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As hipertextualidades

Março 22, 2011

Esta redoma de hipocrisia onde as duas primas-donas Sócrates e Passos Coelho nos enfiaram terá que estoirar por algum lado. E não me refiro à mais que provável (e anunciada) queda do governo. Refiro-me à ideia segundo a qual há uma alternativa às reformas sanguinárias do fundo de estabilização na agenda da oposição de direita. A escolha de palavras do comunicado do PSD é quase enternecedora “A broad coalition for change”. Bela tirada, digna da assinatura de um qualquer acordo de partilha de territórios, declaração de conquista ou apelo às armas por parte dos aliados. Soa imediatamente a OTAN ou a UNIFOR. E o que vem a seguir, ou antes, na verdade da sequência textual, primeiro,

“Yet PSD is unable to support the announced new measures, not only because of their likely limited and ineffectual implementation but also due to the sacrifices that they impose on the most vulnerable members of society.”

Os portugueses meu deus, os portugueses – quem os poderá sacrificar ainda mais na ara da atroz consolidação económica? Para depois

 “The final outcome of the process initiated with this surprise announcement could be favorable if political parties and social partners are more supportive than they have been in the last two years of a well designed program of fiscal consolidation and structural reforms.”

Passámos da impossibilidade de apoiar sacrifícios desnecessários, para a necessidade de os impor com legitimidade política. Os portugueses e os seus sacrifícios que se fodam; é preciso é dourar a pílula ou então mostrar ao povoléu que isto aqui tem dono.

A mensagem é clara, mesmo em inglês. E lá fora há com certeza quem a esteja a ouvir: isto não vai lá sem “suspensão de qualquer coisa” que seria a democracia caso esta ainda estivesse em vigor, porém desconfio que não esteja, e que por esta altura o que é mesmo preciso é criar a smoke screen política que leve a pensar que o comprimido, por mais amargo que seja, está a ser ministrado com legitimidade.

Nada é dito sobre o facto de o FMI, quer seja com Sócrates quer com o previsível próximo primeiro Passos Coelho, há muito ter franqueado as portas da cidade, e os bárbaros já se regalarem a beber do nosso vinho e a comer as nossas mulheres. Forma eufemística de dizer que nos fodem de todas as maneiras e ohne Vanzeline.

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