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Cavaco – Je est un autre

Janeiro 4, 2011

A melhor defesa é o ataque. Máxima consabida que Cavaco tem elevado ultimamente aos pináculos do oportunismo político. Cavaco sempre foi uma personagem pragmática. De tal forma, que dele não sobreviverão grandes frases, discursos eloquentes, nem tão-pouco reflexões imorredoiras. Nem pela negativa – como Margaret Tatcher – nem pela positiva – como Obama ou Lula da Silva.

Cavaco é exactamente aquilo donde vem: um negociante alimentado pelo seio da promiscuidade entre negócios e política. Com a esperteza característica dos círculos plutocráticos, Cavaco tem sabido gerir a sua sobrevivência política entremeando-a com uma saudável relação com o mundo dos negócios. Sócrates, provavelmente, seguiu o mesmo caminho, mas dificilmente evitou sair maculado. Armado desta esperteza saloia que sempre lhe foi característica e que tão presente se faz na frase curta e vaga ou no silêncio arrogante e descomprometido, a última invenção de Cavaco é assacar as culpas do descalabro do BPN ao Estado português. Então não é – afirma ele – que o BPN tem uma gestão pública. E de uma gestão pública só se poderia esperar o desacerto, a desplicência, a banca rota. Para Cavaco, nosso presidente, representante máximo do Estado, mas porventura não se apercebendo disso, não foi o BPN que sugou (e suga) o Estado que ele por acaso até é legítimo representante – é o Estado que aperta o garrote ao BPN que, supõe-se, vicejava anteriormente. Nem uma palavra de desconcerto perante o buraco deixado pelos seus companhons de route. Não. O Estado, esse monstro, do qual ele se faz pela segunda vez representante máximo, é que tornou o BPN no corpo exangue que ninguém quer pegar.

Obviamente que não se chega a ser Cavaco sem uma rede de títeres a cantarem ossanas à sua infalibilidade. Como diz Eduardo Pitta, onde estão as perguntas que qualquer jornalista avisado devia colocar como imperativo investigativo? Onde estão as insistências caninas que levaram jornalistas e jornais a imiscuírem-se em vidas privadas noutras ocasiões? Pois, não estão. Até porque as insistências caninas são facilmente debeladas pela voz do dono. Os cães de fila calam rapidamente a sua autoridade rosnadora quando instados pelo dono a sentarem-se a um canto e ficarem sossegados com a cabeça molemente descaída entre as patas. Retrato fiel do jornalismo actual. O Sol quando nasce, à sexta-feira, não é para todos.

E no entanto, o caso Cavaco é intrigante, sobremaneira intrigante para não nos questionarmos porque razão não apenas o nosso estimado presidente meteu as gadanhas na pocilga da SLN, mas também a sua prole e familiares próximos. A filha, claro está, com uma maquia mais significativa. E o genro. Tenho para mim que o segredo deste imbróglio lusitano se encontra no genro. Porém, os jornalistas estão tão entretidos a seguirem a operação nariz vermelho que nem querem perder tempo com minudências como um banco que caiu no colo do Estado com um buraco de 2 mil milhões de euros que nós teremos que pagar em (pelo menos!) dez anos e  cujo conselho de administração negociava acções ficticiamente inflacionadas com o nosso presidente da república e respectiva família.

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