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A semana dos prodígios

Maio 20, 2011

 

Utilizo aqui semana num sentido livre, perto da liberdade poética, posto que nem esta semana dos prodígios coincide com a semana que começa na segunda-feira e acaba no domingo, de acordo com o calendário religioso, nem é balizada por dias fixos, mas antes por acontecimentos.

E destes, sabemos que houve vários que desafiaram o senso comum. Primeiro foi a sodomização aprés Dominique Strauss-Khan. Preso por ter sodomizado (alegadamente) uma empregada do hotel, é certamente irónico, quando pensamos que deveria ter sido preso por sodomizar países. Mas enfim, a sodomização de povos e economias nacionais não está tão alta no ranking do puritanismo moralista da justiça norte-americana. Quer isto dizer que eu estou de acordo com o historial de abusos sexuais que tudo indica Strauss-Kahn deixa para trás como o rastro de um cometa? Não. Quer simplesmente dizer que a haver justiça para Strauss-Kahn seria por coisas bem piores. Infelizmente, no que toca a sodomizar povos e economias nacionais a justiça é mais que cega, é igualmente muda.

No caso do FMI, esta (in)justiça fala pela boca dos fascistas de renome internacional. Geralmente denominados “ortodoxos”, é bastante educativo ver os nomes dos pontenciais sucessores de Strauss-Kahn, agora que este se demitiu. Vêm de países, e dos respectivos bancos, como México, Israel, Singapura, Turquia, África do Sul e Itália e os concorrentes da praxe, como o homem do Bundesbank, ou o braço direito de Sarkozy, a ministra Christine Lagarde. O que estes países têm todos em comum, sobretudo os da primeira lista, é o seu invejável palmarés em matéria de democracia.

O segundo acontecimento, ainda está quente. Praticamente saído do forno; é por isso que podemos, com propriedade, falar de rescaldo. O jogo da final da Taça Europa, pois claro. Se houve jogo combinado, esse foi aquele que assistimos anteontem no Estádio Aviva em Dublin. O jogo em si, suscitou a excitação de um potente suporífero. Porém, aquelas cortesias (inacreditáveis em qualquer discussão de uma final, seja ela qual for) entre os jogadores do Porto e do Braga, chegando ao cúmulo de Helton asseverar ao árbitro que não tinha sofrido falta, só podem ser, até pensadas, num jogo que está combinado. Nem o Marquês de Queensberry seria tão solícito com as regras do melhor desportivismo. E esta cortesia, como é sabido, contrasta lapidarmente com o estilo portista do qual, melhor do que ninguém, Domingos Paciência foi emblema relapso. Nunca o Porto fez aquilo com outros adversários. Bem pelo contrário: a fita e a teatralização foram a imagem de marca de jogadores como Falcão ou Hulk ao longo desta competição. Acresce que ninguém acredita que o Porto habituado a dar cabazadas a clubes bem superiores ao SPB (Villareal, Spartacus, etc) ficaria contente com um magro 1-0. Mérito do Braga? Não creio. O Braga nem sequer jogou que se visse para fazer o Porto tremer. Mas o que foi anteontem evidente, é que o Porto estava deliberadamente a evitar a tradicional cabazada. E não é de estranhar. Foi o Braga que arredou de vez o Benfica da possibilidade de perseguir o Porto na liga zon/sagres.

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