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Pr’a direita – e em força!

Dezembro 2, 2010

Tornou-se uma evidência sem contraditório a viragem da Europa para a direita. Viragem nada suave – bem brusca, abrupta, por sinal. É o nosso Portugal que se prepara para dar uma maioria absoluta a uma coligação de direita; porventura a mais neoliberal até à data. É a nossa vizinha Espanha, cuja viragem direitista vislumbra-se no horizonte, e começa a sua consumação com a vitória da coligação conservadora nas eleições catalãs que se anuncia esmagadora. Estas são as novidades, porque noutros países a tendência há muito que ganhou terreno e é ilustrada por contextos tão diversos como a Suécia, Dinamarca, Áustria, Holanda, por um lado, e Hungria, Croácia, Polónia, República Checa, por outro. Uma união do ideário neoliberal que abrange os novos países comunitários e a velha Europa. Depois temos a Suíça que, embora fora do contexto comunitário, tem vindo a consolidar uma postura cada vez mais conservadora e de direita. Itália é um caso sui generis; desde logo porque quando se pensa que Berlusconi vai finalmente titubear e cair com estrondo, eis que ele aparece revigorado e irredutível às críticas e aos escândalos. O homem que tem mais vidas do que as de um comum gato doméstico. França e Alemanha, os bastiões da Europa, são casos indefinidos de tão definidos que são os seus trajectos. Parece paradoxal, mas não é. França e Alemanha, o mesmo é dizer, Sarkozy e Merkel, são o rosto de um ponto arquimediano imposto pelos verdadeiros poderes europeus: os bancos e a aristocracia. O que quer que se passe em França e na Alemanha, terá sempre o rosto de Sarkozy e Merkel, ou seja, o rosto da defesa dos grandes grupos económicos europeus que nunca deixariam o centro da economia europeia sair da linha que lhe foi destinada. Podem os cidadãos da Europa fazer alguma coisa para mudar esse rumo, como querem os defensores do internacionalismo sindical, no seu avatar europeu? Poderiam. Não se desse o caso de sistematicamente preferirem empurrar as suas democracias para a direita conservadora. Esse é o paradoxo fundamental da Europa actual. Como explicar que os grupos responsáveis pela crise que se abateu sobre a Europa tenham vindo a ser recuperados, e consequentemente legitimados, pelos cidadãos europeus através do seu plebiscito?

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