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Traumnovelle

Junho 20, 2008

 

Terminou o sonho (para alguns o pesadelo). Não foi propriamente  surpreendente. Apenas para algumas consciências (ou inconsciências) mais arreigadamente nacionalistas não era óbvio que Portugal ia ficar pelo caminho. E isto, esta sensação de destino inexorável, nem tinha a ver com um pessimismo irrealista que se carrega como uma cruz. Bem pelo contrário: baseava-se na observação mais honesta e realista possível.

Quando é que aconteceu? Ou melhor quando é que se deu o ponto de não retorno? No jogo com a Suíça. Para obviarem o trauma algumas cabeças pensantes inventaram a ideia de uma dádiva à pobre selecção da Suíça que se não fosse por nós teria saído sem sequer um golo para mostrar aos netos. Nos jornais, tiveram o topete de lhe chamarem prémio de consolação. Ora eu digo que os prémios de consolação normalmente são medalhas de lata ou esculturas de metal com a data da efeméride gravada – não é levar dois secos sem resposta.

Não por acaso, após o jogo da Suíça, quem estivesse atento aos odds do bet.com, Portugal caiu a pique e encontrava-se bem atrás de selecções como a Holanda, a Espanha, a Itália ou mesmo a Alemanha. É que estas, não tendo a magnanimidade dos portugueses, não deram prémios de consolação a ninguém. Sobretudo a Holanda e a Espanha que não jogando com as equipas principais não foram para o campo brincar.

Viu-se portanto que o srº Scolari safa-se quando tem um conjunto de jogadores de luxo. Quando não os tem, afunda-se. E isto não era um bom prólogo para o embate Alemanha-Portugal.

A comparação entre a eficiência das selecções holandesa e espanhola e a portuguesa mostra claramente que Portugal não era candidato ao título (apesar de eu ter pensado o contrário). E se é verdade que o jogo contra a Alemanha foi marcado por incidentes que a não acontecerem poderiam ter ditado outro desfecho, ao fim de praticamente meia hora a Alemanha já ganhava por dois a zero. Por conseguinte, a supremacia alemã era total. Depois foi apenas gerir o resultado. O terceiro golo da Alemanha é uma falta clara do sevandija do Ballack sobre o Paulo Ferreira; mas foi um golo tirado a papel químico do segundo – pontapé livre para dentro da área à espera da cabeçada de Ballack ou de Klose.

Ricardo esteve mal. Não sei se poderia ter salvo o jogo. No segundo golo da Alemanha ele é o culpado ao não sair da baliza com a segurança que se impunha. Mas a história do jogo começou a ser escrita com os sucessivos ataques da Alemanha, logo nos primeiros vinte minutos da partida. E Portugal nunca deu a devida réplica.

Salvam-se os últimos dez, quinze, minutos, em que Portugal foi notoriamente melhor. Mas por essa altura já a Alemanha estava à defesa, uma verdadeira muralha que não se deixava atravessar pelos remates portugueses.

 

No final de contas, tivemos um grupo fraco que nos permitiu brilhar. Com as fragilidades conhecidas da fase de apuramento, caímos quando defrontámos um adversário mais à altura. Não surpreende. E talvez seja desta que aprendemos a não cantar de galo. Ao contrário do que é vox populi o problema de Portugal e dos portugueses não é falta de autoconfiança – é excesso dela.

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