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Selecção? Qual selecção?

Março 4, 2010

É natural questionarmos o valor de Queiroz como seleccionador nacional. Ontem ficou provado que não existe uma selecção – existem duas equipas. Uma joga pelos pés de Ronaldo, Simão e Nani. A outra não joga. Sem o trio atacante, a equipa esboroa-se. Quando lá metem moutinhos e liedsons, a selecção fica reduzida a uma caricatura.

Porém, esta “caricatura” é fabrico e responsabilidade de Sir. Queiroz. Para que ganha ele mais de um milhão de euros anos? Se me chateia que o paquiderme da PT ganhe para cima de dois milhões, por que razão ficarei sereno e expectante com o descalabro da selecção nacional que custa mais de um milhão?

Queiroz, que vive numa quinta murada e paradisíaca entre Carcavelos e a Parede, bem que pode invocar todas as desculpas e mais algumas. Não colhem. A verdade é que o oitavo lugar do ranking levou baile, na segunda parte, do octagésimo sexto. A verdade é que jogadores que ganham fortunas foram rabiados por um chinês do Mafra. Do Mafra? O homem devia era naturalizar-se português e ser convocado para a selecção. Qual selecção? A do Queiroz, pois então. Aquela que vale uma fortuna, mas que passou uns bons vinte minutos a ser vaiada? Essa mesma. A segunda, portanto.

E os olés a favor da selecção chinesa? Que raio de gente esta que quando não está contente com o desempenho da sua selecção começa a celebrar o baile dos adversários? Teria sido uma partida da queima das fitas, urdida por alguns estudantes mal intencionados? Nada em Portugal é linear. Nem a selecção, nem o público, nem o treinador, nem a campanha que o assiste. O jogo de ontem foi de preparação de qualquer coisa. Ocorre-me que tenha sido de preparação para o descalabro que se avizinha. Isso é puro pessimismo! – dizes. Não é. É puro realismo. Mesmo que ganhe jogos, a selecção já mostrou o que é. Essa imagem ninguém a desfaz; e acompanhará os tugas, ao som daquela música histérica que todas as crianças com distinto zelo nacionaleiro ensaiam nos seus quartos. É este o jogo que teremos na memória. Julgo até que aqueles quatro minutos de prolongamento foram um bónus para ver se a selecção de Mrs. Neli Furtado não saía dali com o magro um a zero. Para ver se aquele espectáculo de descordenação de varelas, miguéis e mendes, ficava mitigado nas nossas memórias.

Chocámos com a muralha da China (trocadilho brejeiro de fraco recorte estilístico e que qualquer jornalista desportivo poderia erigir em largas parangonas); e esta nem sequer era particularmente sólida ou inamovível. Rezará a história que uma das selecções portuguesas andou para ali aos papéis durante uma das segundas partes mais penosas dos anais do futebol. Ponham mas é o Benfica a jogar na África do Sul.

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