Skip to content

Felizmente que não aconteceu nenhuma tragédia

Agosto 9, 2008

Assim fecham quase todas as notícias sobre o sequestro do BES. É de ficar perplexo: morreu um jovem de vinte e poucos anos e outro encontra-se em estado crítico no hospital. Ambos baleados.

Continuo baralhado, confuso, quiçá, transtornado. As versões contradizem-se. No Público dizem que um dos assaltantes foi atingido no crâneo; no DN dizem que foi atingido no torax. No vídeo, ouve-se um primeiro tiro dado por um sniper que acerta num dos assaltantes que está à porta. O segundo tiro é dado com a polícia a avançar para dentro do banco. Teria o sniper disparado com o cordão policial já a avançar para o interior do banco? E não seria isso demasiado arriscado? Ou terá o segundo tiro sido disparado dentro do banco, por um dos polícias que franqueou a porta?

Talvez por excesso de zelo policial, o segundo assaltante foi também alvejado; de tal forma que se encontra em estado crítico no hospital. Felizmente que…nenhuma tragédia, felizmente.

Um ainda mais zeloso criminalista afiançava que aquilo era cultura. Por cá não temos nada disso. São lá coisas dos brasileiros, de uma sociedade violenta, nos antípodas do nosso pacato e amodorrado quotidiano. Este homem chegou a ver a pequena Maddie a ser degolada pelos pais, fria e cruelmente decepada, membro a membro enterrado no átrio da Igreja; este homem, que propalou na televisão certezas criminais ao arrepio de qualquer investigação, certezas acolitadas em bocas, fugas de informação, boatos, cochichos e outras estratégias periciais, vem agora dizer-nos ufano que aquilo…bom, brasileiradas – muito violento, né? Mas logo de seguida, o comunicado da polícia diz que a nacionalidade dos sequestradores não importa, e que tanto poderiam ter sido brasileiros como italianos que a polícia não discrimina os seus alvos. Terão negociado em que língua então?

O que pelos vistos não fica aquém da violência brasileira, é o desvelo com que a polícia despachou os dois sequestradores. Nisso podemos orgulhar-nos: qual comoção à americana, com a câmara a sobrevoar o corpo dos raptores em câmara lenta, deixando aquela sensação amarga segundo a qual o desfecho poderia ter sido outro, qual quê! Foi uma operação exemplar. Limparam-se os bandidos, resgataram-se os reféns.   

Felizmente que não acabou em tragédia.

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: