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Über unsere Kirche ist eine große Dunkelheit gekommen und große Schuld”

Março 17, 2010

 

No Baixo-Reno, terra que representa o paraíso na terra para Ratzinger, anda a comoção à solta. Os fiéis abandonam a santa-madre ao seu destino aziago; os padres fazem actos de contrição perante a ara da dissolução dos costumes; a hierarquia persegue os sodomitas com o mesmo zelo purgador dos tempos em que Pedro Damião jurou limpar a igreja dos ímpios amantes de rapazinhos. A causa do caos instalado no seio do catolicismo alemão passa pelas sucessivas denúncias de abusos de menores praticados por padres em internatos católicos. A Alemanha ficou chocada. Desde o mea culpa institucional pelo extermínio dos judeus que não havia um sobressalto tão intenso na bela e ordeira Alemanha. E que ele surja dos luxuriantes prados onde Bento XVI corria em petiz, apenas amplia a dimensão da tragédia.

O grito de guerra vociferado por um dos responsáveis pela hierarquia que mais perto do Papa se encontra, arregimentando tropas para a limpeza necessária, chega tarde. E tarda não por qualquer necessária retribuição às vítimas que se teria tornado ineficaz, mas porque a desconfiança instalou-se dentre o rebanho dos crentes. Chegam-nos descrições de igrejas vazias; da perplexidade dos padres face à sua mensagem; de medo das nefastas consequências que qualquer contacto com uma criança possa acarretar. Disso mesmo nos dá conta o padre Eckl: “O que devo fazer? Como me devo dirigir à congregação? Como deverei pedir desculpas pelo sucedido?”. Questões que não são de fácil resposta.

As terapias sucedem-se. Como se a repetição dos casos de abuso de crianças tivesse alguma coisa a ver com problemas psicológicos. Como se as razões que levaram a tantos escândalos não se encontrassem na própria instituição, nas formas de recrutamento, no convívio que se estabelece entre os jovens e os clérigos. Nada disto encontra explicação nas putativas perturbações psíquicas dos padres; tanto quanto a cruzada empreendida por Pedro Damião contra os sodomitas dos mosteiros. A razão para tal prática, já na altura se sabia, encontrava-se muito simplesmente na tradição de colocar os noviços a dormirem nas mesmas celas dos velhos padres que, obviamente, iniciavam-nos tanto nos caminhos da salvação da alma como da perdição do corpo.

Se a razão era óbvia tão cedo quanto o século XI, porque insistem em convocar o batalhão de doutores do espírito – psiquiatras, psicólogos e outros adeptos de terapias várias – para “curar” aquilo que não tem qualquer relação com o espírito? Se testemunhos faltassem, suficiente seria relembrar o filme de Almodóvar, La Mala Educación, que tão bem revela a relação ambígua entre padres e jovens nas instituições católicas.

A guerra contra a homossexualidade movida pela Igreja Católica sempre foi – utilizemos o mesmo raciocínio que Zizek usa para a instituição militar – uma deslocação da estrutura homossexual das suas hierarquias e práticas.  

“Sobre a nossa igreja caiu uma grande escuridão e grande culpa”, frase proferida por um dos padres em terapia e que dá o título a este post.  Não é de agora, conviria acrescentar. A igreja tem que olhar directamente para o próprio abismo que criou.

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