Skip to content

Micro-embustes

Abril 24, 2009

Há algum partido que devessemos tomar por ocasião dos festejos do 25 de Abril? Sim – sermos contra o crédito para as micro-empresas. O que é uma micro-empresa? Para além daquilo que o prefixo imediatamente indica, a micro-empresa é o salão de cabeleiro da esquina, o ginásio da musculação que fica no fim da rua, a boutique que enfeita uma rua decadente do centro da cidade, um restaurante à beira mar, etc, etc. Quem já observou com alguma atenção o comportamento típico de um dono de uma das famigeradas micro-empresas, não terá com certeza deixado de notar que usualmente pára o seu Mercedes ou BMW à porta da micro-empresa, sai do seu bólide com os óculos escuros da moda e dirige-se em passo estugado para os portões do seu empreendimento. Julguemos por momentos estes espécimes com objectividade. Na mais das vezes trata-se de empresas familiares, pai, mãe, e filhos adultos todos dão uma mãozinha para o negócio contribuindo assim para a renda e heranças familiares. Quando assim não é, a micro-empresa geralmente explora um(a) brasileiro(a) ou, mas isto em tempos idos, um cidadão proveniente do Leste europeu. Ora isto nem sequer implica que não se possa estabelecer uma relação de simbiose entre as partes envolvidas no processo. Não só pode, como é frequente acontecer. Significa no entanto que a micro-empresa se aproveita geralmente de mão de obra barata – muito barata – não cria riqueza para além daquela que é aproveitada pelo seu dono, não oferece emprego para além do estritamente necessário para as dimensões do negócio, e mais importante, não é substancialmente inovadora. Neste sentido, a micro-empresa para além da sua existência e dos serviços cobiçados por quem ao pé dela mora, pouco acrescenta à economia nacional. Na verdade, um tecido económico, como é o português, em que quase 80% das empresas são PME é um pantanal para a própria economia. Trata-se de um terreno de sanguessugas. Donde revolve-se-nos o estômago quando vimos uns senhores de umas corporações do comércio perorar por mais apoios estatais. Leia-se, mais dinheiro dos contribuintes. A sensação que eu fico é de estar a contribuir para mais uma casinha nos arrabaldes, mais um carro topo de gama, mais umas férias no Brasil, e por aí fora. Há qualquer coisa de obsceno na centralidade e ênfase que é colocada nesta exigência. Qualquer coisa que poderia bem ser resolvida numa inventariação dos bens de luxo do proprietário da micro-empresa e só depois, quando se concluísse que não havia mais património passível de ser alienado, se procederia ao apoio estatal. É que, como o nome indica, as micro-empresas deveriam fazer micro-negócios e não alimentar macro-luxos. Obviamente, que a administração estatal não tem capacidade para levar a cabo um escrutínio tão alargado. Por conseguinte, de tanto ecoar nas ondas hertzianas os reptos ao apoio dos coitados que gerem micro-empresas ficamos todos a acreditar que é medida que aproveita a todos e ao país. Desenganemo-nos.

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: