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Casamento é coisa de gays!

Dezembro 29, 2009

 

Em mais um momento patético protagonizado por Mário Crespo na sua gesta destemida contra o casamento homossexual, foi-nos oferecida uma entrevista com um jurista que se especializara em direito da família e, no contexto dessa especialização, dera à luz uma tese de mestrado sobre o casamento homossexual.

O momento foi patético – mas não tinha obrigação de o ser. Foi patético, porque o dito jurista era um boçal: exprimia-se mal; não tinha nada a dizer de novo sobre o assunto; metia os pés pelas mãos quanto aos princípios constitucionais e o seu alcance (veja-se, por exemplo, a confusão com a latitude do art. 13). Até o cenho franzido de Mário Crespo indiciava um certo arrependimento em ter trazido tão abstrusa personagem para a arena dos homofóbicos empedernidos.

O Dr. Duarte Santos – que começou por ser Senhor para acabar, com as devidas honras académicas, em Doutor – veio trazer a resposta final tão almejada pelo campo da limitação do casamento ao par heterossexual. E a resposta não poderia ser mais esclarecedora: deve ser limitado aos heterossexuais porque SIM. O argumento escorava-se numa razão de peso, a saber, a família é uma instituição basilar da sociedade. Não é que seja imprescindível procriar – até porque o factor procriação não deve ter prevalência sobre o factor coesão. A família é, porque é. Explicação jurídica, antropológica, sociológica, psicológica? Nenhuma. Para quê? O Dr. Duarte Santos parecia inamovível na sua convicção, embora titubeasse uns disparates mal cerzidos numa conversa que parecia imitar os diálogos dos irmãos Marx. Claro que Mário Crespo fez o seu lado da maiêutica socrática procurando que o seu interlocutor duvidasse do seu próprio pensamento. O problema é que ficaram pela primeira fase de ascensão ao verdadeiro conhecimento, não concebendo, como ditam as regras da maiêutica, um novo conhecimento. Ou seja, continuaram burros. Mário Crespo ainda avisou o seu comparsa de que iam ambos levar porrada nestes tempos de “liberdade de expressão”. E estavam à espera de quê?   

A tese de mestrado, a que Mário Crespo tanto apreciou o nome – Mudam-se os tempos, mudam-se os casamentos? -, foi desenterrada da sua origem em 2004 e posta a circular agora. Se eu não fosse distraído, diria que era mais um a aproveitar-se do Zeitgeist para ascender aos pináculos da fama. E que melhor cavalo para montar do que o casamento gay?

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8 comentários leave one →
  1. Guilherme Rodrigues permalink
    Dezembro 29, 2009 12:56 pm

    Não gostou do Mário Crespo e do Duarte Santos? Eu gostei. Voce não? Que pena pensarmos de modo diferente. É como os sexos. Há dois também. Não há mais (por muito que queira)

  2. nunocastro permalink*
    Dezembro 29, 2009 1:47 pm

    vamos lá ver se nos entendemos. algo me diz que no seu comentário está implícita uma alusão à minha suposta homossexualidade. Não sou. Sou heterossexual.

    o que eu não sou é beato, aldrabão ou homofóbico, que são as únicas condições que permitem negar o casamento aos homossexuais.

    não sei se revê em alguma delas?

  3. Guilherme Rodrigues permalink
    Dezembro 29, 2009 3:43 pm

    Sempre achei extraordinário um ser que necessita de explicitar em público qual o seu género.Quero lá saber o que é que voce é ou não é. Assuma-se que isso só a si lhe diz respeito. Quanto ao casamento gay, é um absurdo, seja voce beato, aldrabão, homofóbico ou socialista.

  4. Dezembro 29, 2009 7:16 pm

    você não estará a confundir género com orientação sexual? Queres ver que para além das condições enunciadas, há que acrescentar a de ignorante?

  5. Maria permalink
    Dezembro 29, 2009 7:20 pm

    Concordo plenamente consigo, caro Nuno Castro, fiz o sacrifício de ouvir a “entrevista” até ao fim para tentar perceber o porquê da fobia contra o casamento com pessoas do mesmo sexo. Mas no final fiquei na mesma, apenas ouvi um montão de lugares comuns, sem qualquer fundamento (se é que existe algum fundamento aceitável para esta oposição) e um enorme vazio ideológico. O “Senhor Doutor” limitou-se, desde o início, a demonstrar a sua opinião, quando deveria mostrar rigor científico e apresentar os resultados da sua suposta “tese científica”. Abraços

  6. Maria permalink
    Dezembro 29, 2009 7:33 pm

    Pois é, Nuno!
    O senhor Guilherme não deverá ser o único a não saber as diferenças que existem entre género, sexo e orientação sexual.
    Juntamente com o referendo que tanto é reclamado, o governo deveria também promover acções de informação obrigatórias. E as pessoas só estariam autorizadas a votar se possuissem um certificado de partcipação nas em acções de esclarecimento.

  7. Maria Filomena permalink
    Dezembro 29, 2009 8:02 pm

    Parece-me é que todos querem ouvir aquilo em que já acreditam e ignorar o ponto de vista de outros. Eu gostei do programa do Mário Crespo e do jurista que demonstrou o absurdo juridico de alargar o conceito de casamento à força. É engenharia social no seu pior.

  8. nunocastro permalink*
    Dezembro 30, 2009 5:40 pm

    Maria

    Completamente de acordo com as sessões de esclarecimento. É assunto demasiado sério para ser posto na mãos de labrostas em referendo

    M.Filomena
    E por que não chamar engenharia social ao referendo, que esse pode influir na vida de terceiros apenas porque existem convicções que lhes são prejuddiciais?´Isso é que eu chamo engenharia social

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