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Questão de coerência

Dezembro 6, 2010

O mínimo que pode ser dito é que Cavaco tem uma definição assaz singular de equitatividade. A ele juntou-se um companheiro de percurso inusitado, o constitucionalista Jorge Miranda. Vieram estas duas eminências verberar a intenção redistributiva do governo regional dos Açores. Cavaco revelou-se chocado com a intenção de Carlos César. Segundo o presidente da república trata-se de um atentado à equidade dos sacrifícios dos portugueses. Jorge Miranda, com autoridade jurisprudente disse tratar-se de uma quebra do princípio da igualdade e como tal era medida inconstitucional. Curioso. Onde estavam estas duas figuras da nação quando o governo aprovou, com o beneplácito do PSD, um regime de excepção para empresas semi-públicas? Note-se: não é para empresas semi-públicas – é para os quadros dessas mesmas empresas. Que é feito da igualdade nestas circunstância? Que equitatividade estaria Cavaco a defender quando não tugiu nem mugiu perante a hipócrita justificação das remunerações a preço de mercado?

Dois figurões do regime, com a mesma justificação untuosa na manga, é obra! Cavaco, claro está, nunca deveu grande coisa à coerência, e os seus princípios não raras vezes têm-se mostrado escorregadios e capciosos. Por isso, que fique escandalizado com a intenção de Carlos César mitigar o sacrifício dos seus conterrâneos do funcionalismo público, quando ficou mudo e quedo mediante o regime de excepção, não espanta grandemente em tão esfíngica personagem.

Agora, Jorge Miranda, o maior constitucionalista português, vir bradar pela igualdade quando nem uma palavra se lhe ouviu perante o regime de excepção, já causa mais engulhos.

Este é o país actual: um presidente que é untuosamente hipócrita acompanhado pelo nosso maior constitucionalista num coro de virgens ofendidas. Jardim pontuou a sua presença com um ríspido “Não contem comigo para vigarices”. Referia-se ao projecto de César, o seu rival açoreano; e não, como poderíamos supor, ao regime de excepção. Até porque este último se calhar deve calafetar os bolsos de um qualquer seu cunhado ou genro ou familiar afastado com lugar cativo nas empresas semi-públicas da Madeira S.A.  

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