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Natal é quando o burro quiser

Janeiro 9, 2009

Não falei do Natal. Do espojar no universo dos brinquedos, da eterna juventude e resfolegar como suínos no sopé da árvore de Natal, que se arroga a montanha tal o simbolismo que ganha no centro, ou no canto, no mais recôndito canto, da sala de jantar.

Ah, e a família, a dessacralizada família – onde caíram os desígnios de santificação? Penso que terá sido à entrada e à saída destas alegres efemérides familiares; entre a maledicência e a inveja; a perturbante cagança e a não menos desconcertante modéstia cristã; tudo enrolado com peru (ou teriam sido camarões com jindungo, trés africano, trés pós-neo-colonial, como il faut) e o recheio?, aquelas piadas e chocarrices atiradas no ripanço da lareira ou do jardim de Inverno…o cão, com o focinho sobre os joelhos a babar-se, continuamente a babar-se, e para ele, que se foda o presépio – espero angustiadamente os resquícios da perna de peru: pensa o cão, que não é como nós, como queria um famigerado poeta, mas simplesmente mais anafado. 

Uma prima (muito antiga!) comenta uns quadros…pensando, em boa verdade, nos preços e não na estética. E no natal, desde quando a estética interessa a alguém? Contaram-se os cartões de crédito; empreenderam-se verdadeiras viagens às superfícies comerciais, e comprou-se, como quem faz amor, amor verdadeiro. Isto seria uma crítica se eu não gostasse de me passear pelas insuportáveis superfícies comerciais e observar as belas mulheres nas suas esguias pernas (quando não roliças e nédias) a afeiçoarem o pezinho às suas novas botinas. E penso que também isto é o natal – foder, foder, foder…depois comer, comer, comer (ou na ordem inversa?). Quererei eu dizer que o natal, para além (ou mesmo dentro) das aventuras do presépio é uma festa de sensualidade, na realidade, de desabrido erotismo? Nem pode ele ser outra coisa. A família guarda desejos obscenos. Desejos prodigalizados uns aos outros: o avô à prima; o primo à tia, e por aí fora. Uma festa de dar e receber que não escondesse as suas conotaçõezinhas sexuais não seria uma festa de prazer e de luxúria. A imaculada, a mãe, a que concebe sem pecado, teria que ser ultrapassada pela festa da lascívia, do sexo, do não mais do que pecado, compro para pecar, e tudo muito bem enrolado nos cânones do erotismo…da juissance, ouço dizer? Arrematado, por aquela senhora ali ao fundo, aquela do negligé negro e das mamas transbordantes; aquela, a que sopesa o menino, com um mamilo carinhosamente abocanhado pelos lábios quentes da criança…E o burro? Quer levar o burro, também? Bem, não estava de facto previsto – o burro é um dos figurantes. Mas se assim insiste…porque não?

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2 comentários leave one →
  1. Janeiro 10, 2009 3:52 am

    da me asco ve lo a desaproveitar talento e labor

  2. Janeiro 10, 2009 3:33 pm

    Ó homem, você leva-se demasiado a sério; ao passo que eu…

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