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Zombie attack!

Junho 23, 2008

Quando li o título do artigo de César das Neves de hoje no DN – O Regresso do Zombie (…) – julguei que se referia a Manuela Ferreira Leite. Cedo desfiz a confusão quando cheguei ao “Constitucional”. MFL não poderia ser um Zombie…Constitucional – mas somente um Zombie.É essa a sensação que se fica quando se ouve MFL a discursar, quando se olha para as suas fotografias, quando se lê as suas entrevistas. A todas as suas intervenções MFL empresta aquele ar de deja vu, de algo que regressou para nos atormentar, de um morto que regressa à vida, arquejante e titubeante no andar para apenas permanecer vivo, num estado intermédio, entre a vida e a morte. Um estado de eternidade indecisa, portanto.

Atente-se, por exemplo, no jargão político inovador: “o país vive uma quase emergência social”. Ecoa, obviamente, o agora longínquo, “crime de cidadania” que na sua prolixidade Durão Barroso repetiu exaustivamente. Vamos, por conseguinte, ouvir o termo “emergência social” ad nauseam. Até que apareça um tacho chorudo na União Europeia – quiçá numa comissão ad hoc para renovar um tratado já de si renovador.

Continuando com os malabarismos retóricos, MFL surpreende-nos com uma súbita preocupação pelas questões sociais em detrimento de, pasme-se, uma exclusiva atenção ao betão. O zombie novamente, desta feita como regresso do reprimido. O zombie enquanto expulsão de uma excrescência que não encontra forma de ser absolvida. Pois esta, como toda a gente ainda se recorda, era a acusação feita contra Cavaco pela esquerda e pelo PS de então. Aliás, MNF sempre mostrou uma preocupação assaz insistente com as questões sociais. Foi assim enquanto Secretária de Estado adjunta e do Orçamento onde sérias preocupações com as desigualdades pontuaram o seu mandato. E foi assim enquanto Ministra da Educação, na qual deu mão livre ao trabalho iniciado por Roberto Carneiro de deixar licenciar universidades privadas sem qualquer critério. Claro que a cereja no topo do bolo, foi fazer parte de um dos governos com maiores preocupações sociais dos últimos tempos: o XV Governo Constitucional chefiado por Durão Barroso. Quanto a este, nunca será de mais enaltecer as preocupações com a pobreza e com as assimetrias sociais evidenciadas por ministros como Bagão Félix (o homem que acabou com o rendimento mínimo garantido), Pedro Lynce (Ministro da Educação que mal sabia construir uma frase), Isaltino de Morais (o homem que mais fez pelo ambiente neste país – sobretudo pelo ambiente dos corredores dos tribunais), Celeste Cardona (um modelo de isenção à frente da Justiça), Carmona Rodrigues, como Ministro das Cidades e Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação (entretanto envolvido numa teia de negociatas que o haviam de derrubar da Câmara de Lisboa). E finalmente, a Manuela, impar Ministra das Finanças, que agora parece que esqueceu a sua velha obsessão com o défice e com a cobrança dos impostos e vem propor um alívio na carga fiscal. Se isto não é o regresso de uma maldição, então não sei o que será.

Em contrapartida, temos uma genuína preocupação com a carga fiscal, muito à la Tatcher, com a retórica, muito em voga, da classe média a sofrer por excesso de zelo estatal. Só que, contrariamente a Tatcher, que não tinha preocupações sociais nenhumas e não o escondia, MFL quer fazer o pleno, apostando nas causas sociais com corte de impostos. Isto é argumento que tresanda a mofo. Uma verdadeira estratégia populista. Não perca a sequela de o “Regresso dos Mortos Vivos – a maldição do Zombie Social Democrata”. Num cinema demasiado perto de si.

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