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Arrufos de Comadres

Outubro 9, 2009

Iiiiiiiiii, man – anda para aí um sururu por causa do “longo monólogo” de Lobo Antunes. Até o Pedro Mexia, homem ilustre, veio a terreiro defender a sua honra, dizer que o Lobo era mentiroso e mostrando-se ofendido, qual virgem pudica, porque o vate da literatura portuguesa confessou desconhecer a augusta personagem Mexia.

Não gosto do Mexia, devo dizê-lo. Estou no meu blog e digo que não gosto do Mexia: não gosto daquilo que ele escreve, do que diz, do que pensa. E sobretudo não gosto quando um mentiroso de tal calibre vem dizer que pode ser muita coisa mas que mentiroso não é com certeza. Quem lia, nos tempos da arruaça bloguista de Sir Mexia, aquela pocilga chamada Quinta Coluna, não tem dúvidas nenhumas em concordar que não só o Mexia nunca foi mentiroso como nunca fez chacota de ninguém!

E o que tem Mexia a dizer em sua defesa refutando de uma vez por todas o putativo desconhecimento que o bardo das letras portuguesas o votara? Diz que quando bebem café na Estefânia trocam acenos de cabeça. Ah, e mais, num livro de poesia que tem para mais de dez anos, parece que o Lobo Antunes depôs lá o seu autógrafo com um bonito rifão a rematar que gostara dos “seus” (dele, Mexia) livros. E para que não restassem dúvidas, o nosso Buvard lá produziu prova material do que dizia e vai de escarrapachar no seu blog o scanner do tal autógrafo. Estamos esclarecidos: a ligação entre Mexia e Lobo Antunes está firmemente sustentada em acenos da cabeça e num autógrafo do tempo da outra senhora.

A dama Mexia, ofendida como só ele sabe, lá verberou o sábio escritor denotando dose de despeito considerável, desde logo porque não o conhecia, e como ele bem acentua, não o reconhecia. O drama, naturalmente, está todo aí – no reconhecimento.

Sendo Lobo Antunes um poço de soberba que chega por vezes a roçar o mais boçal autismo – e nisso concordo com muitos outros – e tendo em conta que é tipo para conhecer uns vários milhares de caras do mundo literário e crítico, não me admira, não só que já nem faça ideia do livro que Pedro Mexia escreveu (não o censuro) há uns bons dez anos, como quando lhe acena com a cabeça no tal café da Estefânia, o faça com a mesma consciência com que deve acenar a milhares de gajos e gajas que por ele se querem ver reconhecidos – nem que seja nessa fugaz presunção de terem tido réplica do mestre num encontro quotidiano.

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One Comment leave one →
  1. Outubro 9, 2009 1:58 pm

    Respondo o mesmo que respondi ao Lobo Antunes: diga-me uma mentira que eu tenha escrito. Não uma opinião que se revelou errada, não um lapso de facto (uma data, a grafia de uma palavra), não uma estupidez, que disso tenho muitos, como temos todos. Uma mentira deliberada e comprovável. Uma.

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