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Coisas de antanho

Setembro 21, 2009

Vivemos em asfixia democrática – é o que constato quando um PR encobre um dos seus assessores que mais tarde viria a ser acusado pelo MP, um director de jornal afirma em televisão que não comenta uma opinião do provedor do Público em público quando se fartou de o fazer na blogosfera, e quando o patrão da SIC vem, a uma semana das eleições, acusar o governo de manipulação da comunicação social. Vivemos de facto em asfixia democrática. Não é de agora. É desde que não se podia mostrar simpatia pelo partido comunista nas escolas e nos empregos no tempo em que o Cavaquistão parecia ser eterno; desde que os jornais e as televisões seguem descaradamente agendas políticas; desde que fomos bombardeados com um quase consenso informativo (melhor seria desinformativo) sobre a bondade da guerra contra o Iraque; desde que nos emprenharam com a guerra anti-terrorismo esquecendo-se de nos avisar que aquilo só servia para a manutenção de um projecto imperialista; desde que temos Pacheco Pereira com um programa que nos ensina a ler nas entrelinhas das embrionárias conspirações esquerdistas.

Sim, vivemos em asfixia democrática. Mas não é de agora. É desde que temos um comentador-historiador ou um historiador-comentador como Vasco Pulido Valente não tem pejo em mentir para fazer valer as suas teses; desde que os politólogos nacionais afinam pelo mesmo diapasão, limitando-se a declamar em entoações variegadas o mesmo mantra; desde que Barreto e Pereira se encontravam em duetos de Dupond e Dupont: sim, eu diria mesmo mais – Vivemos em asfixia democrática. Sem dúvida que vivemos em asfixia democrática. Quando um presidente diz que não fala sobre um caso de putativas escutas que o implica directamente escusando-se na sua esfíngica figura, é asfixia democrática. Quando um primeiro-ministro é semanalmente destroçado num telejornal nacional e quando se tenta defender é acusado de manipulação da comunicação social, é asfixia democrática. Quando uma ministra da educação é raivosamente insultada por uma classe que apenas quer manter os seus privilégios, é asfixia democrática. Quando a isto se juntam ovos atirados por jovens que não conhecem mais do que os bares do Bairro Alto e sonham com o dia em que puderem cravar um carro aos paizinhos, é asfixia democrática. E quando nos empregos os chefes usam da sua prepotência, da ameaça do desemprego, exorbitando os seus direitos para além do vínculo laboral sem que nada possa ser dito, é asfixia democrática. E quando uma ex-ministra, agora candidata a primeira-ministra do nosso país aponta como exemplo de democracia a Madeira de Jardim, anuncia com certeza, mais asfixia democrática.

Vivemos em asfixia democrática. Mas não é de agora.

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