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E o Pacheco Pereira, onde é que ele anda?

Novembro 7, 2008

 

A afirmação de Berlusconi não podia ser mais minorante e enxovalhante para Barack Obama. Alguma imprensa, na sua miopia costumeira (deliberada?) adora incensar Berlusconi e quando não o faz, desculpa-o como inimputável. Desta vez, tomaram o caso como uma escorregadela, mais uma gaffe a juntar à antologia de putativas gaffes de Berlusconi.

Só que, geralmente as atoardas de Berlusconi não são gaffes; são propositadas e são feias. A frase de Berlusconi exigia um pedido de desculpas imediato. Uma vez Pacheco Pereira insurgiu-se contra o facto de um comentador de televisão ter feito reparos menos ilustrados sobre o presidente norte-americano G.W.Bush. Mas até agora, nem uma palavrinha sobre Berlusconi saiu da boca do normalmente tão preocupado defensor da moral e dos bons costumes. Claro que PP seria o primeiro a discordar que a afirmação de Berlusconi vem tingida com as cores mais grotescas do racismo – só faltava mesmo acrescentar, boy!

Berlusconi, ao contrário de Obama, e não obstante gabar-se do contrário, não é bonito nem jovem e, com a idade, o seu bronze vai-se segurando cada vez pior a uma pele envelhecida. Berlusconi é o retrato do que pior a Europa tem. Esse lado europeu, que tem tanto de decadente, senil e ignóbil, como de aristocrático, conservador e prepotente, é o aspecto a que aludi em baixo, do qual a América de Obama se deveria divorciar. É, obviamente, o lado a que pertencem Barroso e, mais abaixo na escala hierárquica, mas não na prática, Pacheco Pereira e outros tantos que têm vindo a acordar obamo-convertidos (embora, se tivessem oportunidade, votassem em McCain) e que sempre, mas sem excepções, tiveram ao lado de Bush e dos seus falcões.

Berlusconi representa também uma vertente da política no seio da União Europeia. Por cá, temos em ponto pequeno, o nosso Jardim, o da Madeira. E muito se falou da berluscanização, mormente dos países do sul da Europa. Ela é uma constatação empírica. A Itália que votou novamente Berlusconi é o espelho vivo de quão profundo e arreigado se tornou esse fenómeno. Na Itália de Berlusconi os métodos mafiosos alastraram a todo o corpo social. A corrupção, a falta de ética, o desprezo pelas regras, os mil e um métodos de desrespeitar essas mesmas regras,

O governo italiano não apresentou um pedido formal de desculpas. Ao invés, Berlusconi chamou “imbecis” a todos aqueles que o acusaram, escudando-se na patética justificação de que era uma comparação com Medvedev – jovem, belo…e, claro está, bronzeadíssimo. Não importa. Milhares de italianos apresentaram desculpas por ele e mostraram o seu desconforto e vergonha pelo primeiro-ministro que têm (suponho que a maioria não se sente tentada a pedir desculpas, visto que o elegeram).. O Corriere de la sera, transcreve algumas no corpo da notícia: tímidas intervenções comparadas com a maioria dos comentários deixados no Caucus, o suplemento de política do NYT.

Só que, e isto ainda parece o mais interessante, Berlusconi tentou justificar-se, algo que não fez quando chamou “capo” de campo de concentração a um deputado alemão no parlamento europeu. A América, mesmo com um presidente “bronzeado” inspira muito respeitinho.

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