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“Coming outs” políticos

Fevereiro 19, 2018

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O coming out do vice-presidente do CDS não é o mais surpreendente da história recente deste partido. O mais insólito é como puderam os democratas-cristãos conviver com um presidente homossexual durante mais de 18! anos sem este nunca ter assumido que o era. Estaríamos no entanto enganados se pensássemos que o coming out de Mesquita Nunes é algo pacífico no seio do cds, um partido com pergaminhos católicos impecáveis. Não creio que seja. Aliás, Paulo Portas teve que lidar com essa ambiguidade grande parte do seu mandato. O facto de se deslocar com uma senhora simpática durante as típicas arruadas que tanto o caracterizaram, mostrava uma genuína preocupação com a imagem do chefe do CDS. Era no entanto um segredo de polichinelo; como seria também a orientação sexual de Mesquita Nunes entre os eleitores da Covilhã. As pessoas sabiam, já para não falar quem por perto do parlamento andava, que Portas tinha uma relação complicada com a heteronormatividade. Mas ao contrário do agora vice-presidente do CDS, optou por escorraçar esse lado mais cinzento da sua vida para uma zona obscura e não comentada. Mas isto não quer dizer que ela não tenha apresentado os sintomas de uma zona traumática no seio do CDS. Tal conflito, ou ambiguidade, está bem patente nas reacções de ribeiro e castro ao coming out de Graça Fonseca do PS… com um paralelo silêncio em relação ao seu vice-presidente.

Por exemplo, no site da alt right portuguesa – o blasfémias -, o momento da revelação não foi propriamente brindado com entusiasmo e fervor partidário. Pelo contrário, foi mencionado em pé-de-página num post de chuta para canto, como a dizer, isso é coisa que nem interessa discutir. Porém, interessa e muito. Porque é preciso perceber se partidos como o CDS acolhem as orientações de alguns dos seus membros porque tem que ser, porque não há nada a fazer, ou se estas confrontações espelham de facto o alargamento dos entendimentos relativos ao modelo de família, e em última análise, de identidade, que o partido consegue conciliar com a sua doutrina. Melhor dizendo, se tais aceitações significam abertura nos paradigmas da vida em sociedade que toda a doutrina política encerra – umas vezes de forma mais implícita outras mais explicitamente.

No CDS parece-me que uma tal observação é particularmente pertinente. Desde logo, porque as concepções que o CDS tem de família, de vida, de parentalidade e de conjugalidade são muito específicas e ideologicamente interpeláveis. Cristas, por exemplo, é aguerridamente contra a interrupção voluntária da gravidez (vulgo, aborto), mas parece ser mais consentânea em relação à homossexualidade. Estas coisas não são fortuitas, e respondem, de forma mais ou menos absoluta, à matriz católica do CDS. Matriz que não apenas caracteriza as idiossincrasias dos seus membros, mas que faz parte do património político do partido. É por definição um partido democrata-cristão, onde, em corolário, os valores católicos devem ser afirmados. Claro está que a complexidade das vidas reais colide facilmente com interpretações demasiado dogmáticas das matrizes políticas e ideológicas. É o caso de Mesquita Nunes. As organizações sociais não são impermeáveis aos desenvolvimentos que ocorrem no seu exterior. Por isso seria interessante perceber qual o real impacto que um tal coming out produziu na pragmática e doutrina do partido CDS. Bem para além de discursos insípidos sobre a grandeza do gesto ou sobre a coragem do mesmo.

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Raposo e a mulher objectificada

Fevereiro 8, 2018

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Sacando um coelho da cartola, Henrique Raposo mistura a afirmação de um artigo de Jenny Hendrix no TLS, que alerta para que não se confunda  emancipação com objectificação, com uma crítica à revolução sexual! Mas onde vai ele buscar estas ideias?

Nos últimos textos sobre a sexualidade contemporânea, Raposo envereda por caminhos a que já nos foi habituando. Opta por admitir o sexo como uma lição de ética. Neste caso as ressonâncias com o puritanismo liberal conservador, com as suas cargas religiosas, são óbvias. Sexo sim: mas com mensagem – parece querer dizer, numa emulação demasiado perfeita do velho sexo sim, mas reprodutivo. As análises de Raposo sobre o fenómeno assédio sexual mostram em que águas turvas navegamos quando se trata do fenómeno metoo#. Por exemplo, uma cena gratuita de sexo seria condenável quanto ao seu aspecto moral. Por isso, a ser aceitável, o sexo tem que prometer mais qualquer coisa para além do seu acto.

O que estas posturas parecem querer enterrar no pântano lógico é que o sexo faz parte da vida. O que escandaliza tanto as mulheres do metoo# – que os homens aproveitem as suas posições de poder para terem sexo – foi durante séculos a verdadeira definição da organização social da sexualidade. Segundo este modelo, uma mulher usar os seus atributos para ganhar benefícios noutras áreas era a definição mesma de mercado matrimonial. É certo que as feministas desconstruíram estas e outras noções de mercado matrimonial, no pressuposto que a metáfora aderia demasiado à realidade de uma mulher enquanto mercadoria. Todavia – e isto é que é fantástico -, enquanto a histeria puritana do metoo# lavra por campos insuspeitos (ou tendo sempre por alvo os suspeitos do costume!) a mulher vendável entra-nos pelos olhos adentro em qualquer reality show em que encerrem vinte jovens numa casa obrigando-os a interagir. Este é um paradoxo a exigir teorização. E é a isto que Hendrix se refere quando fala de objectificação da mulher. Raposo consegue fazer o pleno ao aludir à revolução sexual dos 60 enquanto factor explicativo quando todo o artigo é sobre o boom económico dos 90, ou seja, a emergência voraz do neoliberalismo norte-americano enquanto desencadeador da sexualização do mundo. Talk about intelectual dishonesty. Como não me parece que a omissão de Raposo se deva à incompreensão da peça, só pode ser levada à conta de má-fé interpretativa. Mas isto é um jogo a que a direita conservadora recorre constantemente.

À mulher objectificada, opõe o metoo# uma mulher inacessível, ou só acessível nos seus termos. O que é estranho. Porque sendo a relação a dois, os termos teriam, pelo menos expectavelmente, uma margem de negociação. No feminismo de quarta via, as mulheres recuperam a sua identidade de mulheres e defendem-na com unhas e dentes. Longe vão os tempos do género como construção social, da bricolage com as características sexuais, que quando libertas de restrições morais e regulamentares não se fixam em nenhuma identidade duradoura. O metoo# vira a mesa de pernas para o ar. Não se brinca mais aos lugares intercambiáveis.  As mulheres encontram-se inamovíveis na sua localização social de mulher… e curiosamente esta confunde-se facilmente com a de vítima. Por isso, o discurso de Raposo, ao pegar na cauda conservadora do metoo# enaltece sobretudo a vitimologia em que este discurso se acantonou. De tal forma que termos pesados como violação são agora intercambiáveis com assédio ou comportamento abusivo. Bill Clinton pode ser acusado da violação de inúmeras mulheres sem entendermos que actos realmente foram praticados. Se a violação tem o sentido de estupro então envolve de facto (e de juri) actos violentos sobre a mulher contra a sua vontade, e é um crime. Mas em nenhum dos depoimentos tal comportamento assoma sequer. Daí que estimamos, como em outras semânticas tornadas casuísticas pelo processo histórico, que violação esteja a ser aproveitada enquanto um significado flutuante. E este por seu turno preenche-se com intenções políticas consoante a estratégia de quem o refere. Passamos do corpo performativo de Buttler, para a vítima desempenhada. Aqui parece inverter-se a máxima de de Beauvoir segundo a qual “não se nasce mulher, tornamo-nos mulher” para, parafraseando, não nos tornamos vítimas, nascemos vítimas.

É ainda nesta versão distorcida da sexualidade que Raposo insiste nos malefícios da revolução sexual. O argumento conservador é tão batido que dá pena. Funciona como um ersatz para qualquer explicação de algo que esteja, nesta perspectiva, mal no mundo. E neste sentido, é como assacar as culpas de todos os males da humanidade ao politicamente correcto, sem nunca se perceber bem o que é afinal o politicamente correcto. Da mesma forma, ninguém entende muito bem o que seja a revolução sexual, quais os seus impactos e como, se de alguma forma, perdurou? É que ao mesmo tempo que os suecos difundiam as saunas mistas, combatia-se pelas independências no tardio império português. Ou seja, devemos ter cuidado com a hiperbolização da revolução sexual enquanto acontecimento localizado. Mas o pânico do sexo que todo o bom conservador mostra ter (pânico sempre hipócrita, como a história nunca nos cansa de mostrar) representa a revolução sexual como algo que contagiou, pior, inoculou as mais recônditas esferas da psique e do socius.

É certo que subjacente à crítica da revolução sexual encontra-se a crítica ao relativismo. Na realidade, o que coloca o bom conservador de sobreaviso e com um pânico cultural imediato é o relativismo. Da cultura e da ciência ao sexo vai um pulinho, segundo esta estrada. O relativismo parece assim ser um Moloch descontrolado, que tudo destrói e tudo ameaça. Mas tal como com o politicamente correcto ninguém percebe bem qual o peso que tal bicho possa ter na vida real e quotidiana das pessoas, e não nas elucubrações nocturnas dos conservadores. Os dois fenómenos, relativismo e sexualidade amoral são sistematicamente associados, por esta leitura caricata, aos desmandos do Maio de 68. Importa no entanto notar duas coisas.

Primeiro, o Maio de 68 era sobre o poder, e, em última análise, contra o poder. Que a sexualidade fosse vista como uma das linguagens possíveis de resistência decorre da visão do poder enquanto repressão, e esta age primeiro que tudo sobre os corpos. Segundo aspecto, o metoo# é sobre poder, mas não articula um discurso contra o poder, mas sim sobre a sexualidade, em última análise sobre a sua perversidade. A limitação do discurso do metoo# e a impossibilidade de criar articulações verdadeiramente radicais fica bem espelhada na circunscrição do assédio ao sexo. Outra coisa seria se falássemos de assédio como categoria moral que extravasa o sexo. Assédio no emprego imposto por chefes a subordinados, por coacção, por tratamento desumano, por arrogância e exigência de submissão. São tudo categorias possíveis. Mas o metoo# fica confortavelmente acantonado no assédio sexual. E assim fazendo exclui da sua consideração a questão do poder. Daí que a linha traçada entre o terrível Maio de 68 não apenas é historicamente desprovida de sentido, como teoricamente desadequada. Apenas interessa para legitimar a versão conservadora da crítica à sexualidade.

E para fugir a um tal relativismo que supostamente baixou sobre as coisas da carne como uma doença, Raposo não faz mais do que equivaler o sexo ao mal – “Como disse aqui na sexta feira, o mal é para mostrar com secura.” (sic). (e veja-se como a dois artigos sobre a sexualidade feminina sucede um artigo sobre o “mal” – haveria muito para psicanalisar nesta associação). O que nem contradiz a moral católica que sempre viu o sexo como perdição. A queda liga-se inextricavelmente à nudez e ao conhecimento do corpo enquanto carne. E o mal, claro está, sempre foi equacionado na sua estranha relação com a visibilidade.  Ainda hoje se noticiou que o cardeal patriarca exortou os fiéis à abstinência, como se a marca da relação sexual contivesse em si mesma uma pegada (no sentido do adn) moral.

Lacrau libertino

Fevereiro 7, 2018

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Se é verdade que o Sporting há muito não dá campeonatos aos seus sócios e aficionados, não deixa no entanto de oferecer momentos de excepcionalidade hilariante (ou depressiva, conforme o ângulo que se escolha) protagonizados pelo seu presidente Bruno de Carvalho.

O discurso de Bruno no palanque televisivo nacional deixou com certeza muito boa gente boquiaberta tamanha a dimensão da boçalidade e do “carroceirismo”. Se ainda houvesse dúvidas, fica de uma vez por todas explicada a razão de uma empatia tão gigantesca e sólida entre Bruno e Jorge Jesus: são os dois umas abéculas. Todavia, uma das abéculas é mais perigosa do que a outra e possui os tiques daquilo que poderíamos designar por trumpismo. É claro que a comparação não pode ser tomada muito à letra. Desde logo porque se um possui os códigos que permitem destruir a terra mais de trezentas vezes, o outro só possui o segredo de como enterrar o Sporting no ridículo.

Quanto à comparação com Trump já lá iremos. Antes de mais é preciso dizer que Bruno é o típico queque que quer parecer muito mau, muito ordinário, ainda mais ordinário do que a malta da reboleira (da antiga, porque na nova já só acampam milenials e classes simbólicas); o homem que parece saído de um romance da Margarido Rebelo Pinto que diz caralhadas enquanto agita os berloques dos sapatos. E tudo isso estaria muito bem, não se desse o caso de Bruno ter falado no horário nobre de quase todas as televisões com difusão nacional. Bruno, não sei se por manifesta inconsciência ou por pura demência, deu um triste espectáculo por pensar que estava a falar lá para a casa dele, ou seja, o Sporting.

A boçalidade de Bruno de Carvalho é inenarrável. Desde trocadilhos com o olho do cu, passando pela boutade de que para ele tanto lhe fazia o método de Hondt ou o de La Palice, até opor liberdade a libertinagem (quereria dizer anarquia?) – de tudo isto nos serviu. Pelo menos eu tenho um presidente, que não primando pela sua genialidade intelectual, leva um papel bem escrito, revisto e corrigido, e bota discurso consoante o que está na pauta. Bruno de Carvalho achou que era um génio do improviso e provou que o Sporting está entregue a um boçal caprichoso. Mas não se enganem. Bruno é o sintoma de outra coisa qualquer; e é essa coisa que quero designar por trumpismo.

Salvaguardando as distâncias e a escala, os comportamentos de ambos são indiciadores de uma versão de democracia que é, para todos os efeitos, abastardada. Para ambos a democracia existe para os servir a eles e não o contrário. O princípio de que sob a alçada da democracia qualquer cidadão possui uma parte da soberania e por isso pode reclamá-la, não existe na sua concepção. Repare-se como Bruno faz uma fita porque não admite contestação interna, enquanto do outro lado do Atlântico, Trump acusa os democratas de traição porque não o aplaudiram durante o discurso da União. Escalas diferentes – princípios iguais. Comportam-se como dinastias e não como indivíduos plebiscitados. Mesmo a sistemática invocação das questões familiares tem mais a ver com os sistemas dinásticos do que com as democracias. Bruno a publicitar o nascimento da filha nos écrans gigantes de Alvalade é o exemplo acabado de uma demonstração simbólica dinástica. Também Trump, ao rodear-se da sua família, oferecendo-lhes lugares na governação trata a democracia como uma soberania de natureza dinástica.

Por outro lado, Bruno é useiro e vezeiro em insultar tudo e todos nos seus posts, utilizando as redes sociais como veículo de guerrilha. Trump usa as redes sociais para expelir ódio a qualquer pessoa ou facto que o contradiga. Bruno faz listas de pessoas que ele considera indesejáveis no Sporting e publica-as, num assomo de “bufismo” de menino queixinhas. Trump aponta a dedo e em público os seus ódios de estimação dentro do jornalismo e da comunicação em geral. Bruno constrói em torno da sua pessoa um discurso de predestinação sobre o seu comando do Sporting. Trump julga-se predestinado para ser o melhor presidente de sempre dos Estados Unidos. E finalmente, Bruno tem um total desrespeito pelos seus predecessores, como se o Sporting tivesse começado com ele. Trump faz exactamente o mesmo com a presidência dos Estados Unidos.

Repito: salvaguardando as distâncias, os tiques comportamentais são muito idênticos. Não quero engrandecer Bruno de Carvalho com a comparação; algo que certamente ele não enjeitaria. Mas simplesmente mostrar que se trata de qualquer coisa de sintomático que não está nem na pessoa Trump nem na pessoa Bruno de Carvalho. Ou melhor, está em ambos como tipos (como em tipificação) de uma gestão e expressão pública muito própria da época em que vivemos. Trata-se de uma personalização do lugar institucional que deixou de funcionar através de grandes manifestações de massa (excepto em Pyong Yang), mas cuja natureza colectiva não deixou de ser operativa. Com efeito, a dimensão da espectacularização encontra-se agora na capacidade de disseminação da mensagem e idiossincrasias do líder. Também nisso Bruno segue uma vulgata trumpiana. Na falsa aproximação do líder à linguagem da plebe, na crítica paradoxal do elitista à elite, e na delimitação do “grupo do croquete” – como ele diria – enquanto construção do inimigo interno. Algumas coisas são intemporais. E não são tanto as ocorrências que primam pela novidade, mas o veículo dessas ocorrências. Finalmente, como Trump, o presidente do Sporting está à vontade para cuspir insultos e alimentar um discurso corrosivo (como diria o presidente da liga) sobre os adversários – aqueles que são escolhidos a dedo: leia-se o Benfica. Porém, amofina-se como uma menina a quem amarratoram o vestido de noiva quando é alvo dos mesmos processos. Há um halo de significação que une os dois momentos da personalização contemporânea figurados em Bruno e Trump.

Porém, há coisas subjacentes mais importantes. Uma delas é Bruno de Carvalho ver novamente a possibilidade de ganhar um campeonato fugir-lhe; e isto depois de um investimento sem precedentes de 70 milhões de euros. Outra, é ver-se agarrado ao treinador mais caro de sempre em Portugal que passado quatro anos não ganha nada a não ser a taça ctt. É pouco. Tem por isso razões para todo o stress e descompensação que tem mostrado ultimamente. Bruno de Carvalho faz obviamente um bluff. O que ele propôs aos sportinguistas foi a velha doutrina do “ou estão comigo ou estão contra mim” – sem concessões. A diferença é que Bruno não tem uma posição de poder que seja autónoma da sua situação actual. Ou seja, o bluff funciona no pressuposto que nenhum sportinguista quer arriscar atirar o clube para uma crise sem fim à vista (e sem presidente) quando as possibilidades de ganhar um título estão, paradoxalmente, tão perto e tão longe. Perto, porque objectivamente o sporting está a fazer a melhor campanha desde que Jesus é seu treinador. Longe, porque já pressentiram que Jesus pode repetir a façanha de ficar aquém em todas as apostas. Por ser um momento crítico para o clube, Bruno faz funcionar o seu bluff. Ao encostar os sócios à parede com as condições draconianas que impôs sabe perfeitamente que nenhum quererá ficar com o ferrete de ter desestabilizado o sporting tão perto do seu desígnio de há anos. Como Trump, quer o amor incondicional da sua prole caso contrário o seu egocentrismo excessivo deixa de ter alimento. O paradoxo é que nem Trump nem Bruno fizeram os seus lugares – são os lugares que os fazem a eles. Melhor dizendo, quando Bruno se queixa de dar tudo ao sporting, de empenhar a sua vida pelo sporting, o que ele devia dizer é que tudo extrai do sporting: a sua entrega ao clube funciona mutatis mutandis como o motor do seu engrandecimento.

Por isso, Bruno está tão interessado em demitir-se como em dar um tiro na cabeça. Se o quisesse fazer, já o tinha feito. Caso os sportinguistas tivessem juízo não se deixavam arrastar pelos delírios de um megalómano passivo-agressivo. E podia bem ser que a assembleia geral prometida fosse o tiro na cabeça que Bruno não esperava.

O MP no banco dos réus

Janeiro 31, 2018

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O papel do judiciário no andamento político das sociedades é um dos aspectos mais interpelantes da análise da esfera política actual. Três casos aparentemente díspares mostram a uma luz bem vívida os mecanismos que organizam esta imbricação, que a consolidam, e que a protegem.

O ministério público português tem entre mãos um terrível caso de peculato orquestrado pelo espírito maligno de dois anteriores secretários de Estado – do PS, como não podia deixar de ser – que gastaram à tripa forra… em livros. Em livros, meu deus! Haverá crime mais hediondo? Um até se deu ao luxo, reza a bufisse do ministério público, de comprar “revistas sociais”!, não se percebendo se são revistas de análise do social ou revistas da “socialight”. E que montantes escandalosos estão envolvidos neste verdadeiro saque ao Estado português? Catorze mil euros! É verdade, o ministério público empenhou recursos para, entre todos os casos possíveis, encetar uma caça impiedosa aos temíveis compradores de livros com o dinheiro do erário público. Suspeito que o verdadeiro caso de peculato é o do ministério público  português e do dinheiro que esbulhou aos cofres do Estado para pagar esta investigação. Curiosamente, nunca somos informados de tais montantes. Como se uma investigação fizz equivalesse a uma lex, e uma lex equivalesse ao estranho caso do secretário de Estado que comprava livros.

Custa-me a crer que no ministério público não haja gente que viva no mundo real. Um mundo onde qualquer presidente da câmara paga os seus passeios de fim de semana com o dinheiro do erário municipal. E onde qualquer director de departamento tem o telefone, gasolina e cartão de crédito pagos pelos nossos impostos. Todos sabemos que os gastos assim feitos são criteriosamente restringidos a gastos ao serviço da instituição, certo?

A desfaçatez com que o judiciário empenha recursos a investigar o uso de 14.000 euros, obrigaria a que o escrutínio fosse alargado a todos os funcionários que possuem tais regalias, como as enunciadas atrás. Então porquê estes e não outros? Porque a motivação é puramente política.

Há uma zona que está fora do controlo das nossas democracias actuais e que devia ser o maior garante dessas mesmas democracias. O caso Raríssimas não tinha qualquer interesse, excepto o facto de envolver um secretário de Estado e um ministro, que eram os alvos óbvios. O caso dos emails do Benfica visa directamente derrubar o ministro das finanças. Veja-se a precisão com que o Correio da Manha publica a notícia bombástica sobre Mário Centeno logo na semana seguinte ao seu entronizamento no Eurogrupo. Alguém duvida que por trás da poeira dos emails do benfica está um alvo bem definido que é Mário Centeno? Alguém pensa que a extensão de uma tal notícia não causa danos de imagem ao nível internacional? Alguém já acredita em coincidências desta natureza?

Dizem-nos que é normal haver fugas. Ainda hoje de manhã ouvia um sr. Advogado dizer que era habitual que as coisas assim se passassem: que as televisões soubessem de antemão onde as buscas iam decorrer e como; que o Correio da Manhã tivesse acesso a troços dos processos, etc. Nada disto é normal e temos obrigação de exigir esclarecimentos a quem de direito. Não nos podemos contentar com a aparente normalidade da bufisse. Tão-pouco a minha preocupação é com a devassa sem sentido nem pudor à vida privada das pessoas – embora constitua esta motivo de sobra para alarme. O que devemos é pedir esclarecimentos sobre quem ganha o quê com tais fugas. Como a consabida fórmula “não há almoços grátis” parece funcionar em todos os ambientes institucionais, o pressuposto é que se alguém dá a informação é porque há outrem que por ela está disposto a pagar. Como é possível que ao fim de décadas de atropelos das mais elementares liberdades e garantias dos visados pelos processos do Ministério Público, este ainda não foi passado a pente fino e várias das suas carcaças indiciadas por tráfico de influências? É que a venda da informação é crime. Mas isso não parece preocupar minimamente o MP que nunca se deu ao trabalho de investigar internamente com que linhas se cose este pipeline de informação para o exterior.

Isto são práticas comuns na América Latina. Polícia a levar algemados políticos sob o olhar atento das televisões é coisa que se tornou corriqueira no Brasil e na Argentina. Este poder gigante que parece não ter contrapoder está completamente fora do esquema de checks and balances com que achamos que as nossas democracias se equilibram. E o que é mais espantoso, ele infunde um respeito aos restantes actores institucionais que a mera alusão à podridão no reino da Dinamarca faz tremer os mais temerários. Trata-se do império do MP – e este, a espaços regulares, contra-ataca.

Verdade desportiva

Janeiro 25, 2018

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O jogo entre o Porto e o Sporting para a taça ctt foi um exemplo acabado da decadência do futebol português. Se houve jogo combinado na história do futebol nacional, foi o de ontem. A PSP devia investigar a fundo o que se passou ali, em vez de andar a pescar jogadores que viciam resultados na segunda divisão.

O que vi sustenta a minha desconfiança de que há um pacto entre Sporting e Porto para dividir os despojos da guerra contra o Benfica. Não julgo tratar-se de “ainda assim mais uma teoria da conspiração”… blá blá blá. Porque foram tantos os sinais e tão evidentes que custa acreditar que os comentadores de serviço disseram o disseram de cara séria. Brahimi sempre que podia enrolava-se com a bola à espera que viessem dois jogadores do Sporting que a chutassem contra as suas pernas para fora. Marega, um colosso que parece uma parede, deixava-se cair cada vez que Coentrão dele se aproximava; e Aboubakar numa situação de contragolpe, em que se encontravam dois para dois, tenta fazer um chapéu a Patrício a uns 15 metros da entrada da grande área. O Porto nunca construiu; passou meia hora da primeira parte sem fazer qualquer pressão sobre os jogadores do Sporting, e teve o primeiro remate – pasme-se! – aos 14 minutos!!! Julgo que até o Oliveirense fez melhor contra o Vitória. Mas o estendal de aldrabices não ficou por aqui. Sérgio Oliveira tendo a possibilidade de fazer um passe rasgado para o lateral que vinha a entrar na área do Sporting a grande velocidade, atira um pontapé sem nexo que vai sair pela linha de fundo, acto contínuo gesticulando e dando murros no relvado para inglês ver. Marega em frente de Patrício, com os defesas batidos, em vez de enviar um torpedo para dentro da baliza, faz um passe directo para as mãos do guarda-redes. E a cereja no topo da merda: os penalties. Raramente, nem naqueles jogos da América Latina em que se percebe perfeitamente que o resultado foi combinado, vi tão pouca convicção na marcação de penalties. Direcções tão milimetricamente estudadas para as mãos de ambos os guarda-redes… Para depois, num golpe de perfeccionismo milimétrico, Brahimi chutar ao lado da baliza.

Não, aquilo não foi sério. Até Conceição conhecido pelas suas reacções acaloradas de cada vez que lhe roubam um penálti ou um golo, parecia um boneco articulado quando o VAR lhe retirou um golo limpo marcado por Soares. Nem pestanejou, como se já estivesse à espera que algures no jogo algo assim iria acontecer. Mesmo Francisco J. Marques, que escoiceia como uma mula histérica nos seus posts, nada diz sobre o golo anulado!!?? E coincidência, Soares sai pior que estragado e sem perceber porquê, embora nós adivinhemos que foi substituído por ter feito aquilo que não podia fazer em circunstância alguma: marcar um golo antes do jogo ir para penalties. Mas mais estranho – Conceição vai para os balneários ver os penalties! Será que o fez porque tinha consciência que não conseguia disfarçar a falta de surpresa pelo resultado?

Este foi seguramente o pior jogo do Porto. Não porque o Porto fosse manietado por um poderosíssimo Sporting. Este último não jogou uma beata, aliás como já tinha feito com o Vitória. Mas é estranhíssimo que um Porto que tem como virtude fazer uma pressão louca sobre os adversários para depois sair a rasgar com os seus laterais – veja-se o jogo contra o Benfica – raramente o tivesse feito. E quando o fez, rapidamente se achava sem soluções lá na frente porque não havia a quem passar a bola e invariavelmente esta era passada para trás.

O conúbio entre Bruno de Carvalho e Pinto da Costa é mafioso. Já tinha achado estranho porque razão Jesus estando a ganhar por um-zero contra o Benfica não foi para cima deste – como é seu hábito há anos! – para matar o jogo e recuou as linhas quase como que a pedir um golo ao Benfica? Porque no pacto entre Bruno e Pinto, tal como o seu congénere entre Staline e Hitler, a Polónia fica dividida da seguinte forma: taça ctt para o Sporting e campeonato para o Porto. A taça de PT fica para quem a apanhar – o único jogo sério que vamos assistir entre os dois.

É uma pena que o Porto não jogue assim contra o Benfica. Mas quanto ao Sporting, cuidado, se jogar como jogou ontem, vai ser cilindrado por um Setúbal motivado – a menos que o comprem.

Hipocrisias

Janeiro 23, 2018

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Ontem assistimos a uma tentativa desesperada de salvar o programa supernanny. Desesperada no seu cinismo, na hipocrisia das razões invocadas, no formato preparado com que nos foi servido. Até a psicóloga que no programa tem trejeitos de objecto sexual, apareceu de cara lavada como uma simples mulher preocupada com a saúde mental das famílias.

Dizer que o supernanny abre a sociedade portuguesa para a discussão da parentalidade é o mesmo que dizer que a Casa dos Segredos é indispensável para promover a discussão sobre a conjugalidade. Ver o cinismo de Júlia Pinheiro a defender o seu negócio com argumentos de pedagogia e de funcionalidade social é um espectáculo apenas digno de… Júlia Pinheiro. Faz lembrar aqueles argumentos do André Ventura que à falta de material de campanha insistia que o assunto ciganos devia ser discutido pela sociedade portuguesa. Assim Júlia Pinheiro – e há que auscultar as afinidades electivas de uma elite comunicacional e política – veio agitar o fantasma do politicamente correcto afirmando que a sociedade portuguesa se escusava a debater as profundas preocupações trazidas à tona pela supernanny, e que esta sim, cumpria o seu papel de arauto das dúvidas e traumas das suas famílias.

Na verdade, tudo se resume ao dinheiro envolvido. Pagam-se direitos bem caros que têm que ver o seu retorno em compromissos publicitários entretanto firmados. É como ter as mãos a arder com um produto com o qual se está na iminência de deitar para o lixo um avultado investimento. Claro que nenhuma destas razões foram as invocadas. O caminho que se achou por bem trilhar foi o da função social de um programa de televisão. Como se 99% dos programas de televisão tivessem uma função social para além daquela que lhes é estritamente adstrita: reproduzir comunicação.

A páginas tantas a câmara abre e mostra uma outra câmara que está a filmar uma birra de uma menina com a mãe. Percebemos perfeitamente que a menina e a sua birra são uma actuação para a primeira câmara. Tudo nos gestos da menina é exagerado e denunciador da profunda consciência que esta possui de estar a ser filmada. Não admira portanto que familiares de uma das crianças do primeiro programa tenham vindo a terreiro dizer que não reconheciam a criança naqueles comportamentos. Pudera, a criança sabe assumir o papel da criança que entra no programa da supernnany que é diferente do seu papel enquanto criança em ambiente doméstico privado. Ela sabe ser actriz.

O que coloca o problema da exposição levantado por Rosário Farmhouse, a presidente da  CNPDPCJ e do seu marcado conservadorismo atávico. Dizer que as crianças não têm poder sobre os usos das suas imagens e que isso é uma grave violação dos direitos das mesmas, implicaria censurar os biliões de fotografias espalhadas pelas redes sociais com os petizes a fazerem caretas, a serem amamentados, etc, cuja decisão de publicação coube inteiramente aos pais. Quem nos diz que mais tarde o adulto, em tempos criança, não vai revoltar-se por ver as suas fotos expostas ao mundo? Ninguém nos diz. Mas é pouco provável.  Porque vivemos num tempo de exposição. Vivemos num tempo em que o adolescente, outrora criança, constrói a sua persona em torno da exposição; mais ainda, o eixo de construção da sua identidade de adolescente é estruturado pelo próprio acto da exposição. Ser adolescente actualmente não é dissociável da imagem dessa adolescência que se deixa na internet, da sua frequência e, mais importante, do seu impacto. Em grande medida esses são os sistemas de reconhecimento recíproco entre adolescentes: fotografias em festas, bêbados, a vomitarem, a exibirem-se sexual ou eroticamente… Compreender a adolescência actual tem que passar pela compreensão das imagens dessa mesma adolescência expostas nas redes sociais.

É por isso que os significados da exposição não podem ser os mesmos dos da Inglaterra vitoriana. Embora as duas senhoras convidadas como a parte crítica ao programa  supernnany tivessem dificuldade em concordar com esta simples inferência. E por isso é também difícil sustentar argumentos críticos da exposição das crianças quando quase diariamente crianças são expostas em programas televisivos enquanto entretenimento, na maioria dos casos não para outras crianças, mas para adultos! Aqui a versão é ainda mais perversa porque o entretenimento oferecido é o ser-se criança!

Contudo, nada disto é transgressor dos direitos das crianças. Ou melhor, a sê-lo, envolve uma leitura de tal forma literal desses direitos que equivaleria a levar à sua literalidade aquele direito fundamental que diz “todas as pessoas devem viver em condições de dignidade…”, e que o mundo se encarrega de desmentir diariamente.

O que diz Marcelo

Janeiro 22, 2018

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Aos poucos, o regresso do PSD ao que se convencionou chamar o “arco da governação” vai sendo consolidado. Neste caminho há uma peça chave cuja participação é essencial para se cumprir esse desígnio. Falo do presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Iremos assistir, nos meses que nos separam das próximas legislativas, a uma aproximação deliberada entre o discurso do presidente e a agenda política do PSD. Os temas começam a ser aventados tendo como cicerone o presidente. Por exemplo, o tema “modernização do Estado”. Iremos ver como ele integrará insistentemente o discurso de Rio nos próximos dias. Muito embora ele seja uma fórmula vazia, é um sound bite que compõe discursos que vogam num marasmo ideológico e cuja adesão funciona como um significado flutuante, ou seja: cabe lá tudo.

Por reforma do Estado devemos entender diminuição do mesmo? Descentralização das suas funções? Ou devemos entender despedimento de funcionários públicos; estreitamente dos serviços públicos; privatização de sectores da educação e saúde? Ninguém percebe. Até porque a ser qualquer destas hipóteses, há muito que vêm sendo praticadas. Qual é então o sonho adiado de que fala Marcelo? Suspeitamos que seja ver de novo o PSD no poder.

Mas este é apenas um dos temas que será lançado pelo professor-presidente para a arena política como forma coadjuvante ao discurso de Rio. Escrevi aqui que Marcelo funciona como um barómetro das tendências políticas – quem dele estiver perto beneficia do seu carisma actual. E tive o cuidado de explicitar que não se tratava de “quem dele se aproximasse”, mas antes de “quem ele, Marcelo, se aproxima”. Se num primeiro momento a aproximação foi a António Costa, na medida em que havia um deserto de elaboração política do lado do PSD de Passos; num segundo momento esta será feita a Rio. Por isso cuidado com as análises que apenas fazem contar com partidos da coligação e da oposição como opções válidas no xadrez político actual. A peça fundamental é Marcelo. Este é um espécie de rainha (no pun intended) que tem a capacidade de se mover em várias direcções e com maior velocidade que todas as outras peças.

Não considero despicienda uma tal capacidade. Já vimos coisas mais estranhas da parte do comportamento do eleitorado. Vimos recentemente um eleitorado dar de bandeja o governo de uma nação a um atrasado mental após dois mandatos de um dos políticos mais brilhantes que passaram pela história da democracia americana dos últimos 50 anos. E assistimos com consternado espanto à ascensão meteórica de um  puto de 31 anos, cujo único credo e mensagem é a do neoliberalismo mais desabrido, ao governo da Áustria. Ambos foram catapultados por sound bites. O primeiro com uma fórmula absolutamente vazia como “Make American Great Again”, a MAGA dos comediantes do Late Night Show. O segundo com a caça aos imigrantes e com a insistência na protecção das fronteiras (que o primeiro também partilha). O que importa é que ambos foram guindados para o poder através do impacto de fórmulas tão bombásticas quanto, em substância, inconsequentes.  Não estamos por isso a salvo que o mesmo aconteça em Portugal. E aqueles que julgam que uma maioria do PS, com Costa aos comandos, são favas contadas, fariam bem em ficar de sobreaviso e começar a engendrar possibilidades alternativas que combatessem a força dos sound bites.

Hoje a reforma do Estado; amanhã o perigo da extrema-esquerda no poder, ou outro qualquer sound bite que faça o povo tocar os sinos a rebate. Mesmo que desmentida pelos factos, a força destas fórmulas compactadas encontra-se na facilidade com que se manuseiam, como geram “centralidades” que permitem captar rapidamente uma visão do mundo, como descomplexificam a imbricação das categorias políticas traduzindo-a em símbolos unificadores. Neste sentido, constituem a real linguagem da política actual, que não passa mais pelas moções partidárias ou linhas programáticas. Por isso são tão eficazes estes sound bites. Facilmente captáveis pelos media e ecoáveis através dos seus dispositivos. E por esse facto devemos estar muito atentos pela forma como nos próximos tempos irão penetrar a opinião pública e publicada. Sobretudo quando orquestradas sob a batuta de um mestre da comunicação como é Marcelo.