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O bloco central redivivo

Setembro 24, 2009

Paira uma ideia por aí segundo a qual encontramo-nos em risco de recair nos tempos negros do PREC. Esta (in)sonsa suposição tem sido ventilada abundantemente por esse esmero da democracia portuguesa, homem da prevaricação Moderna e gay “armariado”, líder do partido que se diz cristão e… democrata. Vem aí o PREC – buuuuhhh. Tremam suas alvéolas! Nacionalizações em barda! Ai meu deus que vão comer criancinhas, o Portas fica sem Jaguar, etc, etc.

Por seu turno, os putativos homens do PREC, afiam facas para se fazerem ao governo, tornar o PS refém do seu peso no hemiciclo da República e firmar as suas posições nas leis da nação. Ambos são uns exagerados.

O bloco central de interesses de que fala Louçã é absolutamente real; tão real e concreto, que na realidade é a única coisa que se joga nestas eleições. Troca-se um Gomes por um Relvas na Galp; substitui-se um Moura por um Negrão na Iberdrola, e assim sucessivamente. É isto, e apenas isto, que agita as hostes partidárias do PSD e que leva o PS a cerrar fileiras em torno do seu líder.

Nada disto é propriamente novidade. O que constitui matéria para reflexão é o facto de, talvez ingenuamente, o BE julgar que logrará um lugar de relevo na próxima legislatura. A minha convicção é que não terá. Ou melhor, continuará a ser a tão necessária e esclarecida oposição que tem sido até ao momento. Porém, a natural solução para um país que, pese embora as insistentes declarações em contrário, não é sociologicamente de esquerda, mas sim de centro (flutuando umas vezes para o centro-direita e outras para o centro estatal), é a força centrípeta do bloco central. Esta força existe no mundo dos negócios e a política do centro é uma tradução directa das jogadas neste mesmo mundo. Não estamos já no domínio da autonomia relativa, mas antes no reinado da plutocracia absoluta.

O jogo entre PSD e PS é só esse; não admira portanto que em vão se procurem grandes diferenças de fundo entre os programas dos dois partidos. A trabalheira que MFL deve ter tido para não decalcar o seu programa do já existente do PS. Com ou sem TGV, as políticas de fundo redundam, mais coisa menos coisa, no mesmo.

Agora, o problema é a brutal animosidade entre os dois líderes partidários e seus sequazes. Esta porfia militante faria antever uma impossibilidade estrutural em matéria de acordos parlamentares ou sequer de convivência institucional. Prima facie, tudo apontaria nessa direcção. Salvo o facto de Pedro Passos Coelho não ter nunca mostrado animosidade particular ao PS e ao seu líder. Verdade: PPCoelho é do PSD e esgrima com as armas do seu partido contra o PS. Mas nada comparável aos ataques verbais proferidos por Graça Moura, Rangel ou Pacheco Pereira – para não falar da líder – lhe são, ou foram, conhecidos. E PPCoelho é o homem providencial depois da hecatombe que se antevê para o PSD. É também o homem que fechará o ciclo do cavaquismo; dado que nada o prende a essa geração para além da sua juventude e ambição partidária da época do cavaquistão.

Consequentemente, ele é o líder perfeito para fazer a transição. E mais. Ele é o único homem no PSD com capacidade para mediar a solução de um bloco central. Ele e Sócrates não são assim tão distantes. São ambos resultado de uma ascensão partidária fulgurante. Ambos provenientes de uma geração diferente do cavaquismo e do soarismo, respectivamente. Ambos lideres modernos e bem enfarpelados. E assim como Sócrates fechou o ciclo do PS de Soares; é provável que Passos Coelho venha a fazer o mesmo ao ciclo cavaquista.

Se repararmos bem, o PSD está velho. Aquelas personagens já por lá se arrastam há anos. Ninguém se identifica mais com as cãs de Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura ou da própria Ferreira Leite. As figuras emblemáticas do PSD são o oposto do sangue novo que parece não fluir nas cúpulas daquele partido. Passos Coelho é uma alternativa séria. E é porventura a alternativa mais aliciante para um PS em minoria na Assembleia da República.

Agora que o ciclo Cavaco fecha em desgraça, o PSD terá que abrir mão dos seus barões e renovar o aparelho. Para Sócrates, seria o melhor aliado que lhe poderiam dar.

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