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Espelhos

Fevereiro 26, 2010

Esta publicidade é à pedofilia. Não é contra a pedofilia. É um elogio à pedofilia. Os argumentos que o responsável aduziu para a justificar são clarinhos como água. Segundo ele, fumar é uma subjugação ao vício, e qual é o maior símbolo de subjugação? O sexo oral. Quê? Sexo oral, mêmo? Não explica se vê o sexo oral praticado na mulher – vulgo cunninlingus – como símbolo de subjugação. Mas entende o sexo oral praticado num homem – vulgo broche, mamada, blowing, blasen, faire une pipe – como subjugação. Este anúncio diz muito da vida do homem que o concebeu; mais, muito mais, do que o símbolo de uma sociedade sem escrúpulos, sem valores e onde vale tudo para vender uma ideia. Explica, mesmo que recorrendo a uma interpretação brutalmente psicanalítica, que o senhor foi vítima de abuso sexual em criança: pelo pai, por um tio ou avô, é indiferente – houve certamente uma figura masculina que o forçou a praticar actos sexuais, que o forçou a praticar o acto que ele agora tenta sublimar através de uma campanha anti-tabágica. Nesse sentido, é tanto um alerta relativo à pedofilia como uma assunção de que ela existiu na vida do homem que concebeu a campanha. “Eu fui vítima disto que estão aqui a ver. Se não compreendem que fumar é experimentar a mesma impotência, então não compreendem nada do que eu passei”, diz-nos ele nas suas imagens compostas com um misto de inocência e perversidade assumida. Por vezes, as imagens publicitárias não passam de fantasmas que os próprios publicitários transportam não sabendo o que deles fazer senão estetizá-los. Curioso mundo onde somos convidados a entrar nas fantasias reprimidas de adultos a pretexto de serem imagens que causam impacto.

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One Comment leave one →
  1. Março 1, 2010 3:12 am

    Eu gosto muito de publicidade inovadora, mesmo por vezes utilizando “imagens” que ajudem inteligentemente a compreender a validade do produto publicitado.
    Aqui, nada disto acontece, pois não há, obviamente qualquer relação com o objectivo da campanha – o deixar de fumar – e o meio sugerido, perfeitamente desajustado ao assunto. Não irei ao ponto de relacionar estas “imagens” com recalcamentos do passado do autor, mas estou de acordo que há aqui algo de perverso.

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