Arrufos de Comadres

Outubro 9, 2009

Iiiiiiiiii, man – anda para aí um sururu por causa do “longo monólogo” de Lobo Antunes. Até o Pedro Mexia, homem ilustre, veio a terreiro defender a sua honra, dizer que o Lobo era mentiroso e mostrando-se ofendido, qual virgem pudica, porque o vate da literatura portuguesa confessou desconhecer a augusta personagem Mexia.

Não gosto do Mexia, devo dizê-lo. Estou no meu blog e digo que não gosto do Mexia: não gosto daquilo que ele escreve, do que diz, do que pensa. E sobretudo não gosto quando um mentiroso de tal calibre vem dizer que pode ser muita coisa mas que mentiroso não é com certeza. Quem lia, nos tempos da arruaça bloguista de Sir Mexia, aquela pocilga chamada Quinta Coluna, não tem dúvidas nenhumas em concordar que não só o Mexia nunca foi mentiroso como nunca fez chacota de ninguém!

E o que tem Mexia a dizer em sua defesa refutando de uma vez por todas o putativo desconhecimento que o bardo das letras portuguesas o votara? Diz que quando bebem café na Estefânia trocam acenos de cabeça. Ah, e mais, num livro de poesia que tem para mais de dez anos, parece que o Lobo Antunes depôs lá o seu autógrafo com um bonito rifão a rematar que gostara dos “seus” (dele, Mexia) livros. E para que não restassem dúvidas, o nosso Buvard lá produziu prova material do que dizia e vai de escarrapachar no seu blog o scanner do tal autógrafo. Estamos esclarecidos: a ligação entre Mexia e Lobo Antunes está firmemente sustentada em acenos da cabeça e num autógrafo do tempo da outra senhora.

A dama Mexia, ofendida como só ele sabe, lá verberou o sábio escritor denotando dose de despeito considerável, desde logo porque não o conhecia, e como ele bem acentua, não o reconhecia. O drama, naturalmente, está todo aí – no reconhecimento.

Sendo Lobo Antunes um poço de soberba que chega por vezes a roçar o mais boçal autismo – e nisso concordo com muitos outros – e tendo em conta que é tipo para conhecer uns vários milhares de caras do mundo literário e crítico, não me admira, não só que já nem faça ideia do livro que Pedro Mexia escreveu (não o censuro) há uns bons dez anos, como quando lhe acena com a cabeça no tal café da Estefânia, o faça com a mesma consciência com que deve acenar a milhares de gajos e gajas que por ele se querem ver reconhecidos – nem que seja nessa fugaz presunção de terem tido réplica do mestre num encontro quotidiano.


Configurações

Outubro 7, 2009

Do texto de Daniel Oliveira no Expresso destaco duas coisas. Primeiro, uma esperança naif na união das esquerdas (novamente o espectro do Die Linke na Alemanha). Segundo, a ideia algo alucinada segundo a qual estas esquerdas podem fazer o governo PS pender na sua direcção. Analisemos o primeiro ponto. O BE tem pessoas que são estruturalmente e convictamente contra a linha partidária seguida pelo PCP. Não se trata apenas de desacordos pontuais nem de quezílias personificadas. Ao invés, é toda uma lógica e uma apreciação do exercício da política que difere entre estes dois partidos. Ao nível dos lideres – e porque houve um acordo tácito durante a campanha para as legislativas – esse diferendo não é notório. Porém, ao nível das estruturas partidárias e dos seus intelectuais orgânicos, esse diferendo é acentuadíssimo. Não é, todavia, algo exclusivo de uma clivagem entre os dois partidos; outrossim, começa a inscrever-se internamente e a abrir brechas dentro dos próprios partidos.

Uma certa migração – a que o Daniel se referia há tempos atrás – do PCP e dos seus quadros mais jovens, em direcção ao BE, é disso mesmo sintoma. Não se revendo no ancilosado (para estes novos intelectuais orgânicos) sistema de unidade partidária que é a matriz do PCP, insatisfeitos com estruturas demasiado fixas e hierarquias sólidas e, por isso mesmo, almejando uma ductilidade que a história pesada do partidarismo comunista não lhes outorga, procuram outras referências onde a sua ductilidade, por vezes ambiguidade, melhor se possa espraiar. Não terei tanta certeza como o Daniel que uma tal migração constitua uma perda irremediável para o partido donde migram. Agora o que parece certo é que esta migração tem as suas razões e que estas se prendem com uma incompatibilidade bastante objectiva entre os intelectuais orgânicos do BE e os do PCP. Isto seria de somenos se as estratégias partidárias fossem feitas pelas bases. A reacção poderia ser: deixá-los lá estar com as suas elucubrações que a gente, o povinho, vai tratando da vidinha. Tal não é de facto verificável.

Assim como os assombrosos acontecimentos recentes no seio do PSD (e nas suas margens) comprovam a eficácia e peso dos intelectuais orgânicos na vida dos partidos, não se escusam os partidos de esquerda, apenas porque o são, a este fardo. Notemos, sob pena de sermos mal interpretados que este fardo é imprescindível. É mesmo consubstancial às lógicas comunicacionais da vida política. Quem muito perora contra a lógica da representatividade e seus ditames ignora frequentemente que a política actual é 99% feita de comunicação. É justamente porque falta uma boa análise dos processos comunicativos, das suas distorções e fundamentos ideológicos (volta Habermas que estás perdoado) que esta crítica fica sempre aquém das práticas efectivas e remete-se elegiacamente para uma esfera política ideal. Muito Platão, pouco prozac. Em resumo, os intelectuais orgânicos continuam a ser o alfa e ómega da vida política.

Não são de desprezar as intervenções sistemáticas desta clique. Como diria o nosso presidente, não somos ingénuos. Nem mal nenhum vem ao mundo com estas intervenções: fazem parte das “gramáticas da política” (jogos de linguagem) que sistematicamente existem em confronto e que vivem justamente do delinear dos momentos de clivagem entre versões mais ou menos antagónicas da governabilidade. Contrasta, obviamente, com os novos territórios da política que são invocados como outras tantas linhas de fuga de um jogo que continua a ter a retórica como principal elemento da sua expressão. É de notar que o cerne do argumento se encontra numa diferença teórica relativamente ao conceito e lugar da subjectividade e que correndo o risco de a simplificar se pode enunciar da seguinte forma: uma afeição determinada à ideia de que a linguagem é um sistema impessoal de significação contra a noção de que a linguagem é um tipo de acção prática. Esta dicotomia, raramente revelada nas diversas enunciações de uma nova dimensão política, é todavia o que se encontra subjacente na maioria das contendas sobre a linguagem da política. Estas porfias não são sobre política, mas antes sobre a linguagem da política.

O segundo aspecto que o Daniel refere, relembrando, que as esquerdas unidas fariam pender a balança governamental para o seu lado, só resultaria se um dos partidos fizesse a maioria absoluta com o governo a ser indigitado. Ou seja, apenas se o BE estivesse na posição do CDS-PP. Somente assim poderia este agir como pressão na lógica da chantagem governativa e ter capacidade para impor a sua agenda. Por um lado, porque o PS sempre preferiu ficar refém da direita. Por outro, porque dando-se efectivamente o caso de o CDS perfazer a maioria com o PS, não precisa este último de mais nenhuma justificação para além da simples realidade aritmética. Convenhamos que pode parecer desculpa de mau pagador. Porém, como é expectável que às primeiras tentativas de acordos com o BE, a mesmo que tacteante e iniciática ligação se rompa definitivamente (neste caso a relação entre o Die Linke e o SPD alemães serve de perfeita ilustração). Teremos assim que este será o melhor argumento que assistirá o governo de José Sócrates – a da impossibilidade de fazer acordos à esquerda. Há quem acredite que isto será fatal para o PS e que clarificará a sua governação de direita. A meu ver, nem uma coisa nem outra. Fatal para o PS não será, uma vez que esta geometria parlamentar já foi experimentada no passado e até conseguiu perseverar… para depois cair abruptamente, mas por decisão do seu próprio líder. Muitos esperariam uma mesma postura da parte de Sócrates, mas nada autoriza a fazer esta suposição. Se alguma coisa, Sócrates vai querer provar que não é Guterres e mesmo que a conjuntura lhe seja inequivocamente desfavorável, o plebiscito que lhe foi dado dentro e fora do PS coloca-o numa posição de líder incontestável. Era preciso que primeiro caísse dentro do PS – como aconteceu em certa medida com Guterres – para que o desfecho imitasse a tragédia guterrista. Quanto a clarificar a sua verdadeira natureza de direita, também me parece um diagnóstico incompleto se bem que verdadeiro nas suas premissas. O problema é aduzir daqui que o eleitorado penalizará Sócrates por isso; quando o que pode acontecer com maior probabilidade é instalar-se a ideia segunda a qual à esquerda o país é ingovernável.


Tem de ser bem esmiuçadinho!

Setembro 30, 2009

As desrazões de Cavaco

Setembro 30, 2009

A declaração de Cavaco ao país vai ficar nos Anais de história portuguesa como a mais hipócrita declaração alguma vez feita em democracia por um presidente da república.

Cavaco, que alimentou a tese da asfixia democrática, aventa agora a tese da manipulação. O sound byte foi prontamente agarrado pelo PSD; de tal forma que será este o lema da campanha que se avizinha.

Porém, quem assistiu ontem a Cavaco não deixou com certeza de notar um nervosismo latente – quando não visível –, enquanto o seu semblante escondia um medo larvar de ser apanhado a mentir. A mentir deliberadamente, bem entendido. A mentir enquanto presidente da república, já que foi assim que se dirigiu ao país, para além da polémica, essa sim, bizantina, sobre a legitimidade de ter a bandeira em fundo.

A declaração de Cavaco prima pelas suas sistemáticas contradições e incongruências. Todas mereceram já devido destaque e escalpelização, mas como estou com um tempito morto, vou elencá-las novamente (só pelo gozo).

Primeiro, um homem preocupado com a segurança das suas comunicações desde Agosto decide agir apenas em finais de Setembro e logo no dia em que se dirige ao país. Se isto é estranho num anónimo “homem” o que será no caso de um presidente da república que lida com informação de supina importância?

Segundo, um homem que vê o seu nome arrastado para uma putativa teia de espionagem, da qual ele é o alvo, que deixa que sejam publicadas notícias num conhecido jornal nacional que dão conta desse mesmo receio e nunca desmente nem confirma se esse receio é fundado ou não limitando-se a dizer que descobriu que o sistema de informática em sua casa apresenta vulnerabilidades. Se isto é estranho num anónimo cidadão ganha proporções de insanidade no caso de um presidente da república.

Terceiro, um homem que vê o seu braço direito implicado num caso de manipulação informativa, sendo que este é denunciado por interposta pessoa como querendo influenciar a linha editorial de um conhecido jornal, no sentido de criar um clima de suspeição relativamente ao governo, ainda por cima em vésperas de eleições, e não sabe se este email é verdadeiro, mas também não tem certezas quanto à sua autenticidade…Se isto é caricato num anónimo transeunte imagine-se como ficará retratado um presidente da república.

Quarto, um homem que se diz vítima de uma colagem a uma força partidária específica sendo esta fruto de uma manipulação deliberada por agentes governativos, esquecendo que a fonte da colagem foi justamente a notícia do tal jornal conhecido que ele nunca chegou a desmentir nem a confirmar…Se isto é um comportamento aberrante num anónimo contribuinte, o que se dirá de um presidente da república.

Quinto, e último, um homem que encoberta um seu assessor, porque não o despediu, apenas o afastou, apesar, ou por causa, de este ter sido denunciado como prestando falsas declarações e querendo induzir no público um clima de desconfiança e temor nos cidadãos, considerando essa denúncia como indecente, quando na realidade ela foi o elemento que repôs a verdade dos factos…Se isto faz desconfiar que o enunciador de uma tal posição está enterrado até às orelhas na matéria dessa denúncia, o que se poderá aduzir quando esse homem é o presidente da república?

E pronto. Aqui fica em traços largos. Perante isto tem Cavaco condições de continuar a ser presidente? Não. E vai continuar? Certamente. Depois desta declaração restam dúvidas de que Cavaco foi quem manobrou esta tentativa de salpicar de lama o PS? Nenhuma. E há melhor forma de afirmar peremptoriamente uma colagem política ao seu partido, o PSD, do que a capciosa declaração de ontem? Não conheço.

Donde, só resta mesmo o marçano JMF ser recolhido no colo da presidencial figura para o puzzle ficar completo.


A Governação Limiana

Setembro 29, 2009

O título é evocativo dos célebres acordos “limianos” na vigência do governo Guterres, mas também da condição limiana que o novo governo passou a ter: um governo às fatias que, a cada fatia deglutida, se irá esvaecendo. Durará dois anos, assim calendarizados por João Cravinho, após os quais se irá a jogo novamente e desta feita a parada será uma maioria absoluta. Por conseguinte, na mente estratega do PS, estes dois anos são um mero interregno. Será preciso que o governo – garantindo a famigerada governabilidade – aprenda a bolinar – quer à esquerda quer à direita. Há facas desembainhadas como ontem se viu no Prós e Contras. E há desejos de vingança que chispavam dos olhos cúpidos de Nuno Melo. Ah, o poder! E ainda assim, with great power comes great responsibility, não sei se será seguido à letra.

Se o horizonte temporal é de dois anos – assumido desde logo na cabeça dos governantes – mal se vê porque razão os partidos da oposição não continuariam a operação de desgaste do PS que puseram em prática de há dois anos a esta parte. E dúvidas legítimas se levantam sobre a boa-vontade e generosidade relativamente à estabilidade da nação. Cavaco, apesar de apregoar o contrário, nunca se preocupou muito com essa estabilidade, alimentando teorias da conspiração e silêncios incompreensíveis. Não era agora que iria mudar de rumo. Até porque o seu ciclo está a fechar-se e aqui vale a regra perdido por cem perdido por mil. Assim foi com o afastamento do Lima.

Dizia Pedro Magalhães, na noite das eleições, que o PS se encontrava na melhor situação logo a seguir à maioria absoluta – a da maioria relativa. Porém, esqueceu-se de acrescentar que esta maioria relativa era a que convinha mais a Sócrates: uma relatividade mitigada pela subida do CSD-PP a terceira força parlamentar. Outro pesadelo seria tivesse-se dado o caso de a maioria se encontrar toda inclinada para os partidos da esquerda. O PS encontra assim o seu aliado natural, assim como já tinha acontecido com Soares e com Guterres. Existem, é certo, dossiers complicados de gerir e negociar com o CDS-PP.

Ontem Nuno Melo foi explícito e quis rilhar os dentes a concessões feitas ao PS só para permitir estabilidade governamental. Pese embora a afoiteza do deputado europeu, CAA temperou o ânimo do mesmo recordando-lhe que se encontra em Bruxelas e que a liderança, tal como no tempo de D. João VI, encontra-se cá. Mas Nuno Melo não prepara nenhuma secessão e a última coisa que o PS quer é ficar refém da chamada esquerda radical. Prevê-se por isso um governo limiano com alguns incidentes mais desagradáveis. Até porque se o CDS-PP gosta de crescer, mais ainda gostaria de fazer governo de coligação… com o PSD. É nisso que ambos os partidos de direita irão apostar neste período experimental de dois anos.

Mas tudo neste país é Limiano, ou seja, é feio e pastoso. Senão observem-se as reacções do blog governo sombra de jovens à procura de tacho num futuro governo do PSD e as suas reacções de animosidade à líder ainda ontem entronizada… Talking about lealdades partidárias. E, mais curioso, estas reacções têm uma intensidade estranha: pelo seu carácter abrupto e intempestivo, mas também pela sua extemporaneidade. Apenas e só os apaniguados do PSD não viram o desastre que Ferreira Leite era, e foi. Confirmou-se, por conseguinte, aquilo que saltava aos olhos de qualquer pessoa. Ainda mais curioso é esta tendência de incensar Rangel como se de uma nostalgia de glórias passadas se tratasse. Caíram na esparrela que nem patos tontos ou, melhor, que nem animais esfaimados que entraram em delírio pela irrisória vitória de Rangel decorrente essencialmente de um descalabro momentâneo do PS. Por isso, ontem os pulinhos costumeiros nas vitórias do psd foram atacados de cãibras e a malta lá resignou os seus queques traseiros às cadeiras de veludo. A moral das tropas estava pior do que no Álamo. Mas calma, porque seria precipitado decapitar lideres a quinze dias de uma competição eleitoral quiçá tão grande como esta. Dêem portanto uma quarentena à pobre da Ferreira Leite e depois podem escorraçá-la a vosso bel-prazer. O que se seguirá? A minha aposta, como referi aqui, é o jovem e garboso Passos Coelho. Mas o PSD tem uma estrutura ancilosada e pode vir a sofrer de artrose crónica. Caia Cavaco para que haja mudança!

A subida do PP, como certos comentadores mais néscios aventaram, não se deve a votos roubados ao PS. Foi inteiramente conquistada ao PSD. Este por sua vez, partido de direita conservadora e com laivos autoritários, ficou em pânico com o erro de casting com que se foi defrontando ao longo da campanha. Os eleitores mais “sérios”, sendo o PSD um partido de fortes ideais e adesões ideológicas, piraram-se ao mínimo sinal de naufrágio e foram agarrar-se a esse escolho chamado Portas. Ratos portanto. E Portas aceitou-os de braços abertos e a eles pode agradecer o seu pezinho de dança, mais que provável, na governação da nação. Repare-se que alguns dignos fiéis do PSD se borraram com o perigo da esquerda insurgente e então ouviu-se repetido: ai que nos vêm tirar as nossas propriedades! Ai que lá se vão as casas de férias! Fujam que vem aí o papão comunista! E que melhor desfecho do que o largo e fagueiro amplexo de Portas, o homossexual tolerado porque populista acirrado.

Pois foi, foi de medo que se fez esta fuga. A identificação política não é complicada: basta dar uma curva e…já está. Actualmente (se é que alguma vez houve) não existe nenhuma diferença entre PSD e PP. Muitos, adivinhando a hecatombe que se adivinhava cair sobre a malfadada Manuela arriscaram uma fuga para a frente e deram o seu voto de confiança, aliás, de sufrágio medroso, ao ultra-conservadorismo dos populares.

E a esquerda? Nunca ficou tão debilitada na conjugação de forças. Apesar disso, aqui e aqui embandeira-se em arco. E percebe-se? Não. Façam as contas seus tolos de ocasião. Em 1987, a CDU obtinha 12,14%, a UDP 0,89%, o PSR 0,58%, o MDPCDE 0,57, o PCTP-MRPP 0,37, o PCR 0,33, e o POUS 0,16. Querem somar? Então vamos lá. Dá 15,04 %. Esquerda fragmentada está bem de ver. Porém, convém recordar a alguns desmemoriados que o resultado obtido ontem, que se cifrou nuns 17,3, em pouco excede a esquerda de há 20 anos. E o que dizer do número de deputados? O BE junto com a CDU perfazem 31 deputados. Pasme-se, era exactamente o mesmo número de deputados que a CDU tinha em 1987! Isto para não falar das eleições precedentes da década de 80, nas quais, apenas a então APU, se mantinha consistentemente acima dos 15%. Significa portanto que é uma ilusão ver uma tendência consolidada no crescimento da esquerda portuguesa. Depois de 87 a descida é acentuada, nunca mais a esquerda obtendo uma posição tão favorável como na década de 80. Poder-se-á auscultar nesta subida recente a tendência para uma ascensão consolidada. Todavia, quando se olha para os resultados da década de 80, 90, e 2000, o que se observa é uma curva podendo dizer-se que agora a esquerda se encontra numa trajectória ascendente após uma queda expressiva. Recuperação temporária ou tendência sólida?

Por outro lado, é com a entrada em cena do BE que o Partido Comunista começa a perder sistematicamente. Em 2002 sofre o seu pior resultado de sempre quedando-se por uns meros 6,94%; e é justamente nesta data que se regista a subida imparável do BE saindo este do marasmo em que se encontrava anteriormente, rondando sempre os 2 e 3%, ou seja capitalizando os votos do antigo PSR e das residuais forças partidárias de esquerda que se foram reduzindo a grupúsculos antes de serem absorvidas (ou convergirem) pelo BE. Donde, começa a ser insustentável a tese segundo a qual os dois maiores partidos de esquerda crescem em simultâneo e que daí não resultaria um jogo de soma nula. Um factor que sem dúvida tem pesado neste equilíbrio precário no seio da esquerda é certamente o geracional. A “CDU cresce e avança” só pode ser assumida se nos limitarmos a comparar com os últimos resultados eleitorais (2005), mas quando o escopo de análise se abre nada é mais falso. A CDU – antes PCP-PEV, antes APU – tem vindo a sofrer uma delapidação constante. Havendo uma coorte geracional, os mais velhos, que se mantém fiel ao núcleo do comunismo português, tenderá esta a esvair-se, por um lado, com o normal envelhecimento e substituição geracional, por outro com os trânsfugas mais jovens que procuram uma sede intelectual mais efervescente e dos quais este e este constituem belíssimos exemplos. Esta sangria – porque se trata de sangue novo e porque se trata de fluidificação intelectual e teórica – não vai parar. Sobretudo agora que o BE se assume como força superior à CDU. Por mais anarquistas, ou libertários que se afirmem, a tentação da ribalta é por demais aliciante para estes nóveis protagonistas da intelligenzia de esquerda não lhe cederem. Por conseguinte, a CDU soçobrará lentamente. Nada de muito vistoso.

Que estas duas forças políticas se possam fundir numa só, parece ser o destino inevitável, emulando assim o Die Linke, alemão; aliás, exemplo abundantemente invocado pelo próprio Francisco Louçã. Todavia, ao contrário do que diz Louçã, as perspectivas para o Die Linke estão longe de serem animadoras. Porém, vivem igualmente uma estranha euforia semelhante à que se vive por cá. Merkel saca uma vitória histórica podendo fazer a coligação que sempre sonhou, permitida pela estrondosa subida dos liberais. Grandes mudanças de rumo político são expectáveis da Alemanha após social-democrata e sem que o Die Linke protagonize um papel especial neste quadro.

Assim como aconteceu em França e na Itália, o resultado da crise na óptica do eleitorado europeu traduziu-se numa penalização dos partidos socialistas. Portugal fugiu a esta regra, porventura com a salomónica ajuda do voto útil. Porém, a força que a esquerda possa ter no parlamento é igualmente condicionada, quando não reduzida, à imagem dos outros parlamentos europeus. Não se compreende portanto a euforia de certos sectores; melhor seria a prudência necessária de quem já viu este filme e assiste a um remake com piores actores.


O bloco central redivivo

Setembro 24, 2009

Paira uma ideia por aí segundo a qual encontramo-nos em risco de recair nos tempos negros do PREC. Esta (in)sonsa suposição tem sido ventilada abundantemente por esse esmero da democracia portuguesa, homem da prevaricação Moderna e gay “armariado”, líder do partido que se diz cristão e… democrata. Vem aí o PREC – buuuuhhh. Tremam suas alvéolas! Nacionalizações em barda! Ai meu deus que vão comer criancinhas, o Portas fica sem Jaguar, etc, etc.

Por seu turno, os putativos homens do PREC, afiam facas para se fazerem ao governo, tornar o PS refém do seu peso no hemiciclo da República e firmar as suas posições nas leis da nação. Ambos são uns exagerados.

O bloco central de interesses de que fala Louçã é absolutamente real; tão real e concreto, que na realidade é a única coisa que se joga nestas eleições. Troca-se um Gomes por um Relvas na Galp; substitui-se um Moura por um Negrão na Iberdrola, e assim sucessivamente. É isto, e apenas isto, que agita as hostes partidárias do PSD e que leva o PS a cerrar fileiras em torno do seu líder.

Nada disto é propriamente novidade. O que constitui matéria para reflexão é o facto de, talvez ingenuamente, o BE julgar que logrará um lugar de relevo na próxima legislatura. A minha convicção é que não terá. Ou melhor, continuará a ser a tão necessária e esclarecida oposição que tem sido até ao momento. Porém, a natural solução para um país que, pese embora as insistentes declarações em contrário, não é sociologicamente de esquerda, mas sim de centro (flutuando umas vezes para o centro-direita e outras para o centro estatal), é a força centrípeta do bloco central. Esta força existe no mundo dos negócios e a política do centro é uma tradução directa das jogadas neste mesmo mundo. Não estamos já no domínio da autonomia relativa, mas antes no reinado da plutocracia absoluta.

O jogo entre PSD e PS é só esse; não admira portanto que em vão se procurem grandes diferenças de fundo entre os programas dos dois partidos. A trabalheira que MFL deve ter tido para não decalcar o seu programa do já existente do PS. Com ou sem TGV, as políticas de fundo redundam, mais coisa menos coisa, no mesmo.

Agora, o problema é a brutal animosidade entre os dois líderes partidários e seus sequazes. Esta porfia militante faria antever uma impossibilidade estrutural em matéria de acordos parlamentares ou sequer de convivência institucional. Prima facie, tudo apontaria nessa direcção. Salvo o facto de Pedro Passos Coelho não ter nunca mostrado animosidade particular ao PS e ao seu líder. Verdade: PPCoelho é do PSD e esgrima com as armas do seu partido contra o PS. Mas nada comparável aos ataques verbais proferidos por Graça Moura, Rangel ou Pacheco Pereira – para não falar da líder – lhe são, ou foram, conhecidos. E PPCoelho é o homem providencial depois da hecatombe que se antevê para o PSD. É também o homem que fechará o ciclo do cavaquismo; dado que nada o prende a essa geração para além da sua juventude e ambição partidária da época do cavaquistão.

Consequentemente, ele é o líder perfeito para fazer a transição. E mais. Ele é o único homem no PSD com capacidade para mediar a solução de um bloco central. Ele e Sócrates não são assim tão distantes. São ambos resultado de uma ascensão partidária fulgurante. Ambos provenientes de uma geração diferente do cavaquismo e do soarismo, respectivamente. Ambos lideres modernos e bem enfarpelados. E assim como Sócrates fechou o ciclo do PS de Soares; é provável que Passos Coelho venha a fazer o mesmo ao ciclo cavaquista.

Se repararmos bem, o PSD está velho. Aquelas personagens já por lá se arrastam há anos. Ninguém se identifica mais com as cãs de Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura ou da própria Ferreira Leite. As figuras emblemáticas do PSD são o oposto do sangue novo que parece não fluir nas cúpulas daquele partido. Passos Coelho é uma alternativa séria. E é porventura a alternativa mais aliciante para um PS em minoria na Assembleia da República.

Agora que o ciclo Cavaco fecha em desgraça, o PSD terá que abrir mão dos seus barões e renovar o aparelho. Para Sócrates, seria o melhor aliado que lhe poderiam dar.


O amargo sabor do Lima

Setembro 23, 2009

Interessante mesmo foi ter visto há uns dias Maria João Avilez, autora da biografia oficial de Cavaco – ainda não emulada por uma não autorizada congénere como Sócrates teve direito -, tecer encómios ao percurso de Cavaco, ilustrando a sua rábula com expressões como “sem mácula” e “inatacável”. Valha-nos a bondade divina que Mário Crespo estava atento e recordou, retirando a cavaquista Valquíria da sua amnésia temporária, os casos de Dias Loureiro e da participação na Sociedade Lusa de Negócios. – Tirando isso – redarguiu a matrona. Tirando isso est pour cause, continuou a diva do cavaquismo em velocidade de cruzeiro dizendo que o que a preocupava verdadeiramente era a deontologia jornalística e a forma como se passava informação discricionariamente de um jornal para outro. Óbvia referência ao caso do Provedor do Público. Não seguiu caminho sem que Mário Crespo interrompesse, zelando mais uma vez pela simples conformidade aos factos, lembrando que o Provedor se queixara de espionagem interna e devassa do seu email. Maria João Avilez, pasme-se, desconhecia o facto. – Pois, pois, mas foi revelado ontem (domingo) – pontuou Mário Crespo o seu raciocínio. Veja lá, mas desconhecia esse facto. Estou mal informada. Claro que está, cara senhora. Tão mal informada que aventou a hipótese de mais alguém estar por detrás da cabala encomendada; mais alguém da Casa Civil do Presidente, registe-se, e não o próprio Cavaco. Assim dispersavam-se as atenções.

Uma conspiração de estúpidos, provinda da Casa Civil do PR mas à qual Cavaco é alheio. Cortou-se a cabeça ao Lima. Defenestrou-se o Lima, à maneira da velha dinastia de Avis. Segundo Maria João Avilez outros (fica a suspeita) deveriam ter sido decapitados. De resto, se o Lima não foi o único a alimentar a insídia, então exigia-se uma limpeza à Casa Civil do Presidente. Imagino que esta tenha tremido. Sabe-se que Cavaco é fiel às suas amizades e compagnons de route na exacta medida em que estas não lhe prejudiquem a aura de homem exemplar. Foi assim com Dias Loureiro. O tempo esticou, mas não perdoou. E lá foi o Loureiro escada abaixo desmunido de amizade partidária e de imunidade estatal. Agora foi o Lima. Seguir-se-ão outros? É a pergunta que azeda na boca dos portugueses. Só o nosso Presidente se mantém impávido e sereno, alimentando tabus, como quem governa o reino do Congo.

Vale a pena fazer um breve excurso sobre o tabu. Como toda a gente sabe o tabu é uma proibição, geralmente de carácter religioso, que confere uma aura sagrada ao objecto a que se refere. Cavaco inaugurou a aplicação do conceito aos negócios de estado. Vem de longe esta insustentável gestão dos silêncios de Cavaco Silva. Entretanto, devido às agruras da memória colectiva, esta estória pouco ilustre do silêncio cavaquista foi sendo esquecida. Porém, ela é o timbre do homem e do político. Desde a lei da rolha que a ideia de democracia de Cavaco confina com a gestão do silêncio. Os jornalistas apressaram-se a extrair conclusões erradas, atribuindo inaudita capacidade ao político para gerar tabus. Ora o tabu, porventura o maior tabu da sociedade portuguesa, é e foi Cavaco. Foi ele que foi erigido em objecto sagrado; foi a ele que atribuíram todas as qualidades ilibando-o de defeitos; foi sobre ele que se construiu um diáfano manto de reverência, bem expresso na utilização sistemática do título de professor. Ela é o nosso objecto sagrado. Intocável. Reconhecendo-lhe a maioria da população poderes de imposição da ordem e de regulamentação do caos superiores a qualquer outro político ou humano. Assistimos, durante o processo político e ascensional de Cavaco Silva à sacralização da sua pessoa. Cavaco é o nosso tabu.


Das testament des Dr. Cavaco

Setembro 22, 2009

Dr. Cavaco escreve freneticamente teorias da conspiração para instilar na população um clima de medo. Encontra-se num asilo, uma enxovia que não tem mais do que uma cama de hospital e um pequeno quadrado que passa por janela e por onde a luz se esgueira preguiçosa. O Prof. Cavaco, volta e meia, passa em revista a ala dos doidos incuráveis, aqueles para os quais, invente a medicina psiquiátrica o que inventar, a cura será sempre uma hipótese adiada. Cá fora, um sinistro assessor telefona a jornais, jornalistas e lideres partidários espalhando a funesta notícia de que o país se encontra submerso numa terrível rede de espiões, que a sociedade civil é acossada pela mão da ditadura policial – um reino de espionagem de dimensões inauditas.

Enquanto isso, Dr. Cavaco continua a sua escrita frenética, página após página, coberta de uma letra miudinha conquanto incisiva. No exterior, no mundo político, outras personalidades vêm a terreiro dizer que vivemos num clima de medo, que nunca, desde o 25 de Abril, se vivera uma tamanha asfixia democrática. As acusações repetem-se sem no entanto o Professor Cavaco se pronunciar. O Dr. Cavaco, esse, continua o seu plano diabólico, ora aparecendo qual sombra espectral a MFL ora ao seu conselheiro Fernando Lima, este último, membro de uma sociedade criminosa por mais de um quarto de século. Entrementes, um conhecido director de jornal presencia a aparição do Dr. Cavaco no seu quarto de dormir. A figura espectral diz, numa voz cava e mecânica, chamar-se Dr. Cavaco e dá indicações para que se espalhe o pânico durante a campanha eleitoral para as legislativas de forma a prejudicar o PS. Professor Cavaco continua o seu trabalho no asilo. Quando visitado pelos agentes da polícia que entretanto aperceberam-se que o Professor Cavaco levava escrupulosamente a cabo as instruções vertidas para o papel pelo Dr. Cavaco, este último já tinha falecido. Todavia, o diabólico Dr. Cavaco encarnara definitivamente na pessoa do chefe do asilo, Professor Cavaco.

Cena final: erguendo nas mãos o terrível documento “O Poder da influência” rasga-o compulsivamente desfazendo-o em pedaços irrecuperáveis. Porém, o seu testamento vive, porque o espectro do Dr. Cavaco apenas procura uma nova alma para dela se apoderar e continuar o seu reinado de terror.

Moral da história: o grande vilão é tanto mais bem conseguido quanto a possibilidade de estar ligado aos crimes cometidos se apresenta remota.

Subtexto: um grupo de homens com um propósito bem definido podem, quando instados a isso, colocar o Estado numa situação caótica. (Era esse, aliás, o medo que levou Goebels a banir o filme de Lang.)


The white man’s burden

Setembro 21, 2009

A entrevista a Pinto Balsemão é um primor de rigor jornalístico. Ficamos a saber que Pinto Balsemão não se mete nos conteúdos das suas publicações ANTES de serem publicadas, mas mete-se DEPOIS. No jornalismo, como em qualquer outra actividade, sublinhe-se, a sequência temporal tem os seus efeitos postergados; ou seja, recorrendo ao velho dictum de Marx, os homens fazem a sua própria história (…) mas segundo as condições que encontraram anteriormente. O que significa que um DEPOIS será sempre um ANTES, para outrem na normal sequência temporal.

Por conseguinte, o que Balsemão quer dizer é que na realidade influencia a linha editorial, na medida em que pronunciando-se DEPOIS avisa e delimita o que quer para todos os ANTES futuros. Isto nem sequer é estranho e só pode causar mal-estar a quem acredita na pureza jornalística – quem acredita que Manuela Moura Guedes manifestava apenas interesse em revelar a verdade, por exemplo.

O jornalismo não é puro. Não porque não possa sê-lo; mas simplesmente porque é pago, custa dinheiro, e quem paga pode. Neste sentido, a proposta de onerar os conteúdos on-line também não nos pode surpreender. O problema está em que Balsemão arrisca correr contra os tempos. A informação chega por inúmeras vias e perspectivas. A blogosfera supriu (e de que maneira) o diktat da opinião única dos Tycoons do jornalismo. Certamente que é isso que deixa Pacheco Pereira com os cabelos eriçados: assistir à perda de controlo da opinião em favor de uma miríade de opinantes passíveis de serem cotejados e que, tantas e tantas vezes, fazem melhor jornalismo do que aquele que nos é servido pela comunicação social privada.

Infelizmente, o dia há-de chegar em que os blogs também se farão pagar. Já faltou mais.


Coisas de antanho

Setembro 21, 2009

Vivemos em asfixia democrática – é o que constato quando um PR encobre um dos seus assessores que mais tarde viria a ser acusado pelo MP, um director de jornal afirma em televisão que não comenta uma opinião do provedor do Público em público quando se fartou de o fazer na blogosfera, e quando o patrão da SIC vem, a uma semana das eleições, acusar o governo de manipulação da comunicação social. Vivemos de facto em asfixia democrática. Não é de agora. É desde que não se podia mostrar simpatia pelo partido comunista nas escolas e nos empregos no tempo em que o Cavaquistão parecia ser eterno; desde que os jornais e as televisões seguem descaradamente agendas políticas; desde que fomos bombardeados com um quase consenso informativo (melhor seria desinformativo) sobre a bondade da guerra contra o Iraque; desde que nos emprenharam com a guerra anti-terrorismo esquecendo-se de nos avisar que aquilo só servia para a manutenção de um projecto imperialista; desde que temos Pacheco Pereira com um programa que nos ensina a ler nas entrelinhas das embrionárias conspirações esquerdistas.

Sim, vivemos em asfixia democrática. Mas não é de agora. É desde que temos um comentador-historiador ou um historiador-comentador como Vasco Pulido Valente não tem pejo em mentir para fazer valer as suas teses; desde que os politólogos nacionais afinam pelo mesmo diapasão, limitando-se a declamar em entoações variegadas o mesmo mantra; desde que Barreto e Pereira se encontravam em duetos de Dupond e Dupont: sim, eu diria mesmo mais – Vivemos em asfixia democrática. Sem dúvida que vivemos em asfixia democrática. Quando um presidente diz que não fala sobre um caso de putativas escutas que o implica directamente escusando-se na sua esfíngica figura, é asfixia democrática. Quando um primeiro-ministro é semanalmente destroçado num telejornal nacional e quando se tenta defender é acusado de manipulação da comunicação social, é asfixia democrática. Quando uma ministra da educação é raivosamente insultada por uma classe que apenas quer manter os seus privilégios, é asfixia democrática. Quando a isto se juntam ovos atirados por jovens que não conhecem mais do que os bares do Bairro Alto e sonham com o dia em que puderem cravar um carro aos paizinhos, é asfixia democrática. E quando nos empregos os chefes usam da sua prepotência, da ameaça do desemprego, exorbitando os seus direitos para além do vínculo laboral sem que nada possa ser dito, é asfixia democrática. E quando uma ex-ministra, agora candidata a primeira-ministra do nosso país aponta como exemplo de democracia a Madeira de Jardim, anuncia com certeza, mais asfixia democrática.

Vivemos em asfixia democrática. Mas não é de agora.