a geral rebaja nos serviços públicos parecerá a contrapartida material de quem se afadiga a corrigir os males do espírito – uma absolvição em espécie reminiscente dos tempos da côngrua.