Quinta-feira, Feira da Ladra

Quinta-feira é o dia do CDS no Diário de Notícias. Lomba de um lado; Nogueira Pinto do outro. Sabemos que é o dia do CDS por causa do inconfundível cunho moralista que os dois articulistas infundem aos seus escritos. Lomba, está sempre pejado de premissas morais, que ele, como bom conservador carrega e agita contra a esquerda displicente e contraproducente. Nogueira Pinto, pelo seu lado, acusa sempre, de dedo em riste, hirto, as instituições da nação e a sua deliquescência. É o dia do CDS. Embora não tenha este qualquer expressão nacional, surge impante às quintas-feiras, e nós habituamo-nos a ler as preces que estes dois debitam do alto dos seus púlpitos. À quinta-feira, no DN, sabemos que os dois que escrevem, fazem-no como irmãos siameses, de tal forma a sua matriz política ecoa, numa infinda ressonância, os mesmos argumentos e desideratos. Lomba e o seu (pretensamente) demolidor moralismo; Nogueira Pinto, e a sua (pretensa) rectitude moral. Assaz inconsequentes, ambos.

Caramel

O escritor Luís Carmelo publicou um livro sobre a blogosfera. Temática certamente interessante, não se desse o caso de o ter feito para os amigos. Assim, em vez de uma análise séria e cuidada desse novo fenómeno a que se convencionou chamar blogosfera, Carmelo escolhe criteriosamente os blogues amigos, e em vez de interpretação oferece-nos um panegírico. É claro que para Carmelo só existem blogues de direita – os amigalhaços da rua do snobismo e do ademane estudado. Os blogues de esquerda não existem para Carmelo; ou então não se elevam à fasquia empíria que Carmelo, com a certificação dos profissionais da comunicação, impôs às suas escolhas. Pelo menos ficamos a saber que existem preferências que coincidem com as linhas de divisão política. Enfim, não poderíamos desejar que este estudo(?) fosse mais estruturalmente análogo à blogosfera.

O censor

Ontem, Francisco José Viegas falava do realismo mágico sul-americano. Fazia-o no contexto de um elogio propagandístico à obra de Rulfo, Pedro Páramo. E até aqui nada de mal. Dando largas ao seu saber literário, inscreveu Rulfo nesta corrente, a par de Garcia Márquez, e de Borges, a quem considerou ser o verdadeiro mentor deste grupo. Com elogios hiperbólicos a Pedro Páramo, foi avisando que ali estava a obra maior do realismo sul-americano. Não contesto. Esqueceu-se foi, na sua preleição literária, de fazer referência a um outro grande, porventura tão grande, nome: Alejo Carpentier. Não me custa intuir porque razão hiperbolizou o primeiro e silenciou o segundo. É que Carpentier era comunista; e Viegas, sabe-se, escolhe por afinidades electivas.

PALINódia

Roubei isto no Cinco dias porque acho que é ilustrativo quer do post que postei em baixo quer daquilo que gostaria de designar por oligarquia do petróleo. Parece que esta continua em boa forma e que apenas as caras de Bush e Rice foram substituídas por McCain e Palin. O resto é fait divers.

Palin

A escolha de Palin para vice-presidente tem o seu quê de estratégico. Mas nem tudo é (ou tem que ser) estratégico em termos eleitoralistas nas escolhas de um político. Os argumentos avançados para a escolha por comentadores diversos prendem-se com a ideia de McCain ter escolhido Palin porque ela, sendo mulher, pode emular Hillary (uma surrogate mother para o povo americano). McCain estaria assim apostado em atrair as mulheres descontentes com a derrota de Hillary. Uma segunda versão, assevera que Palin está lá para atrair a direita evangélica, os maluquinhos do criacionismo e do equivalente ao movimento pro-vida da nossa nação. 

En passant, as duas razões parecem contradizer-se e até serem antagónicas. Atrairá Palin as mulheres que votariam Hillary? Poderá o eleitorado de Hillary ser arregimentado por uma doida varrida anti-aborto, a favor do ensino do criacionismo nas escolas, sofregamente evangélica, belicista demente que dá o nome para as campanhas da NRA (National Rifle Association)? Bom, e assim de repente, nos USA tudo é possível. Todavia, desconfio que as mulheres que votariam Hillary, mulheres de classe média, emancipadas, algumas feministas, mesmo que não extremadas ou fervorosas, enfim, não me parece que se revejam em Palin. Embora, admito que a sua juventude e, sobretudo, a ladainha da “mother of five” muito desportiva possa ofuscar algumas consciências mais turvas.

A segunda hipótese, a de se tratar de um plot para captar a direita evangélica parece ser extremamente lógica e escorreita. Mas precisava McCain de Palin para isso? Há quem diga – pobres ingénuos! – que a direita evangélica não ia muito à bola com McCain…Só não iria se do outro lado não estivesse alguém como Obama. O quê? Estarás a dizer que a direita evangélica se sentiria cativada por um democrata…arrisquemos…branco. De modo nenhum. Mas certamente, e ainda menos, por um democrata negro. Não custa imaginar a direita evangélica a ter suores frios ao ver uma Covenção de Denver repleta de rostos mais tisnados do que os do Michael Jackson quando ainda torcia o bico do sapato nos estrados por onde tap-dançavam os Jackson 5. A direita evangélica suporta uma Rice – uma senhora, caraças! -, ou mesmo um Powell – um mister, caraças. Porém, quando chega a hordas de negros a dizerem em uníssono que o I have a dream é finalmente qualquer coisa que came true, alto lá com o andor que as nossas plantações estão a saldo. Concedo que isto será uma caricatura dos states, mas certamente o que a direita evangélica não quer ver é hordas de deserdados da terra – a deles, dos branquinhos – a marcharem sobre Washington reclamando por saúde pública.

O aspecto maverick da senhora Palin também não seria dispiciendo; não se desse o caso de McCain, himself, ter de Maverick que dê e chegue para encantar todos aqueles que desejam ver Washington a ferro e fogo, ou corrido ao paulada, como a senhora Palin deixou aludido.

Então, porque corre Palin e por que corre McCain a seu lado? Alaska. Eis the magic word.

In 2008 the plan for the Northeast area is in the process of being changed. The ROD for the Northeast reserved 800,000 acres (3200 km²) of the most ecologically sensitive areas, mostly around Teshekpuk, as a wildlife reserve. In January 2005, the George W. Bush administration decided to eliminate the reservations for the most sensitive areas. This decision was challenged by lawsuits. On September 7, 2006, the US District Court in Anchorage blocked the sale of leases on 600,000 acres (2400 km²) of wetland around the Teshekpuk Lake area. In response to the court, BLM released a Supplemental Integrated Activity Plan/Environmental Impact Statement. The agency is expected to issue a final supplemental statement in the spring of 2008 and may hold a lease sale for the Teshekpuk area in the fall of 2008.

Foi justamente na altura em que Bush queria mandar abaixo as proibições ambientais no Alaska para expandir a exploração de petróleo e gás que a senhora Palin aparece no pedaço. Em 2006 é eleita governadora do distinto estado que, à superfície é um ermo, mas que nas camadas inferiores alberga uma das grandes reservas petrolíferas mundiais. Ora, a proposta mais sonante de McCain durante a sua campanha  foi a do drilling. Já sei: o surge no Iraque também é relevante. Mas o Iraque é um atoleiro, e quer McCain proponha um surge quer não, os americanos querem é ver aquilo pelas costas e quanto antes. O surge é psicanalítico. McCain, a quem quebraram os ossinhos no belo Hanoi Hilton (a prisão mais temida do Vietname) nunca mais largou a ideia de aumentar os contingentes militares nos territórios que USA pretendem ocupar. Por isso, cada administração que vem, McCain sarrazina-lhes os ouvidos no sentido de enviarem mais e mais tropas para o teatro de guerra – seja ele qual for.

Voltando a Palin e ao drilling. Parece óbvio que o melhor caminho para o drilling sem chatices é ter no bolso o (a) governador do Alaska. Parece também óbvio que a ideia do drilling é herança da administração anterior. E parece ainda mais óbvio que não há ruptura nenhuma – a menos que seja a ruptura na continuidade – entre os neocons de Bush e os neocons de McCain, como alguns patetas não se cansam de repetir. O resto é acessório. Mas se resultar, melhor ainda. Se o charme, ou as característcas de Palin, apelarem para o eleitorado Hillary, McCain faz o pleno: as eleições e o drilling. A walk in the park.

Não é parvo este McCain. Os americanos, esses, são-no. Como aliás deixaram provado com a reeleição de Bush.

The conservation movement as a whole has put less effort into preserving the NPR-A than it has into protecting the smaller Arctic National Wildlife Refuge to its east. A citizens’ proposal to conserve the entire NPR-A as a National Pleistocene Refuge, with no future oil and gas leasing, has been put forward. Other conservation initiatives have concentrated on specific areas within the NPR-A that are particularly rich in wildlife such as the Teshekpuk area and the wetlands along the Ikpikpuk River in the Northwest. As of early 2008, these campaigns have not achieved any permanent successes, despite the fact that a committee of the National Research Council in 2003 published a report that supports environmental claims that oil and gas extraction in the reserve causes extensive environmental damage.